09/07/2006
As manchetes deste domingo
- JB: Políticos animam invasão
- Folha: Aumento da renda tira 6 milhões da classe D/E
- Estadão: Investimento cresce, mas cria pouco emprego
- Globo: Sete milhões de pessoas sobem para a classe média
- Correio: Ligações explosivas da máfia dos combustíveis
Leia os destaques de capa dos principais jornais e revistas.
Escrito por Josias de Souza às 04h02
Polícia negociou com PCC antes e depois de ataques
Rogério Cassimiro/Folha Imagem
Detalhes das duas tentativas de entendimento constam de depoimento que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, prestou a deputados da CPI do Tráfico de Armas. Acusado de ter ordenado os ataques, Marcola foi ouvido em sessão reservada, no dia 8 de julho, na penitenciária de Presidente Bernardes (SP).
A inquirição foi gravada. Durou quatro horas e 13 minutos. A transcrição ocupa 205 páginas (leia na íntegra em http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/20060708-marcos_camacho.pdf ). Marcola contou que, em 12 de maio, dia em que começaram os ataques do PCC, foi levado à presença de Godofredo Bittencourt, diretor do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado).
Em encontro testemunhado por cerca de 15 autoridades policiais, Godofredo perguntou a Marcola o que poderia ser feito para estancar as rebeliões em presídios e os assassinatos em série de policiais. Àquela altura, só havia duas cadeias rebeladas –Iaras e Araraquara; contavam-se quatro policiais mortos.
Marcola diz ter pedido comida, cobertores e direito a banho de sol para 765 presos que haviam sido transferidos na véspera para uma cadeia de Presidente Vesceslau. Pediu também que fosse mantida a visita do Dia das Mães. Seria no domingo seguinte. E fora cancelada. Atendidas às reivindicações, prometeu interceder pelo fim da violência.
Conforme o relato de Marcola à CPI, o diretor do Deic concordou com as exigências. "O dr. (Godofredo) Bittencourt falou pra mim: 'Concordo com você e vou passar isso pro Nagashi (Furukawa, então secretário de Administração Penitenciária de São Paulo)'. Aí ele ligou pro Nagashi, e o Nagashi falou simplesmente que não iria fazer concessão nenhuma, que não tava ali pra negociar".
Marcola disse aos deputados que sempre se entendera com Nagashi. Estranhou a "intransigência". Disse que a transferência dos presos foi interpretada nas cadeias como um "gesto político" do secretário de Administração Penitenciária.
"A gente tem noção política, somos politizados", disse o líder do PCC. "Então a gente sabe, em determinado momento, se faz uma situação (...) que nem essa transferência do Nagashi. A gente sabia que ali era uma forma de ele dar uma resposta pra sociedade, dizendo 'ó, tranquei toda uma liderança, isolei todos e tal', e pronto".
O relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), perguntou a Marcola se o objetivo do governo paulista teria sido o de "dar uma demonstração de força". E o criminoso: "Pra promover o (Geraldo) Alckmin (candidato do PSDB à presidência). Certo que o tiro saiu pela culatra. E como! A gente é usado. Ou não é usado?" Marcola não foi contestado por nenhum dos inquiridores.
Dois dias depois da negociação malograda do Deic, a cúpula da polícia paulista dobrou os joelhos. Autoridades policiais voaram, em avião do Estado, da capital paulista para Presidente Bernardes, para onde Marcola fora levado. Estava também a bordo a advogada Iracema Vasciaveo. Reuniram-se com Marcola à noite, na sala da direção do presídio. Àquela altura, havia 52 pessoas mortas e 57 cadeias rebeladas.
Marcola foi instado a se comunicar, pelo celular, com líderes do PCC em outras cadeias, para avisar que não sofrera agressões físicas. Seria a senha para acabar com a onda de ataques. Recusou-se. Mas indicou outra pessoa para falar ao telefone: o preso LH, iniciais de Luiz Henrique, que se encontrava na mesma prisão de Presidente Bernardes. Contou aos membros da CPI que a ligação foi feita. Recusou-se, porém, a informar o nome de quem estava do outro lado da linha (Leia mais abaixo).
Escrito por Josias de Souza às 03h08
'E os deputados o que fazem? Roubam para caralho'
A
sessão reservada de inquirição de Marcos Willians Herbas Camacho, o
Marcola, transcorria em tom cordial. Súbito, o presidente da CPI do
Tráfico de Armas, deputado Moroni Torgan (PFL-CE) alteou o timbre de
voz. Tentava arrancar do interrogado o reconhecimento de que comanda o
PCC. Acusou
a facção criminosa de aproveitar-se dos presos, obrigando-os a
reincidir no crime depois de libertados da cadeia, para financiar o
PCC. Marcola não gostou nem do tom de voz do deputado nem das
observações. E pediu respeito. Abaixo, o trecho mais elétrico da
discussão:
- Moroni: O que existe é uma organização criminosa.
- Marcola: Vamos parar o grito (...).
- Moroni: Uma organização criminosa.
- Marcola: Vamos gritar. É isso que o senhor quer?
- Moroni: Eu falo do jeito que eu quiser (...).
- Marcola: Não grita, pô!
(...)
- Moroni: Agora eu quero dizer, com todo o respeito que eu tenho pela humanidade: o PCC existe para explorar os coitados dos presos que têm que sair para rua e trabalhar para eles. Tem que trabalhar, tem que ser criminoso. Se tu saíres, pagar tua pena, tu tens que ir para rua para ser criminoso.
- Marcola: E o que é que os deputados fazem? Não roubam também? Roubam para caralho, meu!
- Moroni: É, isso vai ser outra coisa que tu vai ser indiciado também.
- Marcola: Só porque deputado rouba eu vou ser indiciado?
- Moroni: Por desacato. Disso tu vais ser indiciado.
- Marcola: Que moral tem algum deputado para vir gritar na minha cara? Nenhuma.
- Moroni: Todo homem de bem tem moral de falar.
- Marcola: Mas quem disse que... Cadê o homem de bem? Todo bandido fala que é homem de bem.
Antes do término da inquirição Marcola desculpou-se com Moroni. Lamentou ter conspurcado o seu depoimento com um "palavrão". Não foi indiciado. As acusações que dirigiu aos congressistas ficaram flutuando na atmosfera da sala do presídio de Presidente Venceslau. Impunes.
(Leia mais abaixo)
Escrito por Josias de Souza às 03h04
'A culpa pelo caos é do Marcola, não é do Alckmin'
Marcos
Willians Herbas Camacho, o Marcola, tentou negar aos membros da CPI do
Tráfico de Armas que fosse o líder máximo do PCC. Insinuou que o "mito"
é obra do governo de São Paulo. O nome do candidato tucano Geraldo
Alckmin foi mencionado quatro vezes. Sempre em tom pejorativo.
Marcola declarou aos deputados, com um riso nos lábios: "Fui criado por determinadas pessoas, agindo de má-fé para ter um bode expiatório. E cada vez que as coisas dessem errado e eles não soubessem como controlar e a quem punir, tinha lá o Marcola".
"É muito fácil ter um cara igual a mim", prosseguiu o bandido. "Se eu fosse político, eu ia arrumar um Marcola também. Se eu fosse um governador, ter um Marcola, não é bom, não? A segurança pública tá um caos, a culpa é do Marcola, não é do Alckmin. Nunca. Infelizmente. Essa é a realidade (...) Então, quem lidera é o Alckmin".
À medida que o depoimento avançou, Marcola foi revelando os traços do líder que alega ser "fabricado". Disse que a idéia do PCC nasceu em 93, época em que estava nas ruas, assaltando bancos. A facção tomou corpo em 95, quando já se encontrava preso. Admitiu ter sido um dos formuladores da "parte ideológica" da facção.
Apresentando-se como "autodidata" –"O Estado nunca me deu nada"—, Marcola ofereceu aos deputados pistas da origem da "ideologia" do PCC. "A gente leu muito sobre Lenin, sobre a formação do Partido Comunista Brasileiro". Disse ter buscado outras inspirações. A estrutura do PCC "não é só leninista". Citou Mao Tse-tung.
Segundo Marcola, o PCC formou uma rede de proteção à população carcerária de São Paulo. A facção é sustentada financeiramente por bandidos que agem fora das cadeias. Negou-se a mencionar valores. "É muito dinheiro", limitou-se a dizer. A assistência é estensiva às famílias dos detentos.
Marcola também admitiu que os presos passaram a enxergá-lo como líder depois do desgaste de Geleião, o primeiro mandachuva do PCC. Geleião caiu porque adotava métodos terroristas –"Ele quis explodir a Bolsa de Valores"— e extorquia os presos. Alçado à testa da facção, Marcola disse ter descentralizado a liderança. Instado a nominar os integrantes da cúpula, ele riu. E disse: "Com todo respeito, senhor deputado, o senhor quer me matar ou o senhor quer fazer o quê comigo?
Perguntou-se a Marcola o que achou da troca de comando na secretaria de Assuntos Penitenciários –saiu Nagashi Furukawa e entrou Luiz Carlos Catirse. A resposta do criminoso embutiu uma ameaça de recrudescimento da violência:
"A gente sabe que ele (Catirse) tem pouco tempo, 6 meses, inclusive ele tem uma situação muito complicada na mão: são várias penitenciárias destruídas, eleições daqui a 3 meses, ele não pode muito com repressão porque as coisas podem voltar a acontecer novamente. Então, eu acho que ele está numa situação difícil, o secretário".
Escrito por Josias de Souza às 02h56
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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