JUSTIÇA DETERMINA DESBLOQUEIO DO SITE YOUTUBE NO BRASIL

O desembargador da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justi-
ça de São Paulo, Ênio Santarelli Zuliani,  divulgou um novo despacho 
nesta terça-feira (09)  sobre o caso Daniela Cicarelli  e o site de 
vídeos Youtube. No texto, Zuliani pede a liberação do Youtube ainda 
hoje e mantém a determinação "para que se tomem providências no sen-
tido de bloquear o acesso ao vídeo de filmagens do casal, desde que 
seja possível,  na área técnica,  sem que ocorra interdição do site 
completo".  

Pede ainda que as empresas de telecomunicações informem as razões 
técnicas da suposta impossibilidade de bloquear somente os endereços 
eletrônicos que dão acesso ao vídeo.

Apesar de Zuliani ter determinado a volta da página,  ela continua 
inacessível para milhões de usuários.  Brasil Telecom e Telefônico, 
as empresas de telecomunicações que haviam aderido ao bloqueio, ainda
não reverteram a situação. Embratel, a LANautilus (companhia do grupo
Telecom Itália) e a Global Crossing não haviam instalado os filtros 
para impedir a navegação de brasileiros no YouTube.

O desembargador ordenou a liberação do site,  mas não descarta a 
hipótese de "medidas drásticas, como o bloqueio preventivo do site, 
por trinta dias ou mais, até que o Youtube providencie a instalação 
de software, com poder moderador das imagens cuja divulgação foi 
proibida".  Essa decisão compete à Turma Julgadora do caso, diz o 
texto. 

O mesmo despacho afirma ainda que "o bloqueio do site está gerando 
uma série de comentários, o que é natural em virtude de ser uma ques-
tão pioneira, sem apoio legislativo".  Zuliani disse também que "o 
incidente serviu para confirmar que a Justiça poderá determinar me-
didas restritivas, com sucesso, contra as empresas, nacionais e es-
trangeiras, que desrespeitarem as decisões judiciais. Nesse contexto,
o resultado foi positivo". 

Por mais que o Google, empresa responsável pela página, obedeça às 
ordens judiciais e exclua o vídeo, é bastante provável que os inter-
nautas continuem divulgando-o no site, criando uma batalha sem fim. 
Os filtros usados para esse tipo de controle devem identificar pala-
vras relacionadas ao namoro da modelo na praia, mas é possível "mas-
carar" o conteúdo proibido com outros termos que burlem os filtros.  

A decisão afetou pelo menos 5 milhões de pessoas que utilizam os três
provedores da Brasil Telecom -- IG, iBest e BrTurbo. A Telefônica não
divulga a quantidade de internautas impedidos de navegar na página 
censurada.  O desembargador ordenou a instalação de filtros em cinco 
companhias que recebem dados enviados do exterior para o Brasil (as 
operadoras de backbones).

Divergências 

As afirmações desta terça dão fim à polêmica envolvendo o caso. 
Apesar de o desembargador reiterar diversas vezes, via assessoria de 
imprensa, que a decisão referia-se somente ao vídeo, esse não foi o 
entendimento do processo, segundo advogados ouvidos pelo G1.  Além 
disso, a ordem judicial recebida por empresas de telecomunicações 
falava no bloqueio de todo o site. 
 
Nesta segunda-feira (08), uma fonte do Tribunal de Justiça ligada ao 
caso reforçou ao G1 que a intenção da decisão era restrita à retirada
das imagens da apresentadora de TV do ar, e não toda a página.  Por 
outro lado, o advogado Rubens Decoussau Tilkian, representante dos 
interesses do casal, defendia que a filtragem referia-se à página. Em
entrevista ao G1, ele garantiu que os filtros impediriam o acesso a 
todo o conteúdo, e não apenas o vídeo em que sua cliente aparece com 
o namorado.


[G1]
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,AA1413596-6174-363,00.html



















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