Faz bem ou faz mal?
(03/ 2006 - Revista Época)

Num dia gordura faz mal. No outro, não é tão ruim assim. Diz o bom senso 
que chocolate não é boa coisa. Aí vêm os jornais e dizem que ele faz bem 
ao coração. O ovo já foi considerado um dos maiores vilões das artérias. 
Até que os cientistas mudaram de idéia. Um ovo por dia não faz mal, pas-
saram a afirmar. Quem, durante décadas, reprimiu o prazer supremo de furar
a gema de um ovo frito sobre um punhado de arroz - como o escritor Luis 
Fernando Verissimo - não foi indenizado. Vinho, azeite, salmão e tomate 
são a panacéia do momento. Se fossem consumidos com a freqüência com que 
suas supostas propriedades aparecem na mídia (e se elas fossem verdadeiras),
ninguém mais morreria de câncer ou de doenças cardiovasculares. Ninguém 
mais envelheceria também. De onde surge tanta confusão?

Quanto mais a imprensa divulga notícias sobre dieta saudável, menos as
pessoas sabem o que pôr no prato. A desinformação brota justamente do
excesso de informações. Até os anos 80, a maioria das pessoas tirava suas
dúvidas sobre saúde apenas com o médico. De lá para cá, um volume enorme 
de notícias sobre o tema ganhou espaço em jornais, revistas, internet, TV. 
Nos Estados Unidos, o número de reportagens sobre ciência (leia-se saúde, 
na maioria dos casos) que ganharam a primeira página dos jornais cresceu 
de 1% para 3% entre 1977 e 2004. No mesmo período, os artigos sobre assun-
tos internacionais perderam terreno. Caíram de 27% para 14% do espaço total.

O levantamento é do Projeto para Excelência em Jornalismo, um grupo que
monitora a cobertura da mídia. Não há notícia de estudo semelhante no
Brasil. "Numa escala de 0 a 10, a cobertura de saúde no país merece nota 5",
diz Carlos Vogt, coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jorna-
lismo da Unicamp e presidente da Fapesp. "Muitas reportagens são compli-
cadas, afoitas e levianas", afirma. Na maior parte dos casos,  a abordagem 
é superficial e cheia de exageros. Noticia-se uma revolução atrás da outra.

A usina de bobagens prospera por várias razões. Os jornalistas têm pressa.
Os cientistas precisam aparecer. As empresas querem vender. O público busca
soluções rápidas. "Quem tenta emagrecer e não consegue fica obcecado por
resultados. Qualquer coisa aparentemente milagrosa que apareça na mídia
vende muito", diz o endocrinologista Walmir Coutinho, da Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Nos últimos cinco anos, o tema dieta foi capa de 16 edições das três maiores
revistas semanais brasileiras. Nesse período, a ciência não produziu
conhecimento que justificasse tamanho destaque nos meios de comunicação.
Como então eles arranjam tanto assunto? Em geral, as publicações atribuem
aos estudos uma importância maior que a que merecem no mundo acadêmico. É
assim que trabalhos irrelevantes do ponto de vista científico viram capa de
revista. E, é claro, elas vendem muito.

Esse conflito está na essência da complicada relação entre a ciência e 
o jornalismo. Partindo do pressuposto de que há profissionais éticos e
responsáveis dos dois lados, é importante lembrar que nem jornalistas nem
cientistas saem de casa todas as manhãs pensando na melhor forma de enganar
a população. Mas os bem-intencionados também erram.

Para os jornalistas, só é notícia aquilo que surpreende. Pesquisas que
confirmam o que o senso comum já aponta não rendem manchetes. No mundo
acadêmico, a lógica é outra. Os estudos médicos mais respeitados são
justamente aqueles que reúnem milhares de trabalhos já publicados sobre o
tema (conhecidos como metanálises) e procuram endossar ou refutar antigas
concepções.

Em um artigo científico, cada afirmação precisa estar embasada em estudos
anteriores. Uma palavra fora do lugar pode comprometer a credibilidade do
pesquisador. Os jornalistas, por sua vez, estão acostumados a fazer grandes
generalizações para tornar um assunto mais claro, mais atraente, mais
vendável. Até quem não entende de comunicação percebe que o tema dieta gera
enorme interesse. E, por isso, não é raro que o repórter de saúde receba do
editor a seguinte tarefa: "Precisamos de uma capa sobre dieta. Arranje
alguma novidade".


Novidades sempre há, até mesmo no terreno desgastado das dicas de
alimentação e das dietas milagrosas de emagrecimento. Em geral, porém, a
mídia costuma extrapolar as conclusões dos estudos científicos. O que era
válido apenas para determinada população - ou somente para camundongos -
vira verdade universal. Foi o que aconteceu recentemente com a desastrada
divulgação do mais longo estudo sobre consumo de gordura e risco de câncer 
e doenças cardiovasculares.

O estudo, financiado pelo governo americano, é o maior já realizado sobre o
assunto. Durante oito anos, foram acompanhadas 50 mil mulheres entre 50 e 79
anos. A divulgação dos resultados da pesquisa que custou US$ 415 milhões aos
cofres públicos deveria ser ótima oportunidade de educar a população. Em vez
disso, a imprensa do mundo todo martelou a idéia de que comer pouca gordura
não reduz o risco de câncer e doenças cardiovasculares.

Era o álibi que os gorduchos precisavam para abusar do torresminho, dos
salgadinhos de boteco, dos doces encharcados de creme de leite. Faltou
explicar que apenas uma pequena parte do grupo realmente conseguiu reduzir 
o consumo de gordura até chegar aos índices recomendados. Além disso, o
aumento do consumo de legumes e frutas não foi seguido pelas voluntárias
como deveria ter sido.

A análise cuidadosa do discurso torna possível perceber que o risco de
câncer de mama caiu 22% entre as mulheres que adotaram as maiores reduções
no consumo de gordura. A dieta com quase nenhuma gordura não reduziu o risco
de câncer colorretal. Mas produziu menos pólipos no intestino, lesões que
podem originar o câncer. Outra limitação do estudo foi o tempo de
acompanhamento: apenas oito anos.

Maus hábitos alimentares são uma das principais causas de doenças crônicas
como as cardiovasculares, o diabetes, a obesidade e o câncer, segundo a
Organização Mundial da Saúde. Mas essas mazelas levam décadas para aparecer.
O acompanhamento das pacientes continua e, provavelmente, os efeitos
benéficos da dieta equilibrada poderão aparecer nos próximos anos. E, mais
uma vez, as manchetes vão contrariar o que foi dito antes.

O exemplo clássico desse vaivém que desnorteia o leitor são as notícias
sobre a dieta de Atkins, que postula uma redução drástica no consumo de
carboidratos e libera o de gorduras e proteínas, como as do ovo. Atkins
soube promover sua dieta desequilibrada desde os anos 70 sem nunca destinar
parte dos lucros para financiar estudos clínicos sobre seus efeitos. É
verdade que a dieta faz emagrecer rapidamente. Mas quem se aventura nesse
plano recobra todos os quilos (e um pouco mais) alguns meses depois, segundo
a Abeso. Não é de hoje que os médicos alertam para o risco de doenças
cardiovasculares, distúrbios renais e o terrível efeito sanfona.

O presidente Lula foi vítima dele em 2003, quando adotou a dieta de Atkins.
Recentemente perdeu 12 quilos graças a uma versão mais leve dessa dieta, 
que permite carboidratos em pequenas quantidades.

Apesar disso, volta e meia ela renasce das cinzas com a ajuda da imprensa.
Em 2001, uma revista semanal publicou entrevista na qual Atkins dizia seguir
a própria dieta havia quase 40 anos. Afirmava que ela não só era eficiente
como havia livrado seus pacientes de remédios contra a hipertensão, o
diabetes ou a artrite. Pois Atkins sofreu morte súbita em 2003. Pesava 116
quilos. "A família tentou esconder o fato, mas a necropsia constatou que ele
tinha as coronárias entupidas. O excesso de proteína animal e gorduras da
dieta de Atkins provoca problemas cardiovasculares", afirma Mário Maranhão,
ex-presidente da Federação Mundial de Cardiologia.

A dieta de Atkins - cuja empresa entrou em concordata no ano passado - não
foi a única badalada pela mídia a tombar vítima da realidade. Em 1968, Linus
Pauling, duas vezes laureado com o Prêmio Nobel (Química e Paz), propôs as
bases da medicina ortomolecular. De lá para cá, a idéia de que doses eleva-
das de vitamina C evitam gripes, resfriados e até o câncer embalou inúmeras
manchetes. Linus Pauling morreu em 1994, aos 93 anos. O consumo diário de 
15 gramas de vitamina C não o livrou do câncer de próstata. Hoje, o máximo 
que se recomenda desse nutriente são 500 miligramas por dia, segundo Maranhão.


A grande dificuldade da pesquisa sobre alimentos é que ninguém come uma
coisa só. Por isso é tão difícil conferir os efeitos de determinado
nutriente. O tomate virou a aposta da moda. Um pigmento natural presente
nele, chamado licopeno, parece estar envolvido na prevenção do câncer de
próstata, segundo algumas pesquisas. Mas será que é o licopeno sozinho ou 
o licopeno com o tomate que tem esse efeito? E quanto de tomate seria
necessário ingerir para se proteger da doença? Ninguém sabe. As mesmas
dúvidas persistem em relação a outros itens badalados como salmão, vinho
tinto, chocolate.

"Muito do que é recomendado hoje provavelmente deixará de sê-lo daqui a 
10 ou 15 anos", diz José Augusto Taddei, nutrólogo do Departamento de 
Pediatria da Universidade Federal de São Paulo. No início dos anos 90, 
o consumo de azeite de oliva era contra-indicado. "Hoje, sabe-se que essa 
é uma das melhores gorduras que existem", afirma Taddei. Trata-se de um 
óleo rico em ácidos graxos monoinsaturados, aos quais se atribui algum 
papel na prevenção de problemas circulatórios. Na comunidade científica,
cada descoberta é agregada à informação já existente. É como se fosse um
edifício em que se agrega um tijolinho. Um único estudo - por maior que 
seja - é insuficiente para mudar as recomendações alimentares da população,
embora as manchetes façam crer o contrário.

Muitas vezes as mensagens parecem contraditórias, mas são fruto do avanço 
do conhecimento. A margarina, por exemplo, foi muito recomendada pelo go-
verno americano quando se acreditava que ela fosse mais saudável que a 
manteiga.  Com o tempo - e muitos estudos epidemiológicos -, os pesquisa-
dores descobriram que a gordura vegetal hidrogenada presente na margarina
é tão ruim para a saúde quanto a gordura animal. Durante o processo de 
fabricação, a gordura da margarina se transforma nas perigosas gorduras 
trans, um sebo que também entope as artérias. Hoje já existem no mercado 
várias marcas de margarina livres de gorduras trans.

As pesquisas sobre nutrição podem ser muito complicadas e exigir mudanças 
de rota que confundem a população. Muitas vezes, porém, a imprensa recomenda
mudanças de hábito por conta própria. Um dos episódios mais traumáticos foi
o do lançamento do remédio Xenical em 1998. O medicamento reduz a absorção
de gorduras em 30%, mas está longe de ser um passaporte para a farra
gastronômica. Ainda assim, a inovação farmacológica em um ramo com poucas
opções eficazes era uma grande notícia. Merecidamente, foi assunto em vários
meios de comunicação. Mas na maioria dos casos a abordagem foi desastrosa.
Uma revista estampou na capa um prato em forma de rosto. Ovo frito no lugar
dos olhos, coxinha no nariz, sorriso de lingüiça. O título: "Comer sem
engordar".

"Quase todos os profissionais que falaram à revista eram consultores do
laboratório, inclusive eu. Todos disseram que a publicação não poderia
passar a idéia de que quem toma Xenical pode mergulhar de cabeça na gordura.
Mas colocaram até outdoors dizendo que havia chegado a pílula para tomar
antes de ir à churrascaria", afirma Marcio Mancini, endocrinologista do
Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas, em São
Paulo.

Os jornalistas não são os únicos responsáveis pelo desserviço. Nas últimas
décadas, cientistas e médicos passaram a fazer parte da máquina da mídia.
Antigamente, os que divulgavam estudos ainda em andamento eram esculhambados
pelos colegas. Hoje, a pressão para que apareçam na imprensa é enorme.

Hospitais e universidades enviam aos jornalistas textos sobre avanços muitas
vezes preliminares. As instituições acreditam que, com a exposição na mídia,
vão ganhar apoio do público e verbas para pesquisa. Ao mesmo tempo, empresas
farmacêuticas e alimentícias contratam médicos como consultores e os indicam
aos jornalistas como fontes. "A mídia faz parte desse processo, como nós,
médicos, também. As empresas oferecem US$ 10 mil ao médico para que ele faça
um almoço de trabalho em um congresso. Ele dá uma aula toda dirigida ao
produto que a empresa quer vender", diz Taddei.

Nem sempre a imprensa se dá ao trabalho de verificar quem financiou a
pesquisa que vai virar manchete. Boa parte dos estudos é patrocinada por
empresas, o que pode comprometer a confiabilidade das pesquisas. A
nutricionista americana Marion Nestle, da Universidade de Nova York,
levantou casos chocantes. No livro Food Politics, ela conta como as
companhias fazem lobby para mover a política oficial a favor de seus
interesses, passando por cima da saúde pública. Absurdos coletados por
Marion nas revistas científicas: um estudo afirmava que cereais matinais
ricos em fibras podem reduzir o risco de câncer.  Foi feito por um
funcionário da Kellog's. Outro dizia que margarina era melhor que manteiga
para reduzir os níveis do colesterol ruim, o LDL.  Foi financiado pela
Associação Nacional dos Produtores de Margarina.

Um dos famosos estudos que associam a ingestão de duas a cinco taças de
vinho tinto por dia à redução da mortalidade foi patrocinado pelo Instituto
Técnico do Vinho Francês. Boa parte das pesquisas que sugerem que
substâncias encontradas no cacau (chamadas flavonóides) podem proteger o
coração foi bancada pela Mars, uma das maiores fabricantes de chocolate dos
Estados Unidos.

Isso não significa que todos os estudos patrocinados pela indústria sejam 
um embuste. Na maior parte dos países, o governo financia a ciência básica. 
Mas o conhecimento gerado nas universidades só se transforma em produtos 
se as empresas investirem milhões e milhões nas etapas seguintes do
desenvolvimento. Quando as relações dos cientistas com a empresa são
divulgadas com total transparência, não há por que duvidar dos resultados.
Muitas vezes, porém, resultados ruins para a empresa são mantidos em sigilo.

Mas, quando a conclusão dos estudos é positiva, as empresas produtoras de
alimentos e a indústria farmacêutica colocam uma esmagadora máquina de
divulgação para funcionar. "Há 15 dias, recebi 20 artigos publicados em 2005
e 2006 pela Nestlé. Todos eles favoráveis aos produtos da empresa", diz
Taddei. Nessa mesma onda, há empresas de refrigerante que encomendam
revisões científicas e afirmam que o produto não faz mal. Há também
fabricantes de cerveja que dizem que ela é um bom alimento, desde que
consumida sem exagero.

Quem não se lembra do pânico do aspartame? Muita gente baniu esse tipo de
adoçante do cardápio depois que os jornais publicaram estudos (realizados 
em camundongos) que o relacionavam com o surgimento de câncer.  A boataria
correu solta na internet. Mas nenhuma pesquisa de longo prazo comprovou que
ele seja maléfico.  "Esse caso demonstra a força do lobby da indústria.
Fabricantes de outros tipos de adoçante encomendaram essas pesquisas para
tentar provar que o aspartame é prejudicial", diz Anita Sachs, professora 
do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.

As pressões da indústria também se tornam visíveis durante a criação das
diretrizes nutricionais divulgadas pelos governos para toda a população. Nos
Estados Unidos, recomenda-se que os adultos consumam 1.000 miligramas de
cálcio por dia, o equivalente a quase 1 litro de leite. Estudos feitos na
Escandinávia revelam que 500 miligramas de cálcio são suficientes para
prevenir osteoporose.  "É muito provável que a indústria americana de
laticínios esteja forçando a recomendação de 1.000 miligramas de cálcio 
para aumentar o consumo de leite e derivados", diz Anita.

O poder de influência também é exercido por meio de anúncios agressivos na
TV. O alvo das propagandas quase sempre são as crianças. Uma pesquisa
realizada pela Unifesp em 2005 mostra que 10% do tempo de propaganda feita
na TV no horário da programação infantil é ocupado por anúncios de
alimentos. Foram avaliadas dez manhãs da programação do SBT e dez da Rede
Globo. Como é de esperar, ninguém anuncia leite, arroz, feijão, frutas ou
verduras. Só aparecem biscoitos, refrigerantes, guloseimas de todo tipo. 
"As pessoas comem cada vez pior no Brasil e são vitimadas pelos interesses
comerciais que o governo não consegue regular", diz Taddei.

É possível identificar interesses e distinguir a informação que realmente
importa na montanha de textos sobre saúde que lotam a caixa de mensagens dos
jornalistas todos os dias? A tarefa não é fácil. "Quase todos os estudos
terminam com mais perguntas que respostas e, infelizmente, os resultados são
interpretados pela maioria dos jornalistas como definitivos. Até hoje há
gente tomando suco de berinjela crua achando que corta o colesterol", diz
Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. "O
jornalista não precisa ser um cientista, mas precisa conhecer as nuances que
fazem toda a diferença", diz Alberto Dines, editor-responsável do
Observatório da Imprensa, entidade que avalia a qualidade da mídia
brasileira.

A melhoria da qualidade das informações sobre saúde não depende apenas do
empenho dos jornalistas. Os cientistas devem ser menos afoitos na divulgação
de seus trabalhos. As empresas necessitam repensar os padrãos éticos de
divulgação de seus produtos. O público precisa ser cada vez mais exigente
e crítico. Para não se privar até de uma simples omelete.

O avanço das pesquisas sobre alimentos produz informações contraditórias. 
As principais mudanças ao longo do tempo:

Chocolate
Sempre esteve na categoria das guloseimas nada saudáveis. Novas pesquisas
mostram que o chocolate amargo ajuda a reduzir o colesterol ruim. Chocolate
ao leite e chocolate branco são cheios de açúcar e gordura saturada, que
entopem as artérias

Salmão
Até os anos 80, era um produto caríssimo e pouco pesquisado. Não entrava nas
recomendações alimentares
Atualmente, sabe-se que ele (assim como o atum e a sardinha) é rico em ômega
3. O nutriente ajuda a melhorar a circulação sanguínea

Vinho tinto
No início dos anos 90, era considerado benéfico ao coração devido à
substância resveratrol. Em 1996, a Universidade Harvard concluiu que
qualquer bebida alcoólica (consumida com moderação) produzia o mesmo efeito
Estudos posteriores reafirmaram o papel protetor do vinho tinto ou do suco
de uva

Café
Até o fim dos anos 80, acreditava-se que pudesse causar hipertensão e doença
coronariana. Essa ligação foi refutada na década de 90 . A Universidade
Johns Hopkins revelou que os consumidores tinham pressão mais elevada, mas o
café não era o culpado

Cenoura
Rica em betacaroteno, é aliada contra os radicais livres que provocam
envelhecimento precoce. Hoje, sabe-se que o excesso de betacaroteno
(principalmente em cápsulas) pode provocar o surgimento de câncer de pulmão

Ovo
Acreditava-se que o colesterol da gema fosse prejudicial. Nos últimos anos,
descobriu-se que o aumento do colesterol no sangue depende de
características individuais. Entre as pessoas saudáveis, o consumo de um ovo
por dia não faz mal

Amêndoas
Eram vistas como item de consumo esporádico devido ao excesso de calorias
(100 gramas equivalem a um Big Mac)
Hoje, são consideradas benéficas. Contêm gordura insaturada, que protege o
coração. Recomenda-se o consumo de um punhado por dia

Alho
Desde a Grécia Antiga, era utilizado com fins medicinais, mas seus
componentes eram pouco estudados
Hoje, sabe-se que possui o nutriente alicina. Estudos sugerem que ele
estimula o sistema imune

Castanha-do-pará
O consumo não era recomendado devido ao alto valor calórico (semelhante ao
das amêndoas). Hoje, recomenda-se uma unidade por dia para suprir a
necessidade de selênio, que parece estimular o sistema imune

Azeite de oliva
Até os anos 80, era recomendado com moderação. Além de ser altamente
calórico, dizia-se que a fritura poderia causar câncer. Em 1999, um grande
estudo mostrou que o azeite ajuda a prevenir infarto. A versão extravirgem é
a mais saudável. Hoje, recomenda-se o uso de azeite como alternativa à
manteiga e à margarina

Tomate
Acreditava-se que pudesse aumentar o ácido úrico e prejudicar os rins.
Atualmente, os estudos demonstram que seu pigmento natural (licopeno) parece
estar envolvido na prevenção do câncer de próstata. O nutriente é mais bem
absorvido depois do cozimento

Leite
O consumo sempre foi estimulado pelos governos devido ao cálcio, que
fortalece os ossos e os dentes. Nos últimos anos, os especialistas passaram
a questionar a quantidade diária recomendada nos Estados Unidos (750 ml de
leite desnatado ou semi). Um estudo da Universidade Harvard demonstrou que
mulheres idosas que tomam mais leite não sofrem menos fraturas

Fontes: Ana Paula Lins, Anita Sachs (nutricionistas), Durval Ribas Filho,
presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Mário Maranhão,
ex-presidente da Federação Mundial de Cardiologia


[transcrito por Anselmo Silveira
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