BRASÍLIA - Sem alarde nem divulgação, aproximadamente 400
deputados receberam de R$ 8 mil a R$ 9,3 mil em depósitos bancários
referentes à segunda parcela da convocação extraordinária do começo
do ano. A Câmara desembolsou no mínimo R$ 3,2 milhões para obedecer
a ordem do desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional
Federal (TRF) do Distrito Federal, que considerou legal o salário
extra.
Porém, o PSOL adiantou que recorrerá da decisão do TRF. A idéia é
entrar com mandado de segurança para suspender os efeitos da medida.
O pagamento é tão escandaloso que nós não vamos permitir isso. É um
absurdo, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
De acordo com a direção da Câmara, apenas os parlamentares que
compareceram a mais de 2/3 das sessões, do período da convocação,
receberam. Fiquei sem entender nada. Tudo aconteceu na calada da
Copa, reagiu o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Também surpreso, o
deputado Josias Quintal (PSB-RJ) acredita que a nova Câmara deverá
ser influenciada pelas mudanças que estão em curso.
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), examina a
possibilidade de extinguir as verbas indenizatórias e incluir nos
salários dos parlamentares. Até o fim do ano passado, cada um dos
513 deputados tinha direito a receber dois salários extras (R$ 25,6
mil) para trabalhar durante a convocação extraordinária.
Mas, em janeiro, diante da controvérsia sobre as despesas de
quase R$ 100 milhões que a Câmara teria, os parlamentares aprovaram
o fim do pagamento de extras e também a redução de 90 para 55 dias
da convocação extraordinária.