Julio, 

Eu até concordo com você na maioria das observações. 
Mas não o Pinochet não desce. E nem o Fidel, embora eu tenha achado o paredón 
uma medida certa. O que o Batista fazia em Cuba, por outros meios, não era 
muito diferente.
Lula e o PT: se com um mandato foi o que foi imagine com dois. Eu não sei se aí 
você teve acesso ao choro dele ao ser diplomado ontem. A vontade era cair de 
porrada.

Um abraço.

Carlos Antônio.

----- Original Message ----- 
From: Julio Arruda 
To: [email protected] 
Sent: Friday, December 15, 2006 11:51 AM
Subject: Re: [gl-L] Para os que defendem Pinochet 2



Falando de uma posicao confortavel, ja que nao fui vitima...

Os regimes ditatoriais de qualquer lado estao errados, porem, teve 
resultado ? 3 mil e' pouco para fazer uma nacao..cuba matou muito mais 
gente, e esta em uma m*rda de dar gosto

Infelizmente nao existe uma maquina do 'what if', pois gostaria de ver a 
direcao que o mundo tomaria 'if'.

O caso do Lula por exemplo, eu sempre preguei que o PT deveria 
conquistar a presidencia UMA vez, e apostei que iam acordar para o que o 
PT e'. Achava que um mandato nao era suficiente para eles fazerem muita 
besteira... Mea culpa...

ccarloss wrote:
>      
> 
> 
> http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2006/12/11/ult579u2025.jhtm
> 
> 11/12/2006
> O déspota que presidiu com terror e reforma econômica
> 
> Robert Graham, David Pilling e Richard Lapper
> 
> O general Augusto Pinochet, o ex-ditador militar do Chile que morreu aos 91 
> anos, foi uma das figuras mais controversas da América Latina do século 20.
> 
> Em sua idade avançada, os esforços contínuos primeiro do Reino Unido e da 
> Espanha, depois de uma série de juízes chilenos, para julgá-lo pelos abusos 
> aos direitos humanos ganharam manchetes por todo o mundo e acentuaram dois 
> lados de seu legado: por um lado ele presidiu um regime sem dúvida assassino; 
> por outro, ele foi o homem que abriu o caminho para a prosperidade econômica.
> 
> Fora do Chile, ela era visto por muitos como o tirano sul-americano 
> arquetípico -parte caricatura, com seus sinistros óculos escuros e uniforme 
> militar estilo prussiano, parte assustador como criador de um Estado policial 
> que prosperou com tortura e repressão. Dentro do Chile, as opiniões sobre o 
> homem que, em 1973, derrubou o governo socialista de Salvador Allende, são 
> mais complexas.
> 
> Pinochet foi chave na modernização do Estado chileno e no estabelecimento das 
> fundações do crescimento econômico sustentado. Ele também foi um dos poucos 
> ditadores que voluntariamente, mesmo que de forma relutante, abriu mão do 
> poder. Ele acreditava que seu papel histórico tinha sido mostrar ao mundo que 
> o comunismo era reversível.
> 
> Mas as repetidas tentativas de levá-lo a julgamento -ele foi indiciado pelo 
> assassinato de dois dos guarda-costas de Allende apenas nas últimas semanas e 
> enfrentava um processo por evasão fiscal e fraude- ajudaram a manchar sua 
> reputação mesmo entre seus simpatizantes mais fervorosos.
> 
> Nascido em uma família de classe média baixa em 1915, em Valparaíso, o filho 
> mais velho de seis de um funcionário do porto, ele foi encorajado por sua mãe 
> ambiciosa a entrar na academia militar. O jovem franzino de 16 anos foi 
> aceito apenas na terceira tentativa, uma humilhação que lhe deu uma obsessão 
> por toda a vida com a forma física.
> 
> Pinochet começou a escalar a hierarquia militar e ascendeu a comandante de 
> guarnição em Santiago na época em que Allende colocou o Chile na rota do 
> socialismo, no início dos anos 70. Foi apenas 19 dias antes do golpe que 
> levou à sua morte que Allende nomeou Pinochet -que conquistou uma reputação 
> de constitucionalista obediente, mesmo que pouco notável- como comandante 
> chefe das forças armadas.
> 
> O papel de Pinochet na derrubada de Allende é ambíguo. Ele alegava ter 
> planejado o golpe. Outros conspiradores argumentam que ele foi persuadido a 
> participar na última hora. Seja qual for a verdade, Pinochet rápida e 
> incontestavelmente se tornou o líder da junta de quatro homens -se declarando 
> presidente em 1974- e deu início à tarefa de reprimir a oposição.
> 
> A ferocidade e precisão cirúrgica de tal repressão provocou repulsa no Mundo 
> e tornou o Chile um Estado pária internacional por quase duas décadas. Nos 
> anos que se seguiram, os corpos de suspeitos de serem simpatizantes de 
> esquerda iam parar regularmente no lodoso Rio Mapocho ou eram encontrados em 
> valas comuns.
> 
> Uma rígida censura, a proibição de todos os partidos políticos e o desejo de 
> muitos chilenos de fazer vista grossa fez com que apenas após a publicação do 
> relatório Rettig, em 1991, é que todo o horror do que aconteceu se tornasse 
> público. Cerca de 3 mil pessoas foram mortas ou "desapareceram" (um verbo que 
> se tornou sinônimo do Chile), dezenas de milhares foram rotineiramente 
> torturados e outros mais foram para o exílio.
> 
> Pinochet considerava o terror institucional, promovido por sua temida polícia 
> secreta, como uma arma legítima. Seus simpatizantes argumentam que mais 
> pessoas teriam morrido se o Chile tivesse mergulhado em uma guerra civil.
> 
> Mas o controle político absoluto foi combinado com gradual redução do papel 
> econômico do Estado. Pinochet foi persuadido por seus aliados empresariais, 
> muitos deles influenciados pelos "Chicago Boys" -os seguidores da escola de 
> Chicago de economia de livre mercado, que acreditavam que esta era melhor 
> proteção contra o marxismo.
> 
> Apesar da inclinação de Pinochet a políticas econômicas mais nacionalistas, 
> ele permitiu que seus consultores civis abrissem a economia e desmontassem o 
> modelo de substituição de importados do Chile. Os subsídios e controles de 
> preços foram eliminados, as tarifas reduzidas e um regime liberal de 
> investimento estrangeiro foi estabelecido. A inflação, que chegou a 
> proporções de Weimar sob Allende, foi fortemente reduzida, as despesas do 
> governo com folha de pagamento foram cortadas pela metade e os gastos 
> públicos também foram reduzidos. Empresas estatizadas foram devolvidas ao 
> setor privado e o poder sindical foi coibido.
> 
> A economia sofreu um baque devido a esta terapia de choque, encolhendo 13% em 
> 1975, mas se recuperou fortemente nos cinco anos até 1981. Mas a dependência 
> excessiva em empréstimos estrangeiro fez com que o Chile fosse duramente 
> atingido, mais que qualquer outro país latino-americano, pela crise da dívida 
> no início dos anos 80. Quase um terço da força de trabalho chilena estava 
> desempregada e a economia murchou mais 14%.
> 
> Mais políticas pragmáticas restauraram a saúde econômica nos anos que se 
> seguiram, mas a crise de 1982 foi uma divisora de águas na carreira de 
> Pinochet. Um enorme "panelaço", um protesto simbolizando fome, ocorreu em 
> Santiago e a oposição política começou a se organizar. Pinochet tinha sido 
> abandonado pela classe média. Quando se sujeitou a um plebiscito em outubro 
> de 1988, a maioria dos chilenos -66%- sentiu que o país não precisava mais de 
> uma liderança militar envelhecida. Pinochet percebeu que tinha julgado mal o 
> sentimento do país.
> 
> Pinochet tinha muitas personalidades diferentes. O homem que gritava ordens 
> aos seus subalternos, que costumava vestir capa e zombava das tentativas de 
> assassinato, foi transformado durante a campanha de 1988 em uma figura de 
> avô, vestindo roupas civis e freqüentemente beijando bebês. Na vida privada 
> ele era um total não fumante que foi profundamente influenciado pelos desejos 
> de sua esposa formidável, Lucía Rodríguez.
> 
> Após a transferência de poder, Pinochet permaneceu chefe das forças armadas e 
> tentou se colocar no papel de "protetor da democracia". Tal papel ambíguo 
> chegou a um fim dramático em uma clínica de Londres em 1998, para onde foi 
> para uma cirurgia nas costas. Lá ele foi preso a pedido da Justiça espanhola 
> para que fosse extraditado para Madri, onde enfrentaria acusações de crimes 
> contra a humanidade.
> 
> O caso causou controvérsia no Reino Unido. Jack Straw, o então ministro do 
> Interior do Partido Trabalhista, tinha participado de manifestações contra 
> Pinochet na juventude. Margaret Thatcher, a ex-primeira-ministra 
> conservadora, defendeu o general, dizendo que foi um amigo fiel durante a 
> Guerra das Malvinas.
> 
> Em março de 2000, Pinochet foi autorizado a voltar para casa com base de que 
> estava velho e doente demais para suportar julgamento. Mas nos anos que se 
> seguiram, juízes chilenos destituíram Pinochet da imunidade legal que 
> desfrutava e ele enfrentou uma série de processos por violações de direitos 
> humanos, conseguindo escapar de julgamento apenas pela idade avançada e saúde 
> ruim. Uma outra série de acusações de evasão fiscal, fraude e outras 
> impropriedades financeiras desacreditou ainda mais Pinochet.
> 
> O próprio Pinochet continuou defendendo seu histórico, argumentado em uma 
> carta lida recentemente por sua esposa que sua única motivação para governar 
> o Chile foi "tornar o país grande e evitar sua desintegração". Mas para 
> muitos, o preço foi alto demais. 
> 
> 



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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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