Acabo de abdicar da civilização.
 
Carlos Antônio.
 
 
----- Original Message -----
From: Claudiß
Sent: Wednesday, August 23, 2006 6:05 PM
Subject: [gl-L] Coluna Zero Hora

Sem retoques!

Thx to Isis!

Claudiß
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O café do Freud

Vou contar agora a história da minha última noite na Europa.
Estava em Viena e decidi que tinha de jantar no café que o
Freud freqüentava. Chama-se Landtmann, fica a umas cinco
quadras da casa onde ele viveu até fugir do nazismo, um ano
antes da II Guerra. Fiquei ali, sorvendo um creme de espinafre,
o que achei muito fino, e imaginando o Freud sentado num
canto, fumando seu charuto, pensando na mãe, o Freud
pensava demais na mãe.

Depois, atravessei a rua e não caminhei mais de cem metros
para entrar num parque onde se realizava uma espécie de
quermesse, só que uma quermesse em estilo vienense. A
comida, se me dissessem que era de autoria do chef de
um três estrelas do Guia Michelin, eu acreditaria. E era servida
em pratos de porcelana, e a bebida que a acompanhava vinha
em copos de cristal. Os austríacos apanhavam suas refeições
e iam desfrutá-las sob caramanchões floridos. O parque, esse,
na verdade é o paço municipal. Ali adiante está o imponente
prédio da prefeitura de Viena, a Rathaus, um edifício gótico do
tamanho de três catedrais de Porto Alegre alinhadas, com uma
torre que se eleva ao céu como se fosse decolar.

Em frente à prefeitura estavam dispostas 2 ou 3 mil cadeirinhas
de madeira e, na fachada do prédio, havia sido instalado um
telão duas vezes maior do que o de qualquer cinema. Os
vienenses sentaram-se nas cadeirinhas, alguns com seus
pratos e copos. Quem não encontrou cadeira vaga,
acomodou-se no chão mesmo. Muito dignos e silenciosos,
passaram duas horas assistindo à projeção... de uma ópera.

Terminada a ópera, a maioria se dispersou calmamente, mas
umas 500 pessoas continuaram na praça. No supertelão, como
encerramento do programa, a orquestra de Viena executava o
Danúbio Azul, e foi com essa imagem e essa trilha sonora que
me despedi do Velho Mundo.

Saí de lá chocado com tanta civilização, um pouco deprimido com
nossas mazelas aqui abaixo do Equador, mas com uma certeza
cristalizada: de como vou votar nestas eleições. Estou pouco
ligando para as suspeitas de corrupção, estou pouco ligando
para o programa econômico dos candidatos, estou me lixando
para os impostos, a taxa de juros, o nível de emprego ou a fome
zero. Quero, apenas, educação. Só a educação vai nos redimir,
ainda que jamais troquemos o pagode pelo Danúbio Azul.

* * *
Agora, há algo que me preocupa: constatei que o nível de
civilização é inversamente proporcional à dimensão e à
esfericidade da região glútea das mulheres. Sim, porque eles, os
europeus, eles param no sinal vermelho, eles vão a museus,
eles têm ciclovias, eles falam baixo e as mesas dos bares deles
nunca são de plástico, mas as mulheres deles são retas como o
caminho da virtude. Não sei se chegaremos a um tempo em que
teremos de escolher entre a civilização e a bunda, mas tenho
medo só de pensar. Muito medo.

ZH- David Coimbra.


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