CC
a coisa é um pouco mais complexa que o noticiado
acontece que o contrato era um contrato turn-key fechado que envolvia o
pacote e outras compensações contratuais

a FIRJAN, o CREA e a ANE = academia nacional de engenharia - ong que
pertenço está envolvida estudando a melhor solução...

infelizmente o trabalhador braçal está virando commodity - espero que pelo
menos seja devolvidos as suas origens e não descartados no meio do mar

On 12/22/06, ccarloss <[EMAIL PROTECTED]> wrote:






Publicada em: 21/12/2006

   *A LÓGICA DO CAPITAL* .

A empresa alemã ThyssenKrupp vai "importar" 600 trabalhadores chineses
para a construção de uma usina siderúrgica no Rio de Janeiro. O termo
importação é apropriado, pois os chineses serão tratados como mercadoria.
Virão ao Rio, ficarão instalados num alojamento junto à obra e, encerrado os
trabalhos, retornam à China.

Talvez nem tenham tempo de conhecer o Rio de Janeiro, já que a siderúrgica
será construída no afastado distrito industrial de Santa Cruz. A
globalização chega à mão-de-obra, mas não na mobilidade de cruzar fronteiras
a seu bel prazer, como o capital, mas na forma de pacote fechado de grandes
empreendimentos.

A ThyssenKrupp não está trazendo diretamente os chineses. Ela está
contratando uma empresa chinesa para construção de uma coqueria, que incluiu
no seu preço – barato, naturalmente – a vinda de trabalhadores chineses.
Segundo informação do jornal Valor, a idéia da empresa chinesa era trazer 4
mil trabalhadores, mas o ministério do Trabalho "só" teria autorizado 600.

A lógica do capital é reduzir ao máximo o custo do seu investimento.
Certamente não passou pela cabeça da ThyssenKrupp trazer trabalhadores
alemães, organizados e caros, e até o trabalhador brasileiro foi preterido.
Tem chinês de sobra no mercado, a preço de banana. Melhor, só a escravidão.
Mas essa foi abolida no Brasil, embora alguns empresários e fazendeiros
ainda a utilizem em rincões remotos do país.

Surpreendente, também, principalmente num país governado por um
ex-operário metalúrgico, é a autorização para a importação de mão-de-obra
estrangeira. Se trabalho abundasse por aqui, ainda seria discutível, mas com
os índices de desemprego brasileiros é inadmissível.

Pior ainda é que, além de permitir a vinda da mão-de-obra, o governo vai
conceder isenção de impostos para a importação de bens de capital. Tudo bem
que foi feita a ressalva de que não exista similar nacional, mas daqui a
pouco o país estará pagando pelo investimento.

A situação, além de questionável eticamente, pode ser explosiva. Imagina
como estes chineses serão recebidos pela legião brasileira de desempregados
ansiosa por obras de grande porte que absorvem grande volume de mão-de-obra?
Conflitos podem explodir com conseqüências trágicas.

Para trazer este contingente, a empresa alegou tratarem-se de engenheiros,
o que deveria ser verificado com lupa. Se inicialmente seriam 4 mil
trabalhadores chineses, o que fariam os demais? Depois, 600 engenheiros
parece ser exagerado mesmo para uma obra de porte como a construção de uma
coqueria. Em nenhum momento foi revelado quantos trabalhadores brasileiros
serão empregados na obra civil da coqueria.

O ministério do Trabalho, encabeçado pelo ex-dirigente sindical Luiz
Marinho, tem todas as condições de verificar esses dados. Que o faça antes
que a situação se transforme em novo motivo de vergonha para o Brasil.



Fonte: Direto da Redação.

http://www.diretodaredacao.com/

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