Justiça brasileira faz primeira condenação 
por pirataria de filmes
[IDG Now!]

São Paulo - Condenação de pirata a dois anos de prisão pela 
venda de filmes pode provocar no Brasil onda de processos 
similar a dos EUA, diz advogado.  A Associação de Defesa da 
Propriedade Intelectual (ADEPI) anunciou nesta quarta-feira 
(05/07) a condenação do primeiro usuário por pirataria de 
filmes na internet brasileira.

Marcos Roberto Lui recebia encomendas das obras pelo site 
CDPoint.org.br (já desativado), para depois enviar CDs e 
DVDs gravados em casa pelo Correio para usuários do país 
inteiro. Por sua ação, Lui feriu o 1º parágrafo do artigo 
184 do Código Penal, que prevê punição por lucro pela venda 
de material pirata.

Mais de dois anos após sua prisão, efetuada em março de 2004 
por uma parceria entre a ADEPI e a Polícia Federal, Lui foi 
condenado à pena de dois anos de reclusão e dez dias de multa 
nesta quarta pela Vara Criminal de Santos.

Por mais que as associações responsáveis pela manutenção de 
direitos autorais no Brasil não se manifestem publicamente 
sobre o assunto, a prisão de Lui não chega a ser uma novidade 
-- desde a criação do departamento especial para investigar o 
assunto na ADEPI, já foram presos 30 usuários pelo comparti-
lhamento ilegal de filmes na internet, segundo Carlos Alberto 
de Camargo, diretor da organização.

A pirataria online de música também já forçou a prisão de 
usuários brasileiros. Em agosto de 2003, Alvir Junior foi 
preso em Curitiba por comercialização de canções por parceria 
entre a Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fono-
gráficos (APDIF) e a Polícia Civil do Estado.

A condenação do pirata, por outro lado, representa um avanço 
da legislação brasileira que poderá frear a maneira como o 
internauta brasileiro encara o compartilhamento de arquivos 
pela internet. "Eles (os usuários) acham que a internet 
garante impunidade por que protege identidade de quem opera 
o esquema ilegal, mas isto é uma grande mentira", afirma 
Camargo.

O advogado especialista em direito digital Renato Ópice Blum 
acredita que a condenação deverá desencadear no Brasil a mesma 
onda de processos por compartilhamento de material pirata em 
atividade nos Estados Unidos, motivado por organizações como 
a Recording Industry Association of America (RIAA).

"Como não dá para processar todo mundo, a RIAA, por exemplo, 
condena uma parte e faz o anúncio amplamente. A divulgação é 
baseada na questão do medo dos usuários", afirma Blum, que 
afirma que as autoridades do país também deverão se confrontar 
com problemas como a localização de servidores com conteúdo 
brasileiro pirata fora do país, o que dificulta as investi-
gações.

Camargo afirma que, apenas em 2006, foram enviadas quase 4 mil 
notificações para usuários detectados pela associação vendendo 
filmes piratas na internet, enquanto 41 indiciamentos de piratas 
presos ainda correm pela Justiça nacional.


http://idgnow.uol.com.br/internet/2006/07/06/idgnoticia.2006-07-
06.5967820370/IDGNoticia_view












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