Site irá disponibilizar coleção completa do "Pasquim" 

Enquanto revistas antigas são geralmente malconservadas e pouco lidas 
nas bibliotecas e acervos, um jornalista/ historiador/webdesigner 
passa as noites em claro para disponibilizar online e gratuitamente 
edições de "O Cruzeiro", "Careta" e "O Malho" -- publicações que 
marcaram a história da imprensa no século 20.

Criador do site Memória Viva (www.memoriaviva.com.br) há oito anos, 
Sandro Fortunato prepara uma nova empreitada: um gigantesco banco de 
dados digital em que tudo o que já foi escrito, citado e desenhado 
no "Pasquim" poderá ser localizado por internautas.

Com a autorização de Ziraldo, Ivan Cosenza (filho de Henfil), Luiz 
Carlos Maciel e outros colaboradores do periódico carioca, aos pou-
cos Fortunato transforma em arquivo digital a coleção completa do
"Pasquim", semanário editado entre 1969 e 1991 e famoso pela contes-
tação à ditadura militar.

A coleção foi doada em maio deste ano pelo mineiro Rogério Gomes. Se 
Sandro mora em Brasília e a coleção estava em Juiz de Fora (MG), não 
teve problema: pegou um ônibus e em menos de 24 horas trouxe para seu 
apartamento em Brasília cerca de 300 quilos de jornal -- mais de mil 
exemplares.

"Cheguei à rodoviária com 16 sacos de lixo lotados. O motorista me 
disse: 'Olha, você precisa transformar isso tudo em quatro volumes. 
Dois deles você tem direito a levar, o menor eu vou te cobrar, e o 
quarto eu finjo que não vi'."

Depois da "travessia", a coleção começa a chegar à internet na semana 
que vem, no dia 4 de setembro, com os 50 primeiros números digitali-
zados.

Carioca de 34 anos, Fortunato já viveu no Rio, em Natal, em Brasília. 
Embora dedique a maior parte de seu tempo ao Memória Viva, trabalha 
num portal particular para tirar seu sustento. "O Memória Viva nunca 
teve patrocinador, não cobra por acessos", diz o jornalista, cuja 
coleção tem cerca de 9.000 jornais e revistas.

"O site surgiu da constatação de que a web brasileira, assim como o 
próprio país, não costuma preservar sua memória."

No início, a página reunia biografias de personalidades da história e 
da cultura do país.  O trabalho com a imprensa só começou em 2002.
"Quando precisei de fotos de Juscelino Kubitschek, tive a oportuni-
dade de ter em mãos 40 edições da revista "O Cruzeiro".  Em pouco 
tempo estaria no ar um setor voltado exclusivamente para a revista. 
Em 2005, o site foi vencedor do Prêmio Ibest de Arte e Cultura e 
hoje recebe cerca de 2.000 visitas diárias.


Direitos Autorais

Para disponibilizar "O Pasquim", Fortunato procurou os colaboradores 
e pediu a liberação do material; mas e quanto à revista "O Cruzeiro"?

"Até hoje existe briga na família do [Assis] Chateaubriand pela for-
tuna dos "Diários Associados", da qual "O Cruzeiro" fazia parte. Mas 
a coisa é ainda mais complicada: quando vou publicar uma matéria, o 
direito é de quem escreveu ou do jornal que publicou? Em relação às 
fotos, tem o direito do fotógrafo, do veículo e de quem aparece. Ou 
você faz como eu fiz  -- vai colocando no ar --  ou então não faz 
nunca."

Fortunato argumenta que seu trabalho é de interesse histórico e sem 
fins lucrativos. "Se alguém se achar ofendido ou pedir para não pu-
blicar algo, tiro do ar na hora", diz, fugindo da encrenca judicial 
-- nunca foi processado. "Em geral, acontece o contrário: muitos 
fotógrafos da época entraram no site e ficaram fascinados: "Puxa, 
obrigado, alguém prestou atenção e preservou no nosso trabalho"."


"Bibliotecas" similares

Se ainda são muito raras iniciativas como as do Memória Viva, pouco a 
pouco a internet começa a receber outros sites que ajudam a mapear 
história do Brasil por meio de sua imprensa e de suas publicações.

Um dos melhores exemplos é o site "Rio Através dos Jornais" 
(www2.uol.com.br/rionosjornais), que percorre eventos da história do 
Rio de Janeiro, entre 1888 e 1969, contados na íntegra, pela ótica de 
62 diferentes jornais da época.

Recentemente o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) 
colocou na rede a coleção de sua célebre revista "Novos Estudos", 
publicação que marcou a história intelectual do Brasil a partir de 
1981.

Assim, no site do centro (www.cebrap.org.br) é possível acessar ar-
tigos dos críticos Roberto Schwarz e Antonio Candido, do sociólogo 
Francisco de Oliveira e dos economistas Celso Furtado e Paul Singer, 
entre outros. A leitura da íntegra dos textos, porém, só é permitida 
aos assinantes, ao custo de R$ 45 anuais.

O Banco de Dados da Folha gerencia a página Almanaque 
(almanaque.folha.uol.com.br), em que é possível acessar textos 
históricos do jornal e galerias de fotos antigas, ordenadas por 
assunto.


[Folha de S.Paulo]
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u63838.shtml


















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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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