|
O Brasil de hoje ensina: quando o assunto é política ou
administração pública, nunca há vencedores nem vencidos. Tampouco há
corruptores nem corrompidos. Todos são farinha do mesmo saco,
geralmente em adiantado estado de putrefação.
As notícias
sobre os envolvidos no esquema dos sanguessugas e os salamaleques
orquestrados para que não haja encontro formal dos envolvidos são
apenas uma pontinha do iceberg. O quebra-quebra na Câmara mostra
outras pontinhas, como a dos mais de 5 milhões de reais do nosso
suado dinheiro entregues aos baderneiros do MLST desde o fim de 2002
para que eles pudessem aprontar, como fizeram esta semana.
O trelelê em cima da ação do crime organizado em São Paulo e
as diversas propostas feitas pelos políticos com o objetivo de
mudar tudo sem alterar absolutamente nada revelam ainda outras
pontas desse iceberg que, ao que tudo indica, só poderá ser
destruído por meio de uma gigantesca explosão popular. Claro, várias
outras pontinhas emergem para quem lê um mínimo do noticiário, dia
após dia.
Como, por exemplo, a presepada que se arma em
torno da campanha oposicionista à Presidência da República. Como num
acordo de compadres, bem ao estilo mineiro sinto-me à vontade para
falar assim por ser o produto genético, ainda que rebelde, de duas
famílias dessa região já não se pensa mais em 2006, mas sim em
2010. Em outras palavras, o interesse público que se dane. O
importante mesmo é acomodar todos para os próximos concursos de miss
que determinarão a continuação inalterada do sistema de desgoverno
que garante uma boquinha a quem se dispõe a reformar sua língua ou
seu modo de pensar.
Sicrano era ladrão em 1987 acusação
pronunciada em praça pública, gravada em fita? Não, nada disso, que
bobagem. Aliás, quem acusou faz questão de dizer que nunca o
ofendeu, e o inebria de amabilidades. Os dois, bem como seus
asseclas, estão cheios de Óleo de Peroba até o tampo.
Nem
mesmo a língua portuguesa escapa da ação depredadora dos pilantras
que, a cada quatro anos, se apresentam compungidos diante do eleitor
e enfiados no milésimo primeiro disfarce para fazer a dança do voto.
Nas estradas, as placas oficiais exibem o mais recente exemplo da
relativização imposta pela mediocridade e do despreparo acadêmico
daqueles que aparelham o serviço público: Ouro Preto à (sic) 120
km.
Aliás, por falar em estradas, interesse público,
administração da coisa pública e política, uma das experiências mais
aterradoras para o cidadão comum é experimentar o tráfego da chamada
Rodovia JK, que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte. O mapa diz
que a rodovia tem pista dupla. Ledo engano. Os pilantras que
promoveram a suposta duplicação apenas incorporaram o acostamento
à pista. Isto significa que as pontes continuam do mesmo tamanho,
isto é, com pista simples, sem qualquer orientação para o motorista,
que se vê repetidas vezes na abrupta contingência de mudança de
pista para não cair nos precipícios.
Qualquer tipo de
sinalização seja ela vertical ou horizontal, não existe. Aliás...
perdão, leitor(a). Há placas novinhas em folha, informando sobre uma
tal Estrada Real, sem qualquer indicação verdadeira de localização
e/ou significado, e que aquilo tudo é uma realização do Governo
Federal. É o chamado free for all.
Do jeito que as coisas
andam, acho que preciso entrar novamente no Herbalife. O
inconsciente intestino-estomacal coletivo está nos arrastando a
todos para um estado em que, na hora H, a coisa fica mais para Evo
Morales do que para Petrobras.
|