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Aos poucos começam a ser ultimadas
providências para a rentrée da energia nuclear nos Estados Unidos, depois
de quase três décadas em que praticamente nada foi feito, em conseqüência
do acidente no reator de Three Mile Island, mais conhecido por aqui pelas
iniciais TMI.
Houve mesmo quem apostasse que os Estados Unidos
nunca mais construiriam um reator nuclear, o que levaria ao abandono desta
forma de energia ao redor do ano de 2050. A equação era simples: as usinas
tinham sido autorizadas a funcionar por 40 anos, mas depois o governo
chegou à conclusão de que eram suficientemente seguras para terem tal
prazo estendido por mais 20.
Seriam pois 60 anos úteis para os 103
reatores nucleares nos Estados Unidos, que contribuem com cerca de 20% da
produção de eletricidade no país. Como as últimas usinas começaram a
operar nos anos 90, a década a iniciar-se em 2050 marcaria o fim da era
nuclear, caso novos reatores não fossem construídos.
É preciso
esclarecer que muito tempo decorre entre a autorização para a construção
de uma usina nuclear e seu efetivo funcionamento. 0 acidente com Three
Mile Island ocorreu em março de 1979, mas usinas que já tinham sido
autorizadas (a derradeira delas em 1978) continuaram a ser construídas e a
última a começar a operar foi a de Watts Bar, no estado de Tennessee, em
1996. Em teoria, poderá operar até 2056.
Aí começa o problema para
o governo americano. Se o país de fato não quiser desistir da energia
atômica, tem que começar agora o lento processo de estudos de viabilidade
econômica, técnica, de impacto no meio ambiente, de segurança, de obtenção
de autorização para construir, efetivamente construir e por fim obter a
autorização para funcionar.
Ao que tudo indica, a Constelation
Energy, de Baltimore, que já possui cinco reatores nucleares em
funcionamento, vai dar o primeiro passo para a retomada do processo. Seus
executivos acham que o momento é agora e já iniciaram até uma campanha
publicitária, lembrando que, apesar de tudo o que se diz sobre ela, a
energia nuclear não causou até hoje uma única morte no país. A opinião
pública reagiu com tranqüilidade.
Com o preço do petróleo e do gás
em elevação, com a crescente ameaça do aquecimento global como resultado
da queima de combustíveis fósseis, com a constatação de que a energia
derivada do sol e dos ventos não será suficiente para surprir as
necessidades, já há até dirigentes do Greenpeace mudando de lado e dizendo
que o diabo não é tão feio quanto o pintam.
Quem ainda tem medo da
velha ameaça?
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