Terça-feira, Outubro 10, 2006
Orelhão perto de casa de
câmbio em Florianópolis pode indicar se dólares para dossiê vieram da
filha de Lula
Por Jorge Serrão
Exclusivo - Fonte de irritação do presidente Lula
da Silva no debate de domingo na Band - levando-o a comparar seu
adversário Geraldo Alckmin com “um delegado de porta de cadeia” -, a
origem do "dinheiro sujo", apreendido com petistas para comprar o
dossiê fajuto contra o PSDB, se aproxima cada vez mais da família do
presidente que alega nunca saber de nada que atinge a ele e seu
governo.
Novo rastreamento feito pelo Serviço Secreto
norte-americano revela que US$ 197 mil dólares foram sacados, no dia 12
de setembro, da conta bancária de Lurian da Silva, em Miami, nos
Estados Unidos. Investigações dos EUA indicam que parte dos dólares foi
usada na “operação tabajara” promovida pelos “aloprados” do dossiêgate.
Seguindo as pistas de tal informação, a Polícia Federal pediu ontem à
Justiça Federal a quebra do sigilo telefônico de 650 linhas. Entre elas
a de um orelhão perto de uma casa de câmbio, no aeroporto de
Florianópolis, cidade em que mora a filha de Lula.
O Alerta Total recebeu no sábado, dia 30 de
setembro, véspera da eleição, a informação sobre o saque na conta da
filha de Lula. A notícia já circulava nos bastidores do poder em
Brasília e, como de costume, foi a mais abafada dos últimos tempos. Os
EUA informaram tal fato à Polícia Federal e ao Ministério da Justiça do
Brasil. Nos bastidores, em nervosas conversas telefônicas, Márcio
Thomaz Bastos negou, categoricamente, a veracidade de tal fato – que
realmente não será fácil de ser comprovado, pois atingiria,
diretamente, o presidente Lula.
Sobre a origem da grana, que até o presidente
Lula afirma ter o desejo de saber, a Polícia Federal acredita que parte
dos R$ 1 milhão e 700 mil seja oriunda do jogo do bicho. A Polícia
Federal e os deputados da CPI dos Sanguessugas lançaram essa linha de
investigação diante da grande quantidade de cédulas gastas e de pequeno
valor encontradas com os presos. Também foram achadas nos maços de
dinheiro fitas com inscrições que remetem a bancas de jogo do bicho,
como "Caxias 118" e "Campo Grande 119".
Inicialmente, os investigadores chegaram a pensar
que as inscrições eram referências a agências bancárias no Rio de
Janeiro, na cidade de Duque de Caxias e no bairro de Campo Grande (na
Zona Oeste carioca). Mas os investigadores mudaram de idéia. A PF
espera que a Justiça Federal autorize a quebra do sigilo telefônico de
650 linhas, entre elas a de um orelhão perto de uma casa de câmbio no
aeroporto de Florianópolis. A polícia também trabalha com a hipótese de
que os bingos do eixo Rio-SP sejam outra fonte.
Essa última hipótese pode terminar como a
“vencedora” – mesmo não sendo verdadeira. A intenção da operação abafa,
agora, é tirar a família do presidente Lula da reta das suspeitas.