Oi

"No período de 1996 a 2005"

FHC + Lulla...

-- 
Beijins
Fa
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"Lembre-se: você é único, como todo mundo."
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Folha de São Paulo - Opinião
São Paulo, domingo, 04 de junho de 2006
        

Antônio Ermírio de Moraes - Pense e vote


NESTES TEMPOS de eleições, o Brasil é pintado de rosa pela situação e de
preto pela oposição. Isso é próprio de qualquer campanha eleitoral.

No meio do tiroteio, o povo fica perdido, recebendo informações
manipuladas, todas aparentando verdades. Nesse ambiente, há pouco espaço
para análises objetivas.

Por isso, antes que comece o massacre das mensagens no rádio e na
televisão, alinho alguns dados objetivos que, no meu entender, registram
os principais problemas do Brasil de hoje.

1 - No período de 1996 a 2005, a economia mundial cresceu 3,8% ao ano; o
Brasil cresceu 2,2%.

2 - Nesse ritmo, o mundo dobrará a renda per capita em 30 anos; o Brasil
levará cem anos.

3 - Entre 1995 e 2004, os países emergentes investiram cerca de 30% do
PIB em atividades produtivas; o Brasil investiu 19%.

4 - O investimento público, que estava em 4% do PIB em 1970, já
irrisório!, caiu para 0,5% em 2005.

5 - Nesse período, a carga tributária quase dobrou, chegando perto de
40% do PIB.

6 - Para crescer 3,5% ao ano, os investimentos em energia elétrica,
petróleo, gás, telecomunicações e transporte teriam de ser de, no
mínimo, US$ 27 bilhões por ano, enquanto, na realidade, não passam de
US$ 14 bilhões.

7 - Dentre os 127 países estudados pelo "Program for International
Student Assessement" (Pisa), o desempenho dos alunos brasileiros está em
último lugar em matemática e penúltimo em ciências.

8 - Em pleno século 21, temos 16 milhões de analfabetos e, entre os que
sabem ler, mais de 50% não entendem o que lêem.

Vários desses dados fazem parte de um artigo publicado na "Revista
Indústria Brasileira" em abril de 2006, cujo título já diz tudo: "Sem
crescer, não há saída".

O mínimo que se espera é que os candidatos ataquem essas questões de
frente, dizendo claramente o que farão para inverter o quadro atual.
Isso faz parte da educação dos cidadãos e da construção da democracia.
Há tempos, Roger Douglas, ex-ministro da Fazenda da Nova Zelândia,
contou-me que, no seu país, toda vez que um candidato diz na televisão o
que vai fazer sem dizer o "como", o seu adversário, no dia seguinte,
ocupa o seu espaço na mesma televisão, para desmascarar as promessas vazias.

Desde que esse sistema foi implantado, narrou Douglas, a demagogia
diminuiu bastante e o povo votou mais consciente. Os problemas estão aí.
Cabe aos candidatos dizer "como" resolvê-los. Não seria uma boa idéia
para praticar no Brasil?

[EMAIL PROTECTED]



Retirado de
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0406200606.htm

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