As besteiras ditas por Lula, que se aprimora tanto na arte de dizê-las, 
fazendo-nos pensar que não é possível sair mais alguma, ele surpreende com uma 
nova.
Esta última entre esquerda, direita e idade dificilmente será suplantada mas 
vindo de quem vem, nada é previsível.
A não ser idiotices a cada dia.

Carlos Antônio.
Sábado, 16 de dezembro de 2006

  
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Acaju é ideologia?

16.12.2006 |  Lula não deve explicação a ninguém a não ser, talvez, aos carecas 
que se sentirem excluídos. Se a tese do presidente sobre ideologia capilar 
estiver certa, se de fato os homens de esquerda tornam-se de direita à medida 
que seus cabelos vão embranquecendo, como situar historicamente na política 
quem não chegou a ficar grisalho por absoluta falta de pêlos para clarear sobre 
a testa?

No mais, acho que o presidente está certo: metade dos meus amigos foram 
deixando de ser de esquerda ao primeiro sinal de cabelos brancos na fronte. A 
outra metade ou é careca como o Arthur Dapieve ou pinta descaradamente os 
cabelos feito Gerald Thomas. Tem também os carecas que pintam, como Joaquim 
Ferreira dos Santos e Arnaldo Jabor, desses não faço a menor idéia de que lado 
estão, depende muito da quantidade de livros que vendem.

Sei que é complicado tirar os carecas de circulação, mas não seria de todo 
absurdo proibir a fabricação, a comercialização e o uso de tinturas para 
cabelos. Ficaria muito mais fácil saber logo de cara qual é a do cara. No caso 
do Lula, por exemplo, a gente vê que restam ainda alguns fios pretos na sopa do 
Fome Zero, mas, à exceção de uns e outros do PT e do PSOL, todo mundo pinta o 
cabelo no Congresso. Político é que nem loura - repara só! -, tem uma vergonha 
danada de mostrar o que de fato é. A propósito, louras são de direita? Vai ver 
depende da tintura, né? 

Outra coisa: acaju é ideologia? Se for, José Agripino Maia é lider da bancada 
acaju no parlamento - ô, raça! Pela teoria político-capilar de Lula, o Ziraldo, 
bem, melhor não arrumar encrenca com o Ziraldo...! Digamos que o Walmor Chagas 
seria líder da extrema direita no congresso.

Patrulhado pelas bobagens que disse sobre seu amadurecimento - "Se você 
conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela tem problemas" - Lula 
reclamou da falta de humor de quem ainda lhe dá ouvidos. "Fiz uma brincadeira, 
pô."

É por aí, presidente! Podia inclusive ter enriquecido sua piada falando um 
pouco sobre a influência de Marta Suplicy no legado das louras na política 
brasileira. Outra coisa, lembra da primeira micro-mecha de fios brancos que 
pintou na fronte de William Bonner na bancada do "Jornal Nacional"? Chegou-se a 
dizer na época que aquilo era fake, exigência da direção da emissora para dar 
um toque de seriedade no jornalista. Na época, salvo engano, ele ainda votava 
no Lula. Hoje, Bonner está daquele jeito, já quase totalmente grisalho, pai de 
três filhos, rico, carro blindado...

Se Lula só estava a fim de brincar, palmas, de novo, para a cabeleireira de 
Miriam Leitão, que pode até de vez em quando errar na forma dos penteados, mas 
jamais deixou dúvidas de que sob a tintura dos caracóis da jornalista ela está 
cada vez menos grisalha do que o presidente.

No fundo, no fundo, a questão de estar mais à direita ou à esquerda não tem a 
menor importância nos dias de hoje, assim como não são mais ou menos maduros os 
parlamentares que dobraram seus próprios salários para a próxima legislatura. 
Não há tintura que disfarce o problema de quem perdeu a vergonha, ainda que 
continue sendo de esquerda.

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