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Com o título "Uma ativista política
desestabiliza a corrida presidencial brasileira", uma reportagem da
edição do International Herald Tribune desta terça-feira fala
sobre a terceira colocada nas pesquisas, a candidata Heloísa
Helena.
"Com cerca de 10% do eleitorado a apoiando, Heloísa
Helena parece não ter chances de ganhar. Mas estrategistas no Partido
dos Trabalhadores estão preocupados com a possibilidade de que ela
consiga um número suficiente de votos das pessoas insatisfeitas com a
corrupção exibida durante sua administração para provocar um desfecho
indesejável e imprevisto em outubro", afirma a reportagem.
Ao descrever a candidata do PSOL, o
International Herald Tribune destaca que Heloísa Helena
"prefere voar em aviões comerciais em vez de particulares, dorme em
casas de partidários em vez de hotéis (
) e se recusa a aceitar
contribuições de corporações".
"O que sua campanha não tem em
financiamento ou organização, ela compensa com calor humano", diz a
reportagem. Heloísa Helena "é extremamente tátil, distribuindo abraços
e beijos a eleitores e chamando repórteres de 'meu amor' e 'minha
flor'".
O jornal encerra a reportagem com uma frase do
padre católico e amigo de Heloísa Helena: "Lula pode estar se vendendo
como 'pai dos pobres', mas talvez o que as pessoas queiram é uma
mãe."
Economia brasileira
O diário britânico Financial Times afirma
que a reforma econômica brasileira, que "tem atraído fortes críticas
ao PT por sua timidez", voltou a ser assunto na campanha
presidencial.
Na reportagem entitulada Economia fica no banco
de trás na campanha de Lula, o FT cita uma conferência realizada
na semana passada com a presença de quatro ex-ministros da Fazenda
brasileiros, que discutiu o programa econômico de Luiz Inácio Lula da
Silva.
"Todos concordaram que o crescimento brasileiro
está muito lento. Houve unanimidade, também, sobre o que é necessário
para acelerá-lo: redução de gastos públicos - principalmente na
Previdência - reforma tarifária, independência do banco central".
Porém, o jornal ressalta que os responsáveis pelo
programa de governo para um segundo mandato de Lula dizem que "não há
necessidade de mais reforma na Previdência de pensões e que os gastos
públicos estavam de acordo com as exigências".
Fachada
Um artigo publicado no britânico Guardian
fala sobre as reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI),
discutidas em Washington, que, segundo o texto, "parecem planejadas
não para catalisar mudanças, mas para evitá-las",
"Ao aumentar levemente a participação da China,
Coréia do Sul, México e Turquia, o regime espera comprar os
comandantes militares mais poderosos, enquanto mantém a multidão em
xeque."
Quanto maior a participação financeira de um país,
mais poder de decisão ele tem sobre a administração do FMI. "Isto
significa que ele é dirigido pelos países que são menos afetados por
suas políticas", ressalta o artigo do Guardian.
Uma grande decisão precisa de 85% dos votos. Só os
Estados Unidos têm 17%. O Reino Unido, a Alemanha, a França e o Japão
têm, juntos, 22%, e países como a Bélgica, por exemplo, têm 2,1% -
"duas vezes mais do que a Índia e o Brasil", diz o texto. |