Eu mando a continuação.
 
Carlos Antônio.
 
Fonte: A Voz da Serra
 
 
 
Plano Diretor, o que seria isto?

Nós, brasileiros, temos uma perniciosa tradição cultural, herdada dos tempos de controle centralizado na Corte Portuguesa, que criou a ilusão de que as Normas têm que ser seguidas apenas pelos desafetos, já os que desfrutam da intimidade com os dirigentes podem flexibilizá-las ou até contrariá-las, pois estariam fora do seu alcance.
A construção civil é regulada por normas minuciosas e privativas de cada município. Existem até casos, estes em cidades muito grandes, de normas específicas para grupos de bairros.
As dimensões territoriais de nosso país são avantajadas, o número de fiscais é insuficiente em muitos casos desmotivados e despreparados para o pleno exercício de suas funções por míopes estratégias inspiradas no interesse direto do voto que seria perdido na hipótese do poluidor ser importunado pelos Dirigentes Públicos.
Em qualquer parte do Brasil que se visite predomina a maior libertinagem, até mesmo nos centros mais desenvolvidos. Todos conhecem a ineficiência da fiscalização e há muito abusam descaradamente.
Assim, de forma generalizada, edificações surgem à revelia do planejamento global, novas ruas são abertas sem qualquer autorização, escava-se, aterra-se sem a menor cerimônia, desmata-se, desmata-se e desmata-se...
As normas ambientais por não serem consultados, já que os projetos não são submetidos à Prefeitura previamente ao início das atividades, de fato “não colaram” como se costuma ouvir.
Esta é a forma como se acumulou o imenso passivo ambiental que estamos legando para as futuras gerações.
Resumindo: jaz a sete palmos o sistema brasileiro de monitoramento da construção civil e das demais atividades potencialmente poluidoras.
Em sentido contrário desponta uma consistente corrente conclamando pela modificação dos costumes.
A pressão dos fatos ensejou a percepção de que o processo de degradação é agravado por desperdícios passíveis de reconsideração: desmata-se primeiro para mais tarde descobrir que o local é inadequado para o gado, constrói-se sobre as margens dos rios havendo alternativas mais adequadas e por aí vai.
Os empresários brasileiros têm dado importância ao desenvolvimento e à implantação de novas tecnologias que minorem os efeitos dos efluentes gerados e dos impactos que a atividade poderia causar.
Está em vigor um acordo internacional de incentivo à captura de carbono atmosférico na tentativa de compensar o que tem que ser liberado na indústria e nos veículos com motores à combustão.
Procura-se exaustivamente uma saída já que é inaceitável o círculo vicioso de matar para viver e morrer por tê-lo feito.
Este é o denominador comum que povoa a preocupação das pessoas em todas as partes do mundo. A questão ambiental impregna todas as profissões e suas tecnologias compõem um vasto acervo que se apresenta na forma de ciência multidisciplinar, de tal forma que qualquer profissional certamente encontrará um setor para “ecologizar-se”.
Justiça seja feita, os legisladores brasileiros demonstraram grande percepção da fragilidade do sistema de fiscalização ao instrumentar as pessoas com base legal para que efetivamente possam colaborar na suavização do drama que se passa diariamente sob nossas vistas, pois a qualidade de vida está piorando em ritmo sempre renovado sem qualquer evidência de reconsideração.
Três conquistas da maior relevância estão em vigor: a primeira delas diz respeito ao texto de nossa Constituição de 88, artigo 225, que estende para a coletividade, em igualdade com os Dirigentes Públicos, o dever de preservar e defender o meio ambiente, em segundo lugar a Lei Federal 9605 de 98 que em seu artigo 70 estabelece, entre outras coisas, que qualquer pessoa é parte legítima para dirigir às autoridades uma representação indiciando eventual infração ambiental e por último a Lei Federal 10.257 de 2001 exige dos governos municipais a aprovação de Plano Diretor em prazo que expira neste mês, tal a importância a ele atribuída.
É chegada a hora da comunidade assumir pessoalmente a sua parte na vigilância do bem comum.

José Vitor Pingret
Engenheiro civil

(Continua na próxima edição)

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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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