Fonte: UOL Mídia Global

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2006/12/22/ult2680u411.jhtm


     

22/12/2006
Em nome da privacidade do cidadão, tribunal francês proíbe gravadoras de caçar 
piratas da Internet

Thomas Crampton,
em Paris

Um tribunal francês determinou que as gravadoras e outros detentores de 
direitos autorais não podem realizar monitoramentos irrestritos na Internet em 
busca de piratas. A decisão, que poderá fazer com que as gravadoras francesas 
sejam alvo de processos judiciais por invasão de privacidade, joga as regras de 
proteção de dados sancionadas pela União Européia contra as táticas agressivas 
de rastreamento utilizadas pela indústria musical e cinematográfica.

"A decisão do tribunal defende a privacidade do indivíduos contra a intrusão 
das gravadoras", diz Aziz Ridouan, presidente da Associação de Surfistas de 
Áudio, um grupo que defende as pessoas acusadas de fazer downloads ilegais. 
"Isso deverá se constituir em uma mensagem enérgica, e esperamos que beneficie 
as centenas de pessoas que estão se defendendo dessas acusações."

O caso envolveu um usuário da Internet no subúrbio parisiense de Bobigny, cujo 
endereço de IP - um identificador único de cada computador - foi rastreado 
enquanto ele utilizava o software Shareaza. "Os detentores de direitos autorais 
descobriram o IP do meu cliente e o entregaram à polícia", diz Olivier Hugot, o 
advogado de defesa, que se recusou a fornecer o nome do seu cliente. "A 
anulação do caso é importante porque ela tem um impacto direto sobre as táticas 
usadas pelas companhias de gravação em dezenas de casos na França."

A organização responsável por rastrear os usuários da Internet, a Sociedade de 
Autores, Compositores e Publicadores de Música, minimizou o impacto da decisão 
do tribunal, e informou que pretende recorrer. 

"Esta é apenas uma decisão isolada em meio às várias ações que movemos com 
sucesso", diz Sophie Duhamel, diretora de comunicação da organização. "Mas devo 
acrescentar que não foi bom contar com essa decisão na jurisprudência."

A decisão do tribunal envia uma mensagem enérgica sobre a questão da 
privacidade, diz Mathias Moulin, um assessor legal do departamento de 
fiscalização do governo francês encarregado de defender a privacidade na 
Internet, a Comissão Nacional de Tecnologia e Liberdade de Informação. "Os 
detentores de direitos autorais terão agora que entender que não podem criar um 
sistema de identificação dos indivíduos que fazem downloads na Internet caso 
não uma autorização apropriada obtenham junto a nós", avisa Moulin, cuja 
organização tem poderes para fornecer tal permissão. "É importante que esses 
dispositivos de proteção sejam estabelecidos por um tribunal."

Segundo Moulin, a invasão da privacidade do cidadão pode implicar em uma multa 
de até 300 mil euros, ou US$ 395 mil, além de cinco anos de prisão. 

Embora caiba aos indivíduos mover tais ações na Justiça, uma organização 
apoiada pelo governo está cogitando processar as entidades que realizaram esse 
tipo de monitoramento. 

"Não sabemos quantas famílias ou indivíduos foram monitorados antes que eles 
decidissem entrar com processos", diz Jean-Pierre Quignaux, um representante da 
União Nacional de Associações Familiares, apoiada pelo governo. "Tendo em vista 
a decisão do juiz, estamos pensando em mover ações contra aqueles que invadem a 
privacidade dos cidadãos para identificar quem faz download de músicas."

A lei francesa de privacidade se baseia em uma diretriz da Comissão Européia, 
mas é improvável que a decisão gere impacto para além da França, devido às leis 
nacionais de cada país. 

Tradução: 

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