GNG.
 
Mesmo considerando que impedir a posse ou depor o Lula não seja um golpe mas um ato de justiça, vou abrandar a opinião. Ele começará o governo (se reeleito), já sofrendo um processo legal de impeachment.
E se ainda houver um resquício de honradez no congresso, será defenestrado.
 
Carlos Antônio.
 
----- Original Message -----
Sent: Sunday, October 01, 2006 8:50 AM
Subject: [gl-L] ENC: [Acrópolis] Véspera

Assunto: [Acrópolis] Véspera

Por Reinaldo Azevedo | email | 16:24 | 38 comments

No dia 18 de setembro, estive na Casa Mário Quintana,
em Porto Alegre, para
participar de um bate-papo com o cientista político
Francisco Weffort e com
o escritor Moacyr Scliar. A propósito: já havia um
certo quê pró-Yeda
Crusius no ar. Estávamos ali para falar sobre a
política e o Brasil
contemporâneo, uma das atividades do Projeto Brasil
Copesul Cultural,
organizado pelo professor Fernando Schüler. Faziam
parte do conjunto de
eventos, além de dois debates, uma exposição, mostra
de cinema e show.
Impressionante o grau de mobilização dos
porto-alegrenses. Há ainda um livro
de ensaios, chamado Brasil Contemporâneo - Crônicas de
Um País Incógnito
(editora Artes e Ofícios), que integra o projeto.
Assino um dos textos.
Lembrei-me disso porque Scliar, numa palestra doce e
douta, falou que a
perplexidade era a marca do nosso tempo.

Concordei com ele, mas observei - e é o gancho deste
texto - que, não
sabendo jamais ser neutro, repudiando sempre a torre
de marfim dos isentos,
até a minha perplexidade tem lado. Penso nisso ao
constatar que estamos na
véspera da eleição presidencial, e só cabe uma postura
aos democratas e aos
que defendem o Estado de Direito: o voto contra Lula.
E isso é ter lado.
Mesmo que o voto contra Lula não seja um voto a favor
de Alckmin, Heloísa
Helena ou Cristovam. E aí está a perplexidade. É um
tanto assustador nos
darmos conta de que, no prazo de 15 meses, dois
grandes escândalos puseram a
nu o governo, revelaram a sua essência autoritária,
expuseram a carranca de
um projeto de poder que é a negação da democracia
representativa, da
tolerância, da alternância de poder, da convivência
com o outro.

O cinismo, a desfaçatez, a trapaça política assumem
dimensões inéditas. O
Brasil já teve o "rouba, mas faz" - mas ainda não
havia conjugado esses dois
verbos na primeira pessoa: "Roubo, mas faço". O Brasil
já teve gente sem
nenhuma vergonha no poder. Os sem-vergonhas, no
entanto, tinham vergonha de
não ter vergonha. Hoje, a sem-vergonhice se jacta de
sua esperteza, é vista
como ato de resistência. Antes, acuados por denúncias,
muitos inocentes,
talvez por isso mesmo, se deixavam intimidar. Hoje, os
culpados, flagrados,
saem acusando, com o dedo em riste. Olhem o caso da
divulgação das fotos da
dinheirama. Submetida a investigação ao descarado e
confesso interesse
eleitoral, o ministro Tarso Genro não se vexa de vir a
público para
denunciar uma conspiração dos adversários.

Sim, estamos todos perplexos. Uma perplexidade que já
é longa. Que já voltou
a sua face indignada contra a própria oposição para
indagar: "A aí? Por que
vocês são tão lentos? Por que não se mexem? Por que
não fazem política com
mais clareza, unidade, determinação? Por que
permitiram que chegássemos aqui
e não denunciaram antes que o rei estava nu?" Sim,
todas essas são perguntas
pertinentes, são indignações justas. Mas nada supera o
fato de sabermos que
as instituições estão se vergando sob o peso da baixa
esperteza, da
malandragem, do sofisma, do mau-caratismo. Nada supera
o asco de sabermos
que a miséria, mantida cativa do assistencialismo e do
eleitoralismo, é o
combustível da máquina que tentou e tenta assaltar o
Estado de Direito.

Os golpistas denunciam o golpe.
Os conspiradores denunciam a conspiração.
Os ladrões das esperanças alheias (também delas)
denunciam o roubo da
esperança.
Os trapaceiros denunciam a trapaça.
Os imorais denunciam a imoralidade.
Os vigaristas denunciam a vigarice.

Estamos perplexos, todos nós. Mas, nessa disputa, é
preciso ter
lado.Tentaram governar sem oposição. Tentaram fraudar
a vontade das urnas.
Tentaram transformar inocentes em culpados. Tentam
agora transformar os
culpados em vítimas de injustiças que seriam
históricas, só reparadas com a
intervenção de um demiurgo, no comando de um partido
redentor. Digam a si
mesmos e a todo mundo: quem deu anuência à operação do
dossiê fajuto é capaz
de qualquer coisa. As instituições são hoje reféns do
autoritarismo, da
irresponsabilidade, da vilania. Por perplexos que
somos, certamente pensamos
coisas distintas. E nem sempre são minudências,
detalhes desprezíveis. Mas
isso fica, com efeito, para depois.
Agora, interessa constatar: a sr. Luiz Inácio não
deveria ter sido
candidato. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, que
tome posse se a lei
permitir. Empossado, devemos recorrer às instâncias
legais para impedi-lo de
governar. Não, a gente não é Carlos Lacerda. Nem Lula
é Getúlio Vargas. Essa
farsa histórica também não vai vingar.

__._,_.___

---

Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages

Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages




Your email settings: Individual Email|Traditional
Change settings via the Web (Yahoo! ID required)
Change settings via email: Switch delivery to Daily Digest | Switch to Fully Featured
Visit Your Group | Yahoo! Groups Terms of Use | Unsubscribe

__,_._,___

Responder a