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Segunda-feira, 04 de
setembro de 2006

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O PIB subiu no telhado
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| 04.09.2006 | Só quem acredita em
duendes e na conversa fiada dos governantes do turno ficou surpreso
com a perspectiva de que, em 2006, a economia, mais uma vez, exiba um
crescimento insatisfatório, depois da divulgação dos raquíticos números do
segundo trimestre do ano. O Brasil cresceu apenas 0,5% sobre o trimestre
anterior, ficando na rabeira do grupo de países que já anunciou seu
desempenho econômico no trimestre abril/junho. As projeções de um
crescimento de 3,5% neste ano já caíram em exercício findo. O PIB de 2006,
em resumo, subiu no telhado.
O que se vislumbra agora é um
resultado mais tímido. Bem mais tímido do que os 5% estimados pelo então
ministro Antonio Palocci, na virada do ano. E também dos 4% em que o
ministro Guido Mantega e o Banco Central ainda insistem em dizer que
acreditam. No momento, as bolas de cristal dos economistas apontam para
uma expansão no intervalo entre 2% e 3%, dependendo do grau de otimismo
(ou oposicionismo) do cartomante.
Desta vez, o doutor Meirelles, do
Banco Central, não apareceu para cantar de galo, como no primeiro
trimestre do ano, quando o crescimento, em relação aos últimos três meses
de 2005, ficou em 1,4%. Naquela vez, Meirelles teve a cara de pau de
anunciar um vigoroso crescimento de 5,7% em 2006, sacando do bolso do
colete a taxa anualizada, a partir do resultado trimestral. Coisa usual
nos Estados Unidos, mas exótica e tecnicamente inadequada entre nós. A
razão do silêncio é óbvia: se Meirelles fosse anualizar a taxa de 0,5% do
segundo trimestre, teria de anunciar um crescimento de pouquinho mais de
2%. Se isso parece pífio, pior é a realidade: no período de 12 meses
encerrado em junho, o PIB cresceu 1,7%.
Ficar atrás de outras
economias emergentes não é novidade para o Brasil. A trajetória da
economia brasileira consolidou, nos últimos doze anos, um padrão de baixo
crescimento, com o triste detalhe de que, na última metade desse
intervalo, isso ocorreu num período de pujança da economia mundial. São
ciclos curtos, de quatro anos, com pequenos picos de no máximo 5% num dado
ano, e pequenos vales, entre retrocessos de 0,5% e avanços de até 3%, nos
demais. Não é coincidência que esse padrão tenha se consolidado no governo
FHC e se reproduza no governo Lula. A explicação é simples: no essencial
da política macroeconômica, os dois governos são iguais e conservadores,
como notou o experiente Olavo Setúbal, patriarca do Banco Itaú.
O
que mais preocupou nos números do segundo trimestre foi a taxa de
investimento. A soma dos recursos aplicados em novas construções, máquinas
e equipamentos recuou 2,2% sobre o volume aplicado no trimestre anterior.
Tudo a ver com taxas reais de juros tão altas quanto as definidas pelo
Banco Central. Quando o dinheiro, que financia os investimentos, custa
caro, e, além disso, a economia, na tendência, cresce pouco, pouquíssimos
negócios valem a pena. Nessas condições, em anos eleitorais, o
investimento simplesmente trava.
É intuitivo o significado de uma
taxa de investimento que não decola: a produção não tem por onde se
expandir e o que resta é esticar a corda da capacidade já instalada,
dobrar turnos de produção e coisas do gênero, até bater no teto. As
indicações são de que o teto atual é de uma expansão geral não superior a
3% no ano. É o que parece que se repetirá, mais uma vez, agora em 2006. E
provavelmente em 2007, se as amarras macroeconômicas que mantêm os juros
reais acima de 10% não começarem a ser desfeitas.
Apesar da
desaceleração no segundo trimestre e dos sinais de que o ritmo não
melhorou muito em julho e agosto, para crescer 3% em 2006, ou mesmo um
pouco menos, a economia terá de melhorar até o fim do ano. Afinal, nos
dois primeiros trimestres, o PIB avançou 2,2%. Por definição, dados
trimestrais são mais voláteis e basta olhar as curvas históricas do PIB
trimestral para entender que elas normalmente sugerem mais gangorras do
que ladeiras (para cima ou para baixo). Em resumo, com base nos números do
segundo trimestre, não é recomendável apostar numa catástrofe daqui até o
fim do ano. Será apenas a mesma mediocridade já
conhecida.
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retirado de
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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