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As grandes descobertas se dão ao acaso.
Geralmente, são erros de metodologia numa pesquisa ou atividade que acabam
resultando no surgimento de algo completamente inesperado. Tome-se, por
exemplo, a penicilina, ou o grudezinho do post-it (se bem que aí, tenho
fortes suspeitas de que o pesquisador queria mesmo era replicar o efêmero
grude da meleca, mas essa é outra estória). Agora, é o gel que acaba com
hemorragias em cerca de quinze segundos.
A movimentação política
atual também gera descobertas muito interessantes. Outro dia recebi do
Joca, um bem-humorado internauta que sempre me manda boas piadas, filmes
altamente educativos e provocações políticas de toda ordem, uma mensagem
contendo comparações entre a campanha de Geraldo Alckmin e as realizações
do atual governo.
O curioso e engraçado do e-mail - e aí, é claro,
é onde está toda a provocação - é que todas as comparações são feitas não
entre o atual governo e as realizações do governo paulista, sob a batuta
de Geraldo Alckmin. Todos os itens são comparações entre o atual governo e
os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso.
Para devolver a
provocação do Joca, resolvi responder dizendo que os argumentos eram
interessantes e informativos, porém com um problema fundamental
relacionado a todos eles: o nome do candidato que disputa o Palácio do
Planalto com o atual ocupante do endereço é Geraldo Alckmin, e não
Fernando Henrique Cardoso.
Segundo já está razoavelmente
demonstrado para a opinião pública, Geraldo Alckmin não é clone de FHC;
Geraldo Alckmin parece ter trajetória política própria; Geraldo Alckmin
possui um programa de governo próprio, e apesar de pertencer ao mesmo
partido de FHC, não significa que vá rezar pela cartilha de FHC, mesmo
porque Alckmin pega um Brasil que se encontra num momento histórico
(político, econômico e social) bastante diferente daquele enfrentado pelo
ex-presidente Fernando Henrique. Aliás, diga-se de passagem que a
avaliação generalizada é de que o ex-presidente tucano, dentro das
limitações que encontrou em sua época, fez um bom governo (pelo menos no
primeiro mandato).
Na hora de devolver a provocação, ocorreu o
engano que causa as grandes descobertas: em vez de clicar no ícone de
responder apenas ao Joca, respondi para todo mundo a quem ele enviara o
mesmo texto. Resultado: a constatação de que os petistas querem tudo,
menos comparar Geraldo Alckmin (que, ao que se informa, conseguiu manter o
estado de São Paulo num patamar de desenvolvimento superior ao do governo
federal nesses anos) ao atual presidente. Nessas condições, as coisas
iriam inapelavelmente para o brejo que está no centro do lamaçal petista.
A partir dessa descoberta, propiciada por alguns e-mails irados
daqueles que, inadvertidamente, foram alvo da minha mensagem meramente
provocativa, uma outra constatação, essa, talvez, ainda mais importante: a
necessidade de a campanha do tucano bater na tecla da separação de
identidades, além da insistência em descobrir as origens do dinheiro usado
na tentativa de compra do dossiê fajuto.
Isso, pelo visto, pode
fazer toda a diferença no dia 29 de outubro. Não vai ser fácil, embora não
seja impossível. Afinal de contas, o público brasileiro tem por hábito
absolver e até cultuar os vilões das telenovelas. Por que seria diferente
com o criador do folhetim mais bandalho da política nos últimos vinte e
cinco anos de História do Brasil?
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