Acho que isto foi mesmo um tiro no saco. A não ser que o Lula fala uma lambança maior, coisa que não é difícil.
 
Carlos Antônio.
 
 

no mínimo volta à primeira página Ponte aérea/RJ
Xico Vargas
Olho vivo

Agora que amaina a turbulência gerada pelo abraço entre Alckmin e o casal Garotinho vamos tentar não esquecer do seguinte:

- Faltam três meses para os Garotinho entregarem o governo e existe um buraco impossível de cobrir (pelos caminhos normais) nas contas do estado. Resulta de repetidos e insistentes desvios de recursos, alguns dos quais atingiram em cheio a assistência de saúde e o Fundo Estadual de Pobreza.

- A bancada do PSDB na Assembléia foi das mais combativas na denúncia desses escândalos, que atingiram o casal de governadores e, na continuação, a Fesp, os hospitais da rede estadual e, em outra (e mais nebulosa) ponta, a Cedae.

- Em respeito à saúde mental do contribuinte é justo que se dedique atenção ao comportamento dos tucanos fluminenses em relação ao casal de governadores. Com a última acomodação de terreno (e complacência moral que vivemos) não seria estranho se o casal ganhasse indulgência plena.

A lambança mudou de lado

O ritual fúnebre que a presença do casal Garotinho representa na campanha de Geraldo Alckmin não foi o principal assunto na reunião da cúpula tucana ontem à tarde. Discutiu-se muito a perda do discurso inflamado contra a corrupção, a roubalheira e o desmanche das instituições, que estava sendo preparado para os dias que levam ao segundo turno. Agora, a lambança trocou de lado, concluíram os tucanos.

Candidaturas, muitas vezes, só ficam de pé depois de muito sangue e suor. Alckmin só se aprumou, para valer, com os votos que o PT tirou de Lula depois da crise do dossiê. Para jogar tudo por terra, no entanto, basta uma frase tão idiota quanto mal alinhavada, como “apoio se recebe e se agradece”. Isso, diz um tucano de alta plumagem, “ficaria bem na boca do Lula, quando sobe em palanque com gente que não dá nem para pronunciar o nome”.

Embora o prejuízo seja grande, a esta altura as principais cabeças do partido e nomes de peso no PFL e no PPS já começaram a correr para abafar as chamas. A conta do PSDB avalia os riscos de um recuo brusco, que poderá levar o candidato a perder o que tinha e não conquistar o que lhe foi oferecido. O dano provocado pela trapalhada já houve.

Eduardo Paes, secretário-geral do partido e ácido crítico dos Garotinho assumiu a defesa da aliança “no interesse do Brasil” e com os olhos, claro, nos 15 milhões de votos que o marido da governadora teve quando disputou a presidência da República. José Jorge, o vice da chapa, convenceu Cesar Maia a só torcer o nariz e Roberto Freire dirá à Denise Frossard que a vida é assim mesmo, mas os compromissos com os tucanos devem ser mantidos.

Como se pode perceber, tratam os cavalheiros de seus problemas pessoais, disputas de espaço. O que dizer ao eleitor para justificar desvio tão grotesco de rota resolve-se nos próximos dias. Esperto, nesse caso, é Cesar Maia que já botou na rua um discurso de separação de corpos. Continuarão juntos, mas em quartos separados.

Pode ser que, aos esbarrões, Geraldo Alkmin consiga levar esse jogo meio desarmado até o final. Ontem queixou-se: à exceção de Aécio Neves, o tucanato mais emplumado só chegou perto de sua campanha nos últimos dias. Por isso, não teria autoridade para criticar-lhe as alianças. Deve estar mesmo magoado com sua turma, mas certamente não fez a conta do que perderá por ter ao lado casal de tão nebulosa folha corrida.

Contas, na verdade, parecem não ser o forte do tucano. Os votos que Garotinho teve há quatro anos já não o acompanham. Tantas fez que ficaram pelo caminho. Nesta eleição, carregou o afilhado Geraldo Pudim no colo a campanha inteira e as urnas não corresponderam ao esforço. Pudim teve excelente votação, mas ficou longe de ser o mais votado, como queria o padrinho.

Nesse quadro, Geraldo Alckmin pode ter-se oferecido de fato ao “beijo da morte”, como condena Cesar Maia. Ganharia mais se tivesse corrido atrás dos eleitores de Heloísa Helena, que botou na bolsa quase dois milhões de votos no estado. Perto disso isso poderia ter pedido ao eleitor de Cristovam Buarque, de quem já estava próximo.

Além de ter jogado pela janela o discurso da honestidade que usaria para açoitar Lula, como explicar - até para seu eleitor – ter-se unido ao casal que seu partido, durante oito anos, considerou criminoso? Só se for pela teoria Paulo Betti, segundo a qual “não dá para fazer política sem enfiar a mão na merda.” No caso as pernas, até os joelhos.

P.S.: Agora há pouco, por volta de onze da noite, um líder do tucanato fluminense informou o seguinte: palanque para o casal Garotinho não tem. A crítica e o combate ao governo de ambos é questão fechada no partido. Não há promessas do candidato a qualquer dos dois. Não se pode proibir o voto de ninguém em quem quer que seja.

Tudo bem,leitor, mas você e eu sabemos que alguns eleitores são mais iguais que os outros. Não na urna, mas nos governos. Principalmente quando carregam votos alheios no embornal.

No Rio, Chuchu preferiu um prontuário

Só entre nós, leitor (a), essa história do Chuchu de que “apoio a gente aceita e agradece”, ao receber e agradecer o abraço de afogado do casal Garotinho, não tem pinta de “piada de salão”, como diria o nosso Delúbio? Logo da mais baixa extração que a política fluminense produziu?

Por que, então, o arrepio do tucanato nos jornais, quando Lula beijou a mão de Jader Barbalho? Por que o assombro com a presença de sanguessugas e mensaleiros no palanque do presidente? Por que o espanto quando, no discurso do presidente, os bandidos do PT tornam-se apenas uns meninos aloprados ou o chefe da quadrilha ainda não teve culpa comprovada?

Em lugar de biografias para suas alianças Alckmin atrelou-se a um prontuário e ofereceu aval a um rombo de mais de dois bilhões de reais nas contas de um governo que vazou dinheiro público por todos os ralos. E o sacrificado eleitor deste lado da Ponte ainda fica obrigado a dar razão a Cesar Maia, que se elegeu prefeito, mas gostaria mesmo de ser marqueteiro político.

P.S.: A propósito, Maia acha que Chuchu recebeu do casal o “beijo da morte”. Bem feito.

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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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