Lula diz que maturidade o afastou da esquerda O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) arrancou, na noite desta segunda-feira, risos e aplausos de uma platéia formada por empresários e intelectuais ao, de certa forma, desmerecer a esquerda brasileira. Segundo ele, trata-se de uma ideologia típica da juventude.
"Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema" [risos e aplausos]. "Se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque também está com problema", afirmou o presidente depois de receber o prêmio "Brasileiro do Ano" da revista "IstoÉ". Lula explicou que existe uma tendência a que as pessoas que são responsáveis abram mão de suas convicções radicais para alcançar um confluência. "Quem é mais de direita vai ficando mais de centro, e quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata, menos a esquerda. As coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos, e de acordo com a responsabilidade que você tem. Não tem outro jeito". Segundo o presidente, a sua idade --60 anos-- é o ponto do equilíbrio. "Porque a gente não é nem um nem outro [nem novo nem velho]. A gente se transforma no caminho do meio, aquele que precisa ser seguido pela sociedade", afirma. Lula começou a falar sobre maturidade e juventude ao mencionar que, "depois de 20 e tantos anos criticando", agora é amigo e aliado de Delfim Neto, ex-ministro da Fazenda (1967-1974). Hora de destravar No resto de seu discurso, Lula voltou a enfatizar sua vontade de "destravar" o Brasil, para que possa alcançar o tão almejado crescimento econômico. Segundo ele, o grande dilema agora é conciliar essa necessidade de crescer com a manu- tenção do controle inflacionário. "Em que momentos o Brasil conseguiu crescer com inflação baixa?", questionou, mencionando o governo de Juscelino Kubitschek e o período militar. Mas o petista deixou claro que isso não o fará mudar sua convicção de que tem que manter a estabilidade econômica. E atacou os críticos. "Os mesmos que brigam a vida inteira contra a taxa de juros, não brigam contra o aumento da inflação. Não brigam, até porque no Brasil tem gente que ganha com a alta da inflação e, certa- mente, não são os trabalhadores brasileiros, e muito menos os que ganham menos", afirmou. Irônico, o presidente disse que pensou que poderia descansar depois das eleições, mas que, ao contrário, neste período não conseguiu para nem um minuto, tamanha é sua preocupação em criar medidas para desobstruir o desenvolvimento do país. Na conclusão, foi ainda mais enfático ao assumir um compromisso com a população. Disse que não terá sentido sua reeleição se ele não conseguir fazer o país dar o "passo seguinte", que é alcançar "crescimento econômico, com desenvolvimento, distribuição de renda e educação de qualidade". "Espero estar vivo para daqui quatro anos, aí sim, vocês me darem o prêmio de brasileiro que cumpriu com as palavras assumidas durante a campanha", disse. [Folha Online] .
