Oi

Gostei disso:

"Faz qualquer negócio pela sensação de estar experimentando
algo diferente para quebrar a rotina."

Mas dá dó...

-- 
Beijins
Fa
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"Minhoca: um absurdo sem pé nem cabeça."
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Tutty Vasques - O inferno astral da classe média
        
03.11.2006

Ou os turistas se organizam para defender seus direitos ou daqui a pouco 
viajar no feriadão será algo tão penoso quanto conseguir atendimento em 
hospital público em dia de acidente de trem. Como se não bastasse o caos 
habitual nas estradas, a desordem nos aeroportos neste Finados lembra 
ponto de ônibus após noite de ataques a São Paulo. Periga o PCC se 
aproveitar da confusão na área de check-in para incendiar aviões parados 
na pista.

Sorte das companhias aéreas, aliás, que passageiro de avião não é de 
reclamar nem quando lhe servem maxi goiabinha e ice tea de pêssego no 
almoço. Nas áreas da expansão do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, é 
comum ver bandos deles circulando feito baratas tontas de um portão de 
embarque para outro, atendendo aos comandos de voz do sistema de 
alto-falantes. Viajar de avião não é coisa para amador.

Tá certo que não é só no Brasil que a aviação comercial perdeu 
inteiramente o glamour - o fenômeno da esculhambação do serviço de bordo 
é mundial -, mas, convenhamos, tudo tem limites. As cenas que estamos 
assistindo no “Jornal Nacional” por conta do movimento dos controladores 
de vôo – ô, raça! - são desumanas com aqueles pobres coitados em gozo de 
folga. Nem no inferno o Dia dos Mortos é tão animado!

Não sei exatamente o significado dos feriados na vida do leitor, na 
minha não fazem a menor diferença. Raramente deixo de trabalhar nesses 
dias em que, por determinação civil ou religiosa, troca-se o serviço 
pela praia, os engarrafamentos da cidade pelos das estradas, um bom DVD 
por madrugadas em salas de embarque, um aborrecimento por outro. 
Jornalistas são como médicos, policiais, porteiros de boate, garçons, 
flanelinhas, bilheteiros de cinema, funcionários da praça de pedágio, 
lixeiros, motoristas de táxi, garotas de programa e donas-de-casa. Para 
essa turma – ô, raça! -, feriados são por vezes até mais trabalhosos, 
quando não demasiadamente enfadonhos.

Pensando bem, podia ser pior, ainda que não tão ruim quanto a vida de 
passageiro de avião. Tem gente que nessas ocasiões leva sete, oito horas 
ao volante do carro para chegar à praia. Acontece também de, em lá 
chegando, faltar água, fazer calor à noite, entupir o vaso sanitário, 
acabar a cerveja gelada, pisar no ouriço, vazar óleo no mar, ventar de 
doer, tocar pagode na vizinhança, chover e, supra-sumo do inferno, os 
mosquitos invadirem sua praia.

A felicidade, como se sabe, é coisa relativa nos feriadões, quando o ser 
humano fica mais tolerante com aborrecimentos. De folga, o brasileiro 
médio é capaz de abrir mão de todo conforto que o trabalho lhe 
proporciona. Troca o jantar por qualquer pizza, o ar condicionado pelo 
ventilador de teto, a privacidade do quarto pelo sofá-cama da sala, a TV 
tela plana de 29’ recém instalada na sala de sua casa por aquela velha 
14’ cheia de fantasmas que foi acabar sua vida útil na casinha de 
veraneio, troca até “Manhattan Conection” por “Sob nova direção”.

Faz qualquer negócio pela sensação de estar experimentando algo 
diferente para quebrar a rotina. Divide banheiro com o cunhado, pipa 
d’água com vizinhos, sorvete com a sogra, banana bot com a garotada na 
praia, não há mico que lhe estrague o dia. Sei lá o que pensam da raça 
humana em outros planetas, mas devem achar uma loucura esse movimento 
que leva todo mundo a fugir da confusão urbana ao mesmo tempo, gerando 
confusão em lugares que não estão preparados para receber tanta gente e 
deixando para trás, no próprio bairro onde vive, a tranqüilidade que 
saiu para buscar fora de casa.

Coisa de alienígena! É claro que de vez em quando é divertido, quem já 
acampou sabe a farra que é a precariedade da existência. Quando está 
muito a fim de se divertir, o homem não dá a menor bola para a sucessão 
de coisas erradas que desencadeia a vida de cada um. Diverte-se, e 
pronto, mas, como disse ainda há pouco, tudo tem limites.

A classe média, a turma que não tem acesso nem à bolsa família nem ao 
BNDES, não merece o que está passando nos aeroportos de todo o país no 
último Dia dos Mortos do primeiro mandato da erao governo Lula. Sabe 
quanto custa um pacote turístico para o feriadão com a família e os 
namorados das filhas em Porto Seguro? Uma grana, mas o mico de aparecer 
indignado de bermudas, sandálias e óculos escuro no “Jornal Nacional”, 
isso não tem preço. É pura sacanagem!


Retirado de
http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=14


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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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