Tenho percebido um aquecimento aqui na serra
24/07/2006
Clima: A Europa cada vez mais quente
Por Julio Godoy
Paris, 24/07/2006 - A onda de calor que se estende por toda a Europa é uma
conseqüência direta do aquecimento da atmosfera, afirmam especialistas.
"Observamos e
sofremos os primeiros efeitos do aquecimento do planeta", disse à IPS o
meteorologista Hervé Le Treut, do Centro Francês de Pesquisa Científica. "As
emissões
de gases causadores do efeito estufa, como o dióxido de carbono, estão
provocando
altas temperaturas em todo o mundo, mas estas são observadas de forma
irregular ao
longo dos diferentes continentes. O clima global claramente está sendo
afetado",
afirmou.
Os gases que causam o efeito estufa derivam da queima de combustíveis
fósseis, com
carvão e petróleo, e a maioria dos cientistas concorda que são a causa do
aquecimento
da atmosfera terrestre, que provoca graves transtornos climáticos.
Temperaturas muito
superiores aos 35 graus foram registradas em toda a Europa na semana que
passou. Na
quinta-feira, Paris e Berlim registraram 39 graus, e, na véspera, a Bélgica
teve seu
dia mais quente, com 37 graus. A Grã-Bretanha também registrou temperatura
recorde em
julho, alcançando 36,5 graus. A máxima registrada até então era de 36 graus.
"A Europa ressecada", foi a manchete do semanário espanhol El Semanal. A
onda de
calor provocou várias mortes em todo o continente. O ministro da Saúde e da
Solidariedade da França, Xavier Bertrand, informou no dia 19 passado que
pelo menos
nove pessoas haviam morrido neste verão do hemisfério norte devido ao calor.
"Peço a
todos que sejam conscientes dos riscos de saúde, porque nos próximos dias as
temperaturas serão tão altas que as pessoas (especialmente as idosas) não
serão
capazes de se recuperar rapidamente", afirmou em uma entrevista coletiva.
Na Espanha, houve, pelo menos, duas mortes em razão do forte calor. As duas
vítimas
eram pedreiros que morreram enquanto trabalhavam. Na Alemanha e na Holanda,
quatro
pessoas morreram por problemas cardiovasculares causados pelas altas
temperaturas.
Mas o número de mortes este ano continua sendo baixo em comparação com as 35
mil
pessoas que morreram na onda de calor de 2003, das quais 15 mil, na maioria
idosos,
faleceram na França. "A onda de calor de 2003 atingiu seu clímax no mês de
agosto. As
temperaturas deste ano estiveram acima da média já nesta primavera (boreal).
Os dias
quentes ainda estão por vir", alertou Treut.
Outra razão para a relativamente baixa quantidade de vítimas fatais este ano
é o
sistema de alerta adotado pelas autoridades sanitárias, sobretudo na França.
"Depois
do drama de 2003, adotamos um plano de vigilância que funciona desde 1º de
janeiro
(deste ano). Queríamos antecipar os riscos e impedir mais mortes", disse à
IPS o
diretor do Instituto Francês de Vigilância em Saúde, Gilles Bruecker. O
plano dá
especial atenção aos idosos e às crianças, e inclui uma proibição de toda
atividade
esportiva intensa nos períodos mais quentes do dia em toda a França. O uso
da água é
restrito, com a proibição de encher piscinas particulares e controles de
irrigação de
jardins.
Prevê-se que haverá verões mais quentes no futuro. As temperaturas
registradas na
Europa desde 1900 indicam que hoje há mais dias quentes do que antes. "O
número de
dias com temperaturas superiores a 25 graus aumenta regularmente", disse
Serge
Planton, diretor do Centro para Pesquisa do Clima, na cidade francesa de
Toulouse.
"Em média, a temperatura na Europa aumentou um grau desde 1900. A mudança
climática
provocada pelas emissões de gases causadores do efeito estufa, como o
dióxido de
carbono, derivará a um aquecimento entre 2,5 e cinco graus no continente
europeu até
2100", disse Planton à IPS.
A maioria dos cientistas europeus concorda com estas previsões. "Uma revisão
superficial das estatísticas de temperaturas na Europa revela que o clima
fica mais
quente a cada ano", disse à IPS o meteorologista Franz-Josef Loepmeier, do
Serviço
Climático Alemão. "Não veremos crescer palmeiras na Alemanha, mas os verões
serão
mais quentes nos próximos anos, a menos que a humanidade como um todo faça
algo
consistente contra o aquecimento global", ressaltou. Com Loepmeier concordou
Friedrich-Wilhelm Gerstengarbe, professor do Instituto Alemão para a
Pesquisa
Climática, com sede na cidade de Potsdam. "As mudanças do clima que
observamos são,
em sua maioria, causadas por atividades humanas, especialmente a emissão dos
gases
que causam o efeito estufa", disse à IPS.
Gerstengarbe afirmou que durante os últimos cem anos as temperaturas na
Alemanha
aumentaram 0,8 graus. "Para os próximos 75 anos, esperamos um aquecimento
entre 1,8 e
3,5 graus para nossa região", previu. O calor também está prejudicando a
agricultura
e a produção de energia, especialmente nas centrais nucleares. A falta de
água para
os sistemas de resfriamento das instalações atômicas fez com que as empresas
de
energia alemãs reduzissem o ritmo de seus geradores.
(IPS/Envolverde)
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