Duas imaginações:

E foi quando em ápice soavam juntos pratos, violinos, tímpanos, trombones, 
clarinetas e violoncelos, que, abruptamente, bati o carro – crash. Chorei de 
tristeza só de imaginar que provavelmente nunca mais me seria dada a 
oportunidade de ouvir tão primoroso grand finale. 

   
  Carnificina:

O ar esverdeado e a luz gelada, o detestável ar-condicionado. E eu lá morrendo 
de medo, tremendo, cheia de ânsias, angústias e vertigens. Dor no estômago?, ou 
no coração? Tudo culpa da assepsia, do cheiro de iodo, da falta de germes, 
anti-higiene. Eu no cantinho da sala, encurvada, amedrontada, desolada, 
indefesa e, ainda por cima, entregue àqueles malditos astronautas de batas 
esverdeadas. E por trás daquelas vozes soberbas, escondidos os deleites de 
quase semi-deuses, mais carniceiros que sádicos. A luz no meu rosto, o pano 
verde no meu rosto, o pânico no meu rosto, a insensibilidade da pele – agonia! 
-, e o meu choro, choro, choro... O meu choro compulsivo cor de carmim. Odeio 
meus calázios e minhas pálpebras, odeio hospital, odeio médicos, odeio bloco 
cirúrgico, e, acima de tudo, não suporto me deparar com a incontestável 
fragilidade da carne humana. (Deixa eu correr e botar gelo antes que inche.) 


 

                
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 Música para ver e ouvir: You're Beautiful, do James Blunt

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