Vale a pena ler de novo até porque inclui novos nomes.
 
Carlos Antônio.
 
Repassando com agradecimentos a Ana Maria.

    
 
----- Original Message -----
From: Namfiog
 
 

Seguem dois textos um do Mainardi e outro do Augusto Nunes, os dois se complementam

Diogo Mainardi

O mensalão das artes

 

"A Eletrobrás patrocinou o último espetáculo

teatral de José de Abreu. É um monólogo em

que ele interpreta José Dirceu, José Mentor e

Gilberto Gil. Uma gente da melhor qualidade. José

de Abreu ganhou 145 900 reais pelo espetáculo"

 

José de Abreu é ator. Apóia Lula. Os americanos decidiram boicotar Mel Gibson por seu anti-semitismo e Tom Cruise por sua cientologia. Podemos boicotar José de Abreu por seu lulismo. Ele é nosso Mel Gibson. É nosso Tom Cruise.

 

A Eletrobrás patrocinou o último espetáculo teatral de José de Abreu. É um monólogo em que ele interpreta José Dirceu, José Mentor e Gilberto Gil. Uma gente da melhor qualidade. Liguei para a assessoria de imprensa da Eletrobrás e perguntei quanto José de Abreu ganhou pelo espetáculo. Foram precisamente 145.900 reais. É muito? É pouco? Que sei lá eu? A rigor, qualquer investimento em teatro pode ser visto como um despropósito. O fato é que, contando com uma forcinha de José Sarney, José de Abreu ganhou o patrocínio da Eletrobrás. E apóia Lula. Em setembro, ele apresentará seu espetáculo no Amazonas. Amazonenses: boicotem-no.

 

Wagner Tiso também apóia Lula. Fui conferir sua agenda. Vi que ele rege a Orquestra da Petrobras, toca no Domingo na Funarte, coordena as Quintas no BNDES, viaja a Paris a convite do Ministério da Cultura, é mandado a Goiás pelo Ministério do Turismo, apresenta-se no Centro Cultural Banco do Brasil, e pede tutu da Lei Rouanet para gravar um CD comemorativo de sua carreira. Gosto de me intrometer na vida dos outros. Eu teria o maior interesse em saber quanto do faturamento de Wagner Tiso foi bancado pelo Estado nos últimos anos. E se o número aumentou ou diminuiu durante o mandato de Lula. Pensei em ligar para ele e perguntar-lhe diretamente, mas fiquei envergonhado. Wagner Tiso é amigo de um amigo. Já amolei tanta gente que só me restou amolar os amigos dos amigos. Acabei telefonando para a assessoria de imprensa da Petrobras, para tentar descobrir o valor de seu contrato com a Orquestra. Ninguém quis me informar. A Petrobras é o maior patrocinador cultural do Brasil. Em 2005, investiu 235 milhões de reais em patrocínios. É o mensalão das artes.

 

Cada um vota como bem entende. Eu só acho que, por pudor, os lulistas deveriam fazê-lo escondido, em vez de anunciá-lo publicamente, como aconteceu na casa de Gilberto Gil, na última segunda-feira. Listei algumas personalidades do meio artístico que declararam voto em Lula e que merecem ser boicotadas. Todas elas já receberam alguma ajuda do Estado. O efeito do boicote será nulo. Mas é sempre uma farra perturbar os lulistas. Caso alguém queira acrescentar um nome, mande-o para mim. Por enquanto, minha lista é a seguinte: Paulo Betti, Arlete Salles, Bete Mendes, Jorge Mautner, Alcione, Jards Macalé, Renata Sorrah, Zeca Pagodinho, Fernanda Abreu, Luiz Carlos Barreto, Augusto Boal, Rosemary, Jorge Furtado, Marcos Winter, DJ Marlboro, Ariano Suassuna, Shel, Cara Branca, Magrelo e Moringa. Peraí. Cancele a última parte. Estou confundindo tudo. É o problema de ler tantos jornais. Os quatro últimos apóiam o PT, mas não pertencem ao meio artístico. Pertencem ao PCC.

           

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A noite dos velhacos


Augusto Nunes


No Brasil, sabe-se há tempos, de onde menos se espera é que não vem nada mesmo. Neste começo de século, descobriu-se que, em temporadas eleitorais, o país se torna a cada semana mais cafajeste. A conjugação desses dois fenômenos rascunhou a comédia de maus costumes encenada neste agosto por figuras do, como direi?, mundo artístico.

O espetáculo foi apresentado na sala de visitas da residência carioca de Gilberto Gil, compositor, cantor, showman, pensador e, nos minutos que sobram, ministro da Cultura. Para que o elenco atacasse o enredo com segurança, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto resumiu o argumento para a platéia: "A política é um terreno pantanoso, a ética é de conveniência. Se o fim é nobre, os fins justificam os meios".

Animado com os sorrisos indulgentes, Barretão engatou uma quinta: "O que eu acho inaceitável é roubar. Mentir é do jogo político. Não é roubo". Muito simpático. Convidado de honra da noitada, o presidente-candidato Lula sentiu-se, desde logo, entre companheiros. Sentiu-se entre cúmplices ao ouvir a fala inicial do ator Paulo Betti: "Não vamos ser hipócritas: política se faz com mãos sujas".

(Convém reproduzir com precisão as bobagens que Betti diz. No esplêndido artigo Os bobos da Corte, a jornalista Dora Kramer, por exemplo, acrescentou um "só" às palavras de Betti, entre "política" e "se". Amuado, nosso galã de meia idade reivindicou a correção: a consoante e a vogal, alegou, conspiravam para alterar o sentido do que dissera. Pois releiam a frase. Com ou sem "só", é exemplarmente torpe).

A ousadia de Betti foi a senha para estréia do músico mineiro Wagner Tiso como coadjuvante em montagens teatrais obscenas. "Não estou preocupado com a ética do PT", solfejou o menos famoso de qualquer parceria. " Acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país".

Tradução da partitura: roubalheiras no Executivo, gatunagens no Congresso, a patifaria promovida a forma de arte política – nada disso agora tem relevância para o compositor que se esvaía em lágrimas com clubes de esquina e corações de estudantes.

Estabelecido o império da pouca-vergonha, o ator José de Abreu cuidou do epílogo: homenageou explicitamente os companheiros José Dirceu, José Mentor e José Genoino. Todos Josés – tanto o autor quanto os alvos da homenagem. É um quarteto e tanto.

O Dirceu foi acusado pelo procurador-geral da República de chefiar a "organização criminosa sofisticada" forjada no Planalto. O Mentor ampliou notavelmente o prontuário como relator da CPI do Banestado e comparsa de Marcos Valério. O Genoino, uma das estrelas do maior escândalo da história da República, evadiu-se da presidência do PT depois que o assessor do irmão foi capturado com dólares na cueca. Abreu, o quarto José, mereceria ser boicotado pelos critérios da decência se já não tivesse sido condenado à obscuridade por insuficiência de talento.

Como José de Abreu, também Paulo Betti e Wagner Tiso não sabem o que é sucesso desde os tempos em que o basquete brasileiro ganhava títulos internacionais. Sobrevivem com patrocínios extorquidos de empresas estatais e favores concedidos pelos governos. Nenhum deles é mais o garotão dos bons tempos. Na pátria da juventude a qualquer preço, é compreensível que estejam preocupados com o envelhecimento.

Homens assim envelhecem mal. Às vezes, nem envelhecem: sem escalas, passam de moços a velhacos.

 

 


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"Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o, para fazê-lo teu"
Goethe in Faustus, citado por Freud em Totem e Tabu

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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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