Dava pra entender.
 
Carlos Antônio.
 
----- Original Message -----
Sent: Sunday, May 14, 2006 11:25 PM
Subject: [Fwd: [gl-L] Resposta de uma petroleira à Miriam Leitão]

Errata:
Onde se lê "conversei com a Sra. Miriam Leitão", leia-se "conversei com a Sra. Carmem Barreto".


-------- Original Message --------
Subject: [gl-L] Resposta de uma petroleira à Miriam Leitão
Date: Sun, 14 May 2006 22:55:48 -0300
From: Paulo Sérgio Pinto <[EMAIL PROTECTED]>
Reply-To: [email protected]
To: undisclosed-recipients:;


Caros Amigos:

Conversei com a Sra. Miriam Leitão, autora da carta abaixo, e ela confirmou todo o texto. O único pedido que me fez foi que retirasse o telefone, pois ela estava sendo muito solicitado por conta da posição corajosa e bem fundamentada:


Resposta de uma petroleira à Miriam Leitão

"Minha querida Míriam,

O culpado disso tudo se chama Fernando Henrique Cardoso que deslanchou o famigerado Projeto Gasoduto Bolívia-Brasil, que vinha sendo postergado pelos militares há décadas, não sem razão, pois o risco país [Bolívia], que é o que estamos vivendo hoje, era muito alto.
O corpo técnico da Petrobrás se opunha a este projeto. Na época, vocês da Globo, de braços dados com o corrupto do Collor, chamavam a Petrobras de corporativista, reduto  de marajás, etc. Mas a empresa tinha razão. Não precisávamos deste gás caro. Tínhamos e temos excesso de óleo combustível BTE (baixo teor de enxofre), o melhor do mundo! Mas tivemos que criar artificialmente mercado para este gás natural importado a preços altíssimos, já na época da assinatura dos contratos (1997). O projeto foi desenvolvido na subsidiária Petrofértil (empresa de fertilizantes destruída pelo Collor), que então passou a se chamar Gaspetro. Seu Vice-Presidente Menezes (posteriormente veio a ser Diretor da Petrobras por seus "serviços prestados" ao Governo FHC) tinha linha direta com o Presidente da República (FHC), pois este projeto era um dos constantes no programa Brasil em Ação, e on Menezes tinha carta branca para assinar compromissos em nome da Petrobras.
Quando este projeto, já com todos os compromissos sacramentados, foi transferido para a Petrobras, eu tive a infelicidade de ser a técnica
designada, pela recém criada Gerência de Gás (GEGAS), no Abastecimento, para avaliar o projeto. Na época o nosso Gerente era o Paulo Roberto Costa, hoje Diretor de Abastecimento, de quem tive a hora de ser Assistente Chefe de Gabinete até minha aposentadoria. A minha avaliação apontava para riscos que levariam a perdas enormes pela Petrobras, coisa de alguns bilhões de dólares. Para se ter apenas uma idéia, a Petrobras, através da Gaspetro, que agia em nome da Petrobras, assumiu 84% dos investimentos na transportadora do lado boliviano, GTB, para ter APENAS 9% de participação acionária naquela transportadora, onde fui posteriormente membro do Conselho de Administração por dois anos, . Ora, não se precisa ser nenhum gênio para verificar que aí tem maracutáia. Como se coloca 84% dos investimentos em troca apenas de 9% de participação acionária?? Quem ganhou com isso? Resp: Empresas "pobrecitas" como Enron, Shell e BG.
Em 1999, fiz um relatório expondo, à então Diretoria da Gaspetro,  os riscos que estávamos correndo, pois as antigas exploradoras, como Chaco,
BG, Amaco, estavam fazendo uma verdadeira campanha, através da mídia, contra a Petrobras, que só entrou na exploração de gás e condensado na
Bolívia, após a lei modificando os "royalties". A Bolívia reduziu, por lei, os royalties, de 51% para 18% para novas explorações. Isto porque, quando a Petrobras, forçada pelo governo FHC, através da subsidiária Gaspetro (note-se que a Gaspetro podia assinar qualquer coisa em nome da Petrobras relacionada a este projeto sem passar pelo crivo da Diretoria da Petrobras), assinou os contratos de compra de até 30 milhões de metros
cúbicos de gás por dia, era sabido que a Bolívia, até então, só tinha reservas descobertas que garantiam 16 milhões de metros cúbicos por dia. Ou
seja, o inconsequente do FHC fez com que nossa maior empresa se comprometesse a comprar 30 milhões de metros cúbitos de onde jnão havia
reservas e para onde não havia mercado!!!
Espero que vocês, como seres humanos, possam avaliar, a despeito de ideologias políticas e de uma forma justa, o que representaram as decisões
tomadas inconsequentemente no governo FHC. Considero a empresa em que trabalham corrupta e a serviço do grande capital. Espero que vocês, como pessoas, possam ser mais grandiosas que isso.

Coloco-me a seu dispor para esclarecimentos adicionais e apresentação de provas do que digo. Meu telefone: 21 2275XXXX.

Por um Brasil melhor e para todos!
Cordialmente,
Carmen Barreto


Um abraço,
Paulo Sérgio Pinto
[EMAIL PROTECTED]




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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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