Eu li uma vez este texto e estava creditado a Millor Fernandes.
E eu não sou a a favor do uso deste tipo de linguagem, mas que vezes um palavrãozinho dito na hora certa e no tom certo resolve isso eu acredito...
 
----- Original Message -----
From: ccarloss
Sent: Tuesday, October 17, 2006 2:41 AM
Subject: [gl-L] Fw: Palavrões (por L.F. Veríssimo)

O texto é bom e retrata exatamente o emprego que fazemos de expressões e palavras consideradas chulas.
Eu penso que palavrões nada mais são que certas palavras assim rotuladas. Para mim não faz a menor diferença o seu uso ou não. E há ocasiões em que nada exprime melhor o que queremos exatamente dizer.
Só não posso afirmar que o autor seja mesmo o Veríssimo.
Eu o leio constantemente e não li este. Pedi a quem me enviou que citasse a fonte mas não recebi resposta. Pesquisei e não encontrei a resposta.
Conservei o nome dele pois pode ser que a autoria esteja correta. Se alguém tiver informação segura, por favor esclareça.
 
Carlos Antônio.


 
PALAVRÕES TAMBÉM SÃO IMPORTANTES
                           (Luís Fernando Veríssimo)

Os palavrões não nasceram por acaso.
São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade
nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.
Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

"Pra caralho", por exemplo.Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que   "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito,é quase uma expressão matemática.
A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho,  o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais abosoluta  negação, está o famoso "Nem fodendo!".
O "Não, não e não!",  assim como o "Absolutamente Não" já soam sem nenhuma credibilidade. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera,  com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida.
Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o  carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo  um definitivo : "- Pedrinho presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O  impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma  numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Caetano Veloso.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as  situações onde nosso ego exigia, não só a definição de uma negação, mas também o  justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível  imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.
Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD  porra nenhuma!",  ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma",  como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É  como se estivéssemos fazendo a tardia e justa  denúncia pública de um canalha.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um  "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim,  cadenciadamente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante  qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e  sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de  cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e  reforçadora derivação "vai tomar no meio do seu cu!". Você já imaginou o  bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do  suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no meio do seu cu!".
Pronto, você retomou as rédeas de sua vida,  sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face,  olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado  amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de  maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!".
E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você  conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação  que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão,  inclusive,  que uma vez proferida insere seu autor em todo um
providencial  contexto  interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo  bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma  sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala?
"Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente  proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda- se!"? O  "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!".
"Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O  direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.  
Liberdade, igualdade, fraternidade e Foda-se!


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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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