Verinha, 

Há muito tempo eu venho pregando o apedrejamento do congresso e paulada no 
lombo dos parlamentares.
Mas o povo brasileiro parece masoquista. É espoliado, não tem saúde, educação, 
estradas, e agora a aviação está um caos que vinha sendo anunciado há muito 
tempo. E podem aguardar um apagão para não muito longe que nos fará voltar às 
lamparinas.
Eles só vão ser intimidados na porrada. 
Uma carga que não carrego é a de ter votado em alguém.
Nunca.

Carlos Antônio.


----- Original Message ----- 
From: Vera Martins 
To: "Undisclosed-Recipient:;"@mx.uol.com.br 
Sent: Monday, December 18, 2006 1:34 AM
Subject: [gl-L] Danuza: Um Natal vergonhoso




DANUZA LEÃO 

Um Natal vergonhoso 

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      Não se ouve a voz de uma autoridade se levantar para protestar com 
indignação contra essa falta de pudor 
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MINHA DÚVIDA é se os deputados e senadores perderam de vez a vergonha na cara, 
enlouqueceram, ou os dois. Ou talvez eu tenha enlouquecido e não esteja 
entendendo direito o que ouço nas TVs e leio nos jornais.
A esta altura do campeonato, enquanto discutem se o salário mínimo vai ser 
aumentado em mais R$ 8 ou não, pois o governo não agüentaria a despesa, 
deputados e senadores dobram seu salário na maior cara de pau, e de um jeito 
que não tem volta; o que eles decidiram decidido está. 
Duvido que, se fosse na Argentina, as coisas ficassem por isso mesmo. Se o 
Brasil fosse um país de povo menos frouxo, hoje de manhã o Congresso já 
amanheceria apedrejado e estariam havendo manifestações em todo o país contra a 
classe política. Mas é assim que Lula gosta, e não é em vão que elogia a China, 
onde o governo faz o que quer e não tem oposição. 
Além do auxílio-moradia, dos eletrodomésticos, das passagens para visitar seu 
Estado de origem, verba de gabinete para contratar sei lá quantos assessores, 
do que eu mais gosto é da quantia que eles têm para gastar em selos. Pergunte a 
uma criança de dez anos, em 2006, se ela sabe o que é um selo e ela será capaz 
de dizer que nunca ouviu falar. 
Enquanto o caos impera nos aeroportos e a presidente do Supremo é assaltada e 
não diz uma só palavra -com todo respeito, dra. Ellen, era sua obrigação, do 
alto de sua autoridade, ter posto a boca no trombone-, Lula, tão emotivo, chora 
no dia da sua diplomação, e não se ouve a voz de uma autoridade se levantar 
para protestar com indignação contra essa falta de pudor, às vésperas do Natal, 
de dobrar seu salário. 
E está tudo dentro da lei, e ninguém pode fazer nada para impedir que isso 
aconteça. E são 15 salários por ano. E são férias no verão e férias em julho, 
para visitar as bases. E eles trabalham de terça a quinta. E se um deputado 
esfaquear a mãe, tem imunidade parlamentar, e muito dificilmente vai parar na 
cadeia. Que beleza. 
Lula está botando as manguinhas de fora para continuar presidente 
indefinidamente, como seu colega Hugo Chavez, só não vê quem não quer. Mas um 
dia a casa cai; não sei se ainda vou estar viva para ver isso acontecer, mas 
que cai, cai, porque estão abusando. 
Estou esperando para ver se algum deputado vai se revoltar com esse aumento. Se 
isso acontecer, vou guardar bem direitinho o nome dele -ou deles-, e tomo uma 
decisão na vida: tirando esses, não cumprimento mais nenhum deputado e nenhum 
senador. 
Não me interessa de que partido é, se votou contra ou a favor de medidas 
corretas para o país, não vou sujar minhas mãos cumprimentando nenhum 
parlamentar que não tenha ido à tribuna para protestar com veemência contra 
esse aumento vergonhoso de salário. 
E no dia que a casa cair, vou estar na rua para ajudar a botar ela abaixo, nem 
que seja com meus gritos, nem que seja jogando uma pedra, mesmo pequena, do 
peso que meus braços permitirem. 
Se eu tivesse passaporte italiano, como d. Marisa, me mudaria de país. Como não 
tenho, vou fazer o que puder para que ele mude, seja lá do jeito que for. Quem 
pensar da mesma maneira pode contar comigo. 
Que arrependimento de não ter anulado meu voto. 

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