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Eu sou zelite
Por Neil Ferreira, publicitário
Resumo: O presidente Lulla e sua gang afirmam que a zelite não quer que
ele seja reeleito porque governa para os pobres. Só se for para os pobres
banqueiros, que em menas de quatro anos de Lulla tiveram o dobro do lucro
que tiveram em oito anos de FHC. O presidente Lulla e sua gang afirmam que
a zelite não quer que ele seja reeleito porque é ex-nordestino,
ex-migrante, ex-metalúrgico, ex-homem do povo, ex-pobre e que governa para
os pobres.(Para os pobres banqueiros, digo eu, que em menas de quatro anos
de Lulla tiveram o dobro do lucro que tiveram em oito anos de
FHC).
Sem nenhum pudor de classe e como elemento confesso da zelite, eu não
quero que ele seja reeleito. Não pelos motivos que elle e seus asseclas
ficam falando, mas apenas porque chefia o governo mais corrupto da
história recente "desse país".
Não estou aqui falando em nome da zelite. Ninguém me autorizou a isso.
Falo em meu nome pessoal. Mas quem me indigitou integrante da zelite? Foi
elle mesmo, foi o Lulla.
Eu não sou sindicalista, o que nesse "governo" já me coloca como
suspeitíssimo de ser inimigo do povo. Eu sei ler, não sou analfabeto e
entendo o que leio, não sou analfabeto funcional, o que nesse "governo" me
coloca como inimigo do Estado. Eu trabalho, pago uma fortuna de impostos,
dou empregos formais com carteira assinada e direitos da CLT, o que nesse
"governo" me coloca como parte da minoria a ser extinta.
Diferente da maioria do povo brasileiro, tenho memória, lembro-me de
tudo.
Não esqueci os escândalos dos Correios, nem do Roberto Jefferson,
Marcos Valério, José Capitão do Time Dirceu, Nosso Delúbio, Silvinho Land
Rover, Marcelo Sereno, Genoino, João Paulo Cunha, a dançarina da pizza, a
quadrilha dos 40 acusados pelo Procurador-Geral da República, o irmão do
Genoino e seu assessor com a cueca cheia de dólares, os milhões dos fundos
de pensões, Gushiken, Okamotto Trem Pagador , os mensaleiros, o esquecido
caseiro Nildo, Meu Irmão Palocci com oito indiciamentos na Polícia
Federal, quatro por corrupção, e candidatura a deputado federal, PT/SP,
registrada com dois CPFs diferentes, fotografados pela imprensa, o
Lullinha e seus milhões da Telemar, pode escrever aí uma lista telefônica
de cumpanhêros que as lembranças não se esgotam.
Mais grave, sei ler nas entrelinhas dos noticiários. Três vezes o
Geraldo subiu nas pesquisas, três vezes, por coincidência, o PCC atacou.
Três vezes depois dos ataques, por outra coincidência, o Geraldo caiu nas
pesquisas. Ter memória e saber somar dois mais dois, PT mais PCC noves
fora PTCC, coloca você na zelite, candidatíssimo ao paredón.
Mas a condenação final, fatal, irrecorrível, é exarada quando o
zelitista toma consciência de que os impostos escorchantes servem para o
bolsa-esmola, que está comprando 25 milhões de votos para a reeleição du
ômi. Isto é, a zelite é forçada a pagar a compra dos votos para a
reeleição de um cara cujo maior serviço que poderia prestar a "esse país"
seria voltar voando para casa dele no ABC — no AeroLulla, que nos custou
quase 180 milhões de reais. É aí que o zelitista é chamado de golpista.
Nunca "nesse país" foi tão perigoso pensar, ler, entender e lembrar. No
tempo dos milicos por esse mesmo motivo você era chamado de subversivo.
Agora, é zelite.
Quem nos chama de zelite são os cumpanhêros no pudê, os "trabalhadores"
no pudê. O cumpanhêro Lulla, a bordo do luxo do AeroLulla, cortando "esse
país" do
nordeste ao norte e do norte ao nordeste. O "Capitão
do Time" viajando em jatinho particular fretado ninguém sabe por quem,
bebendo Romanée Conti e fumando charuto cubano. Nosso Delúbio prevendo que
"tudo isso vai virar piada" e virou mesmo. E os incontáveis mensaleiros e
sanguessugas com eleição
garantida. |