Daniela, 

E é verdade. Mas você tem que superar o medo (defendendo o cu, é claro), e 
encarar de frente.
Pode observar que todos os demitidos só abrem o bico depois do fato consumado. 
Pombas, que façam as denúncias antes e segurem a barra. 
Na hora de papo de boteco todo mundo não quer ser mais macho que o outro?
Isso me lembra Fernando Pessoa e você certamente conhece. Mas vale o repeteco.

Poema em linha reta
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

[538]

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

                           *********


Um abração e um ótimo Natal.

Carlos Antônio.



----- Original Message ----- 
From: Daniela Siranouche Guerra Gebenlian 
To: [email protected] 
Sent: Wednesday, December 20, 2006 10:53 PM
Subject: Re: [gl-L] Demitido, reporter da Globo solta o verbo


Carlos, honey, porque, já dizia minha avó, quem tem cu, tem medo!
(Credo, quanta vírgula)

 
Em 20/12/06, ccarloss <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: 

  Boa observação e é esse o problema. Os caras só botam a boca no trombone 
depois que levam o pé no rabo.
  Eu não sou mais nem menos que ninguém. Mas sei que sou melhor que muita gente 
e pior que alguns. Em todos os lugares em que trabalhei sempre bati de frente 
com o que não concordava encarando de frente a barra que poderia vir. 
  Ele pode estar coberto e razão e a Globo não me deve nada e nem eu a ela e 
não estou aqui defendendo um lado ou outro. Mas por que os caras não abrem o 
bico enquanto estão lá dentro? 

  Carlos Antônio.


  ----- Original Message ----- 
  From: Paulo M.M. Lopes 
  To: [email protected] 
  Sent: Wednesday, December 20, 2006 9:58 AM
  Subject: Re: [gl-L] Demitido, reporter da Globo solta o verbo

   
  Se ele não fosse demitido, publicaria esse texto?


    ----- Original Message ----- 
    From: Flávio Freitas 
    To: [email protected] 
    Sent: Wednesday, December 20, 2006 9:30 AM
    Subject: [gl-L] Demitido, reporter da Globo solta o verbo

     
    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1309377-EI6584,00.html 

    Nao li tudo mas nao parece ter dito qualquer coisa nova....

    [][]
    Flavio



 

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