Pois é, Fa.
 
Infelizmente não dá para contestar o que o Dapieve diz. É a nossa realidade e espero que o Rubens leia isto para ver que estamos sem rumo, sem ter para onde ir politicamente
e que a bandalha vai assumindo o controle do país. E mais infelizmente ainda temos que admitir que só à força tiraremos do poder os que desde de o início da República
vêm proclamando uma democracia que hipocritamente acreditamos ter. Acreditar num sonho, manter viva uma esperança não é ser um visionário. Assim como ser realista não é assistir de braços cruzados a navegação sem rumo que o Brasil toma.
Temos no mastro não apenas uma bandeira preta mas uma que simboliza a pirataria que o capitão e os seus imediatos saqueiam a própria tripulação.
Esta é a realidade que vivemos.
 
Um beijão.
 
Carlos Antônio.
 
 
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 07, 2006 4:08 AM
Subject: [gl-L] Arthur Dapieve - Verde, amarelo e preto


Oi

Ai, ai... Que tristeza...

--
Beijins
Fa
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"A primeira conta telefônica depois do modem a gente nunca esquece."
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Quarta-feira, 07 de junho de 2006


Arthur Dapieve - Verde, amarelo e preto


Domingo. Poucas horas antes de Brasil e Nova Zelândia, derradeiro
amistoso da seleção antes da Copa da Alemanha. Vou caminhar no Aterro do
Flamengo. Por todo o percurso há sinais da euforia cívica que nos
acomete de quatro em quatro anos – e não é por causa das eleições para
presidente da República, obviamente. Bandeiras penduradas nas ruas,
trechos interditados para a pintura do asfalto, camelôs vendendo
adereços, multidões exibindo suas camisetas. Uma espécie de lente
coletiva que enxerga o mundo em verde-e-amarelo.

Já fui assim. Antes das copas do mundo ficava excitado, aguardando o dia
que me parecia mais propício para pendurar nas janelas as bandeiras do
Brasil e do Botafogo. Em 1978, dei um jeito de improvisar uma da Holanda
no dia da sua final contra a Argentina: peguei a bandeira do Espírito
Santo (tinha a de todos os estados brasileiros) e virei de cabeça para
baixo. Do outro lado da rua, ninguém enxergaria os dizeres “Trabalha e
confia”. Nem notaria ter ela rosa e azul, não vermelho e azul. Em 2002,
porém, este fogo já estava morto.

Hoje, então... Confesso que, pela primeira vez em nove copas de
lembranças, a maré patriótica chega até a me deixar enjoado. Não é que
eu não vá torcer pelo escrete, nada disso. Também não se trata daquela
velha arenga de esquerda, “o futebol é o ópio do povo”. Vou torcer
desesperadamente, como fiz quando do regime militar, da República de
Alagoas ou do tucanato. Contudo, ando irritado com a transformação da
torcida pela seleção do Brasil em orgulho de ser brasileiro. Hoje, meus
únicos orgulhos como nativo são a música e o esporte (em especial o
futebol e o vôlei masculinos). Como queríamos demonstrar...

Nada especificamente contra o Governo Lula, embora ele tenha grande
parcela de culpa, no cartório e no meu desencanto com o verde-e-amarelo.
Tudo contra, sim, o conjunto da obra dos governantes que tivemos desde
1822, nobres e plebeus, militares e civis. Durante a última ditadura,
aliás, eu sabia que a vitória numa Copa seria faturada pelo regime (como
havia sido a do México). Tinha consciência, inclusive, de que a minha
indignação contra a roubalheira que deu o título de 1978 à “Argentina
dos generais” driblava a evidência de que, se tivéssemos sido campeões,
a mesma taça seria sorvida pelo “Brasil dos generais”.

Naquela época, no entanto, eu ainda tinha pleno orgulho de ser
brasileiro. Não por causa dos militares golpistas. Não por causa do
“milagre econômico”, inventado, entre outros de seus acólitos, pelo hoje
deputado federal Delfim Netto (PP-SP), um dos principais conselheiros de
Lula. Tinha orgulho era pela certeza de que ainda havia gente honrada no
Brasil, que lutava de modo pacífico e incansável pela redemocratização,
como o atual presidente. Nisso, nos uníamos contra um inimigo comum, a
falta de liberdade. Hoje, democracia formalmente restaurada já há
dezessete anos, somos os nossos piores inimigos.

Não tenho orgulho de ver Lula, desde que se instalou no Palácio do
Planalto, desdizendo tudo o que sempre discursou. Nem uma experiência
similar, com Fernando Henrique, havia me preparado para tal cara-de-pau.
Talvez porque, na mitologia da esquerda, um operário haveria de ser mais
“autêntico” que um sociólogo. Não tenho orgulho de ver o PT se
comportando como uma facção criminosa paulista. Do mesmo jeito que
também acho uma piada a opção presidencial do principal partido de
oposição, o PSBD. Geraldo Alckmin é coisa de quem está satisfeito com as
coisas como estão – afinal, os lucros dos bancos vêm crescendo nos
últimos doze anos – e só pretende fazer figuração nas urnas eletrônicas.
Oposição (auto)consentida, mansa, (quase) como nos tempos da ditadura.
Não me orgulha, enfim, ver tanto PT quanto PSDB cortejando Orestes
Quércia, da banda podre do PMDB.

Não tenho orgulho de ver o Legislativo, pelo qual muito se lutou a fim
de livrar do arbítrio do Executivo, oferecer-lhe o traseiro mediante uma
módica quantia em dinheiro. Semanal ou mensal, o que importa?
Generalizo? Sim, eu sei. Deixarei de fazê-lo no dia em que a maioria dos
parlamentares – e não apenas os poucos insuspeitos habituais – parar de
proteger os envolvidos com o mensalão e outras formas de sugar o
dinheiro público. Primeiro, o compadrio era absolvê-los em plenário.
Agora, é sequer levá-los a plenário, sob o argumento de que o Congresso
não seria capaz de investigar tanta gente. Incrível. Até uma verdade –
incapacidade de investigação – trabalha a serviço da mentira.

Também não tenho nenhum orgulho de ver o Judiciário permitindo a Pimenta
Neves aguardar em liberdade seu recurso contra a condenação a 19 anos
por assassinato ou impedindo o televisionamento do julgamento de Suzane
von Richtofen (no dia em que conseguir que ele seja realizado, claro).
E, por outro lado, vê-lo obrigando operadoras de celular a cortar o
sinal de cidades paulistas onde se localizam presídios importantes. Ou
seja, o honesto cidadão vive punido porque o Estado brasileiro – do qual
o Judiciário é o braço menos visível – é incapaz de evitar que os
aparelhos cheguem aos bandidos.

Orgulho? Não dá para ter, se ser brasileiro implica reinventar
continuamente as leis e os fatos em benefício próprio. Ou no de seus
pares num dos três poderes, o que dá na mesma. Desconfio ser o esporte
nacional não o futebol e sim o calvinbol. Lembra-se dos quadrinhos do
americano Bill Watterson? Calvin jogava com o tigre de pelúcia Haroldo
algo cujas regras mudavam o tempo todo – mas sempre revertiam a seu favor.

O remédio para a minha náusea talvez seja agitar uma bandeira negra
diante da tevê. Brasil!



Retirado de
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