Marco, 

Tem certeza que este artigo não é do OC? Bem, o Cândido
Prunes segue a mesma linha de pensamento.
E Getúlio pode ser reverenciado pelo puxa-saquismo inerente à massa ignara 
brasileira, muito maior na época dele. Deu não um tiro mais um golpe de mestre 
com o tiro no peito.
A massa não pensa. E não fosse a atitude teatral da bala que em boa hora o 
levou, seria deposto. Ele, embora tão execrável quanto Pinochet, não era tão 
burro quanto o Lula.
E deixe-me fora da lista dos que vêem nele alguma coisa de positivo.

Um abraço.

Carlos Antônio.


----- Original Message ----- 
From: Marco Antonio Figueiredo 
To: [email protected] 
Sent: Monday, December 11, 2006 7:38 PM
Subject: [gl-L] Fw:Augusto Pinochet, Getúlio Vargas & Cia.



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  Augusto Pinochet, Getúlio Vargas & Cia.

  ___ Cândido Prunes*



  O ex-ditador chileno recém falecido, Augusto Pinochet, cometeu um único erro. 
Tivesse ele ao longo de seu longo mandato promovido a estatização do Chile, 
hoje não estaria sendo discretamente velado em Santiago. Como se sabe, Pinochet 
é acusado de ter sido direta ou indiretamente conivente com a tortura, a 
perseguição política e o assassinato de opositores. Mas tudo isso seria 
perdoável se ele tivesse mantido a previdência social quebrada nas mãos do 
governo; se ele tivesse inchado a máquina pública e distribuído cargos a 
mãos-cheias para os políticos; se ele tivesse feito campanhas publicitárias 
cínicas, tipo "o cobre é nosso"; ou se tivesse elogiado (ou visitado) ditadores 
socialistas, como Fidel, Mao, Pol-Pot e tantos outros que vicejaram em seu 
tempo. Mesmo cometendo rigorosamente todos os crimes de que vinha sendo 
acusado, tivesse seu governo um cunho estatizante, hoje as autoridades chilenas 
estariam correndo para emprestar o nome do falecido ditador a ruas, praças, 
hospitais, colégios e até mesmo alguma importante fundação.

  Fenômeno contrário se deu no Brasil. O Sr. Getúlio Vargas foi uma espécie de 
Augusto Pinochet não-militar. Governou o País com o Congresso fechado. 
Perseguiu implacavelmente a oposição. Foi conivente com a tortura. Censurou 
jornais (em alguns casos foi muito além: simplesmente os destruiu fisicamente). 
Proibiu a publicação de livros. Assassinou os inimigos do regime. Impôs o 
exílio para intelectuais, militares e políticos que não concordavam com os 
rumos do governo. Acobertou crimes de familiares. Foi simpatizante dos piores 
regimes totalitários (a Alemanha, de Hitler e a Itália, de Mussolini). Tolerou 
a corrupção, que chegou até às ante-salas do poder. Todos os crimes e vícios 
que são apontados contra o famigerado General Pinochet, foram cometidos em 
maior ou menor escala por Getúlio Vargas e/ou seus asseclas.

  A diferença entre o tratamento benigno que hoje se dispensa no Brasil ao 
ditador tupiniquim e no Chile ao ditador andino reside na agenda econômica. 
Graças à estatização, ao engessamento das relações trabalhistas, à 
regulamentação da economia, ao "aparelhamento" da administração pública, enfim, 
tudo aquilo que hoje atrasa o Brasil, não há cidade que não tenha uma avenida 
com o nome "Getúlio Vargas". Para não falar nos milhares de bustos e placas da 
famosa "carta testamento". Já no Chile, ainda que nos últimos anos experimente 
uma onda sem precedentes de progresso econômico graças às reformas do período 
Pinochet, dificilmente o atual governo dará o nome do ex-ditador a uma mísera 
ruela, ou mesmo a um beco.

  Essa constatação não se faz para justificar violação aos direitos humanos. 
Muito menos assassinato ou perseguição a opositores políticos. Ao contrário, 
ela é feita para demonstrar o tratamento cínico que os socialistas dispensam a 
seus ditadores. Por exemplo, se alguém interromper a lua-de-mel do arquiteto 
Oscar Niemeyer e lhe perguntar sua opinião sobre Pinochet, ele só terá 
críticas. Entretanto, para Vargas, ele será capaz de elogios, seguindo seu 
contemporâneo e correligionário Luiz Carlos Prestes, que mesmo preso e 
torturado pelo Estado Novo, em nome de interesses políticos terminou aliado do 
ditador.

  Nem se argumente que a escala de assassinatos, torturas e corrupção no Chile 
de Pinochet foi muito maior do que no Brasil da Era Vargas (ou no do regime 
militar de 1964). Se for para fazer comparações, a Cuba de Fidel, a China de 
Mao e as demais ditaduras socialistas do século XXI apresentaram um rol de 
atrocidades incomparavelmente maior que o do Chile. Os crimes cometidos no 
varejo pelas ditaduras consideradas de direita não servem para absolver os 
crimes praticados no atacado pelas ditaduras de esquerda.

  Aqueles que justamente criticam o governo do General Pinochet pela violência 
e a corrupção deveriam aproveitar a ocasião e dispensar o mesmo tratamento aos 
tiranos locais que, ainda por cima, cercearam as liberdades econômicas causando 
um quarto de século de estagnação.

  * Vice-Presidente do Instituto Liberal



  Este artigo pode ser reproduzido se for citada a fonte.




-- 
Marco Antonio Figueiredo
Blog : http://marcofigueiredo.multiply.com/journal  

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