Faz sentido. A proximidade do Natal desperta a criança que acredita em fábulas.
Carlos Antônio. ----- Original Message ----- From: Antonio Kleber de Araujo To: [email protected] Sent: Friday, December 15, 2006 9:28 AM Subject: Re: [gl-L] E há quem duvide e eu fico como a fabula do passarinho apagando o incendio da floresta com o bico..... ccarloss wrote: > <http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/> > > > http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2006/12/13/ult581u1911.jhtm > <http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2006/12/13/ult581u1911.jhtm> > > 13/12/2006 > Amazônia perde em três anos uma área de selva igual à da Irlanda > O alerta mundial e as proibições legais são insuficientes para conter > a destruição > > Juan Jesús Aznárez > em Madri > > As florestas e os habitantes da Amazônia sofrem há décadas os efeitos > destruidores da exploração efetuada pelas empresas madeireiras, > pecuárias ou de outros setores, que saqueiam as riquezas naturais do > principal pulmão do planeta. Desde 1970 desapareceu uma área > equivalente a toda a França e desde 2003, com o governo de Lula da > Silva, 70 mil quilômetros quadrados, uma superfície igual à da > Irlanda. O alerta mundial e as proibições legais não são suficientes. > Enquanto isso, a pobreza facilita inúmeros abusos, entre eles a > mão-de-obra escrava. > > A última iniciativa para o salvamento das florestas, na semana > passada, esteve a cargo do governador do estado do Pará, Simão Jatene, > que concedeu a categoria de espaço protegido a 16,4 milhões de > hectares de selva: igual a um terço da Espanha. Paralelamente, a lei > brasileira que permite que a iniciativa privada dispute a exploração > de 5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia continua mergulhada > em polêmica. > > Um barco que navegava à noite pelo Amazonas virou há pouco mais de um > ano ao se chocar com um tronco à deriva em um trecho de ilhas fluviais > e seus ocupantes caíram no rio. Todos chegaram à margem a nado, mas um > temerário nadou de volta para resgatar a carteira com sua documentação > pessoal. No caminho apareceu um crocodilo. Era de noite e os náufragos > nada puderam ver. > > Só escutaram um violento rumor na água e depois o silêncio, o > impressionante silêncio da selva. "Na manhã seguinte foi encontrado um > cadáver mutilado a dentadas", lembra Muriel Saragoussi, 47, engenheira > agrônoma, secretária de Estado do governo brasileiro para o Amazonas. > > Marinheiros de uma frota de cinco navios em viagem científica > patrocinada pelo patriarca ecumênico Bartolomeu e pela ONU, com a > missão de conscientizar sobre a influência da destruição da Amazônia > na mudança climática, censuraram Muriel porque mergulhou muito perto > do lugar onde meses antes havia sido devorado o imprudente da > carteira. "Não há perigo. Vivi aqui a vida toda, e os motores dos > barcos grandes afugentam os crocodilos. Os verdadeiros problemas da > região não são os animais, são outros", salienta Saragoussi: > desmatamentos selvagens, devastação maciça das terras, expulsões, > mão-de-obra escrava, poluição das águas, corrupção oficial e assassinatos. > > A alta funcionária brasileira observa do barco as frondosas margens do > rio mais caudaloso do planeta: uma via aquática de 6.785 quilômetros > de extensão, com mais de 3 mil espécies de peixes, que fecundam 8 > milhões de quilômetros quadrados no Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, > Venezuela, Guiana, Suriname e Equador. > > A Amazônia contém a produção de oxigênio e de água potável mais > importante do mundo, um terço das florestas tropicais, a > biodiversidade mais rica e uma série de delitos contra a natureza e as > pessoas, que continuam crescendo apesar dos esforços da presidência de > Lula da Silva. Sete dias de navegação pelo Amazonas, intercalados com > vôos e desembarques em comunidades ribeirinhas, permitem identificar > os problemas a que Saragoussi se refere. > > "A destruição das florestas faz do Brasil o quinto país emissor de > carbono. É preciso habilitar créditos para evitar tudo isso", alerta > em Manaus o economista Hylton Philipson, da Trustee Global Canopy. > > A Amazônia brasileira tem uma superfície de 5 milhões de quilômetros > quadrados, 24% deles em mãos privadas, habitada por 22 milhões de > pessoas: 12% da população nacional de 180 milhões. Os 220 mil > indígenas recenseados denunciam com especial insistência a > deterioração de seu hábitat, e as estradas de acesso, em vez de > permitir que eles desfrutem o progresso, lhes trazem problemas. O > controle dos abusos é difícil porque as distâncias são enormes. Em > Cujubim, um território do tamanho de Israel, vivem 290 pessoas em 56 > famílias separadas umas das outras. > > E só no estado do Amazonas, com 3 milhões de habitantes e salários > inferiores a 80 euros mensais, cabem juntos 11 países europeus, entre > eles Alemanha, França e Reino Unido. "Lutamos de frente contra a > impunidade, o desmatamento e a apropriação ilegal de terras. Também > foram libertados vários trabalhadores escravos. Mas o desafio que nos > pedem, conservar a natureza e reduzir a pobreza, não é fácil", afirma > Muriel Saragoussi. A preocupação da funcionária não causa surpresa, > porque grande parte dos problemas ambientais da Amazônia deriva da > falta de emprego e educação. > > A pobreza facilita a existência no Brasil de 25 mil a 40 mil > trabalhadores em regime de escravidão, segundo a Organização > Internacional do Trabalho (OIT). Este ano foram libertados 2.199, em > 2005, um total de 5.300 e durante a década 1995-2005, outros 17.983. A > prática aberrante continua porque 42 milhões de brasileiros, 22,7% da > população, são indigentes, analfabetos e suscetíveis a engano. > > Capatazes de grandes fazendeiros, conhecidos como "gatos", percorrem > os enclaves nacionais da miséria oferecendo emprego bem remunerado. Os > peões são transportados pelos recrutadores até as profundezas da selva > para derrubar árvores, produzir carvão vegetal ou limpar a terra onde > se cultiva soja ou cria-se gado. Ficam alojados em barracões > insalubres, ou sob toldos de plástico, sem banheiro nem água corrente > em um ambiente tórrido e extenuante. > > As estradas da Amazônia são os rios, e chegar a uma cidade, caso se > precise de cuidados médicos, pode levar semanas. A mão-de-obra > escravizada pode chegar a comer restos de vacas doentes ou beber em > recipientes que contiveram pesticidas. No dia de pagamento encontram > uma dívida insuspeitada: devem ao patrão a viagem, o alojamento, a > alimentação, o machado, as calças, a camisa, o chapéu e as luvas de > trabalho. Praticamente não ganham nada. "O peão percebe que está > prisioneiro, escravo e vigiado por pistoleiros fortemente armados", > segundo Zeu Palmeira, doutor em ciências sociais e juiz do trabalho. > > O Brasil é um país onde fazendeiros sob investigação como Carlos > Medeiros e Cecílio do Rego Almeida reclamam a posse de áreas > equivalentes às da Holanda e da Bélgica. Os abusos cometidos pela > ambição do homem são muitos. De um pequeno avião que sobrevoa o > município de Santarém, no estado do Pará, são visíveis os milhares de > hectares de florestas derrubadas pelas motosserras de fazendeiros sem > escrúpulos, as trilhas por onde circulam seus caminhões com troncos de > cedro, ipê e outras madeiras nobres e os casebres de gente muito pobre. > > "Se você tem armas aqui, tem a lei. E há gente poderosa com muitos > rifles e pistolas. Quantas pessoas terão de morrer para que tudo isso > mude?", pergunta-se o ativista brasileiro Marcelo Marques. Até agora > mais de mil pessoas comprometidas contra as máfias ou em defesa de sua > terra perderam a vida, como a freira americana Dorothy Stang, > assassinada em fevereiro de 2005 em uma região remota do estado do Pará. > > "As pessoas que sempre viveram na selva têm dificuldade para entender > por que tanta degradação e cobiça", diz Benke, chefe indígena > ashaninka, em um seminário sobre a modernidade e sua relação com os > povos aborígines do Brasil. A explicação é simples: os lucros > arrebatados à natureza são rápidos e multimilionários. Um exemplo: as > exportações de madeira para os EUA, a União Européia, incluindo a > Espanha, multiplicaram seu valor até chegar no ano passado a mais de 8 > bilhões de euros. "Oitenta por cento das remessas foram cortadas > ilegalmente, mas os países e empresários que as compram não estão > preocupados em comprovar a autenticidade da documentação que é > apresentada como legítima", acrescenta Marques. > > Catorze por cento da Amazônia brasileira, uma superfície maior que > toda a França, foi desmatada nos últimos 30 anos. E embora o plano do > governo Lula tenha reduzido o ritmo de perdas ao nível de dez anos > atrás, segundo fontes oficiais, durante seu governo desapareceram > cerca de 70 mil quilômetros quadrados: o equivalente a oito campos de > futebol por minuto, segundo organizações não-governamentais. > > O fato é lamentado por Marina Silva, 48, ministra do Meio Ambiente, > que foi companheira de luta do ativista ambiental Chico Mendes, > assassinado em 1988. > > Neta de negros e de portugueses, ela reconhece que "apesar de estarmos > trabalhando muito há lugares nos quais não podemos fazer nada. De toda > forma, corta-se menos, prendemos pessoas e fechamos empresas que > cometiam delitos". No ano passado foram presas 300 pessoas, incluindo > funcionários públicos corruptos, 1.500 empresas foram fechadas e 600 > mil m3 de madeira, confiscados. > > Para combater os crimes ambientais nasceu em 2004 o Plano para > Prevenir e Controlar o Desflorestamento do Amazonas, que reduziu a > atividade em 31% entre 2004 e 2005, segundo a ministra. O Instituto de > Pesquisas Espaciais (Inpe) calcula que 18.900 quilômetros quadrados > foram cortados nesse biênio, contra 27.364 quilômetros quadrados entre > 2003 e 2004, uma extensão igual à da Bélgica. A maior destruição foi > cometida em 1995: mais de 29 mil quilômetros quadrados derrubados. > Três quartos das derrubadas foram ilegais. > > Freqüentemente são efetuadas em terras federais ou roubadas. "No > estado de Mato Grosso foram identificadas 60 mil propriedades ilegais, > cujos donos não poderão ter acesso a créditos oficiais", indica o > bispo brasileiro Mauro Morelli, com 20 anos de ativismo em defesa do > meio ambiente e dos direitos humanos. Mas a força dissuasiva da > proibição ao crédito é nula, comparada com o butim madeireiro e > agrícola em jogo, com data de vencimento se a destruição prosseguir > nesse ritmo. > > Perde o Brasil e perde a humanidade, porque o ar que respira é > purificado principalmente na Amazônia, através de plantas e árvores > que caem como fichas de dominó a cada minuto, cada segundo. "E não > estamos tomando nenhum remédio, nenhuma medida contra o que vai nos > afetar", afirma Philip M. Fearnside, professor do Instituto de > Pesquisas do Amazonas. > > O turbulento estado do Pará se transformou em símbolo da violência e > do crime. Registra um terço do desmatamento brasileiro: uma área maior > que a superfície de Áustria, Holanda, Portugal e Suíça. Durante quatro > décadas suas serrarias trabalharam impunemente, as pistolas resolveram > os conflitos e o patrimônio Amazônia despencou, escoltado pela cultura > da impunidade e a ausência do Estado de direito. > > Bertha Becker, membro da Academia de Ciências do Brasil, resume a > complexa situação de uma geografia onde os delitos contra o homem e a > natureza estão relacionados: "A sociedade amazônica quer a presença do > Estado, quer educação, estradas, emprego, salários dignos. Em suma, > sair da exclusão, o problema mais importante do Brasil". > > --- Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se. Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages Yahoo! Groups Links
