Presidencial
Quarta, 11 de outubro
de 2006, 21h21 Atualizada às 21h31
Irmão de Lula declara voto em Alckmin
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Fernando Prandi
Direto de Santos
O irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição
pelo PT, declarou que vai votar no seu adversário, o tucano Geraldo
Alckmin, no dia 29 de outubro. O primeiro motivo alegado pelo pedreiro
Jachson Ignácio da Silva, que se diz atuante no PT há 20 anos e mora em
Mongaguá, litoral Sul de São Paulo, é que é "contra a reeleição".
Jachson diz que Lula também sempre
foi contra um governante ficar por dois mandatos seguidos no cargo, e
que agora não é justo querer utilizar a atual legislação para continuar
no poder. "Ele tinha que voltar depois de quatro anos, aí sim o povo
iria ver se ele foi um bom presidente", declarou.
Os escândalos de corrupção que
ocorreram no governo do PT também foram fundamentais para a sua mudança
partidária. "É uma falcatrua atrás da outra. O PT me deixou
envergonhado. Era a minha esperança, não tinha o direito de errar, como
fizeram Delúbio, Zé Dirceu, Palocci. Quando esfria uma, aparece outra".
A críticas de um dos 15 irmãos vivos
do presidente não param por aí. Para ele, algumas das principais
bandeiras do governo Lula, como o Bolsa-Família e o índice de
diminuição da pobreza no Nordeste, não são fundamentais para o povo
brasileiro. "O Brasil não é só Nordeste. Além disso, o Bolsa-Família é
uma vergonha para qualquer governo. O povo não quer esmola, quer
trabalho, casa para morar, escovar os dentes, e tudo isso. Não apenas
arroz e feijão", disse o irmão de Lula.
Questionado se um pouco da sua mágoa
com o parente é pelo fato de ser de uma origem humilde e não ter
qualquer tipo de ajuda direta de Lula, Jachson declara com firmeza:
"não é esse o problema. Ele tem que cuidar do Brasil. Aqui somos cada
um por si. Todos somos trabalhadores", ressaltou Jachson, que sempre
votou em Lula.
Para finalizar, o pedreiro contou
como é a sua relação com presidente. "A família fica sem se ver a vida
inteira. Somos 15 irmão vivos. A última vez que falei com o Lula foi na
posse (em 2002), quando fomos até lá. Tenho outros irmãos aqui na
Baixada Santista que converso mais. Mas não sei em quem eles vão
votar", concluiu.
Redação Terra