amoralidades
 
pois eu separei um monte de DVD e vou ficar no rio esta cidade ainda 
maravilhosa fazendo um monte de comidinhas
o rei momo pegou  a chave da cidade
eu fico com a parte nao ocupada
como os restaurantes e os cinemas
daqui a cinco dias devolvo a cidade e fujo de volta para serra

  _____  

De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de marco 
figueiredo
Enviada em: Friday, February 16, 2007 6:07 PM
Para: [email protected]
Assunto: Re: [gl-L] Maioridades penais





 
contribuição ao debate :a fabrica de miseráveis que aos 16 anos elegerão 
oPresidente da Republica ou inflarão as estatisticas criminais : 
DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO, JÁ !!! 
 
após breve pausa, de volta para a cerveja e à "meditação" em Floripa ( BOM 
CARNAVAL A TODOS !!! )
 
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A multiplicação da pobreza (Revista Veja - 9/6/2004) 

Nos bolsões de miséria do Brasil, o número de filhos por mulher se iguala ao 
dos mais pobres países africanos 


NESTA REPORTAGEM 
Gráfico: Queda menor no Norte e Nordeste 
Gráfico: Na Europa faltam bebês 

EXCLUSIVO ON-LINE 
Taxas de crescimento de outros países 


Para definir a taxa de fecundidade "ideal", que aponta para a estabilização do 
crescimento populacional de um país, demógrafos partiram de um pressuposto 
simples: o de que crianças são geradas por duas pessoas que, um dia, irão 
morrer e deverão, portanto, ser substituídas por outras duas. A chamada "taxa 
de reposição" é, por esse motivo, de 2,1 filhos por mulher. O Brasil já teve 
uma média quase três vezes superior a essa. Hoje, as famílias têm, em média, 
2,3 crianças – índice bem próximo do necessário para o equilíbrio populacional. 
Estaria tudo muito bem não fosse o fato de que essa aparente normalidade 
escamoteia uma realidade preocupante: a de que persistem no mapa brasileiro 
regiões onde as mulheres têm um bebê por ano e chegam ao fim de sua vida fértil 
com mais de vinte filhos, reproduzindo um quadro semelhante ao exibido por 
países tão miseráveis quanto Somália e Uganda, na África. Mais grave que isso: 
diferentemente do que ocorria até pouco tempo atrás, esses bolsões de 
descontrole populacional não se situam apenas em rincões, mas nos grandes 
centros urbanos também – as favelas se tornaram ilhas de explosão demográfica 
dentro das metrópoles. 

Um dado extraído do Censo do IBGE indica que, na última década, a população de 
favelas aumentou num ritmo quase três vezes superior à média brasileira. As 
maiores expansões ocorreram nas cidades de São Paulo, Belém e Rio de Janeiro. 
Nesta última, enquanto a população cresceu a uma taxa de 0,74% ao ano na década 
passada, o número de habitantes de favelas aumentou a um ritmo de 2,4%, segundo 
pesquisa feita pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, em 
conjunto com o Instituto Pereira Passos. Ao decomporem os fatores responsáveis 
pelo crescimento populacional nesses bolsões, os pesquisadores concluíram que a 
razão principal (com peso de 35%) foi o aumento da fecundidade, seguido pela 
imigração (com peso de 17%). Há outros elementos que, isoladamente, tiveram 
influência menor, como o aumento da expectativa de vida e a chegada de pessoas 
empobrecidas da própria cidade. Uma projeção feita pela Fundação Getúlio Vargas 
indica que a população favelada brasileira irá mais do que dobrar nos próximos 
dez anos: poderá chegar a 13,5 milhões de pessoas caso o ritmo de crescimento 
populacional nessas áreas permaneça estável. 


As favelas encravadas em centros urbanos não compartilham o isolamento dos 
minúsculos municípios rurais, mas se assemelham a eles em outro aspecto: os 
baixos índices de educação formal. Segundo pesquisa do Centro de Políticas 
Sociais da Fundação Getúlio Vargas, os habitantes das favelas do Rio de 
Janeiro, as mais populosas do Brasil, estudam, em média, 4,5 anos – pouco mais 
da metade do tempo que permanece na escola a média dos moradores da cidade. 
Além da pouca escolaridade, há outras razões que explicam as altas taxas de 
fecundidade nesses locais. Em meados da década de 80, técnicos do Banco Mundial 
desembarcaram na favela da Rocinha, a maior do Rio, com o objetivo de 
desenvolver um programa de planejamento familiar. Os resultados foram 
insatisfatórios. Ao retornarem ao local para entender os motivos do fracasso da 
iniciativa, concluíram que ele se deveu, em grande parte, ao peso que certos 
aspectos culturais tinham sobre a gravidez. As mulheres declaravam que tinham 
filhos porque com isso ganhavam "status e respeito" na vizinhança, além de 
conquistar "independência dos pais". Já os homens diziam que se sentiam "mais 
viris" com a paternidade. 

Há muito se sabe que é um equívoco creditar ao simples aumento da fecundidade o 
crescimento da pobreza e da desigualdade. Fosse assim, o contrário também 
deveria ser verdadeiro: o fato de o Brasil ter atingido uma média geral de 
nascimentos quase idêntica à dos Estados Unidos (2,0 filhos por mulher) levaria 
por si só a que, num futuro próximo, sua economia se tornasse tão reluzente 
quanto a de um país desenvolvido. Os números comprovam, porém, que existe um 
vínculo estreito entre o crescimento populacional e o desenvolvimento de uma 
economia. As mais pobres regiões brasileiras são as que têm as mais altas taxas 
de fecundidade. Nas mais ricas, é o oposto. A cidade com o menor índice de 
fecundidade do Brasil, São Caetano do Sul (SP), é a que apresenta a segunda 
maior renda per capita do país. O mesmo ocorre no âmbito das famílias: em lares 
onde a renda per capita não supera um quarto de salário mínimo, há em média 
cinco filhos, segundo o IBGE. Quando essa renda ultrapassa cinco salários 
mínimos, predomina o filho único. O alto número de filhos seria a razão da 
pobreza ou sua conseqüência? As duas coisas, respondem especialistas. Com 
muitos filhos, uma família com renda já escassa fica com o orçamento ainda mais 
espremido. As crianças são forçadas a largar os estudos para trabalhar e, 
assim, diminuem suas chances de superar a condição de pobreza. Sabe-se também 
que mulheres que não tiveram acesso ao estudo têm até três vezes mais filhos do 
que as que cursaram a universidade. "As altas taxas de fecundidade funcionam 
como uma espécie de combustível que faz girar um ciclo perverso de miséria", 
observa o economista Marcelo Neri, da FGV. 

Carlos Goldgrub

Espanha: muitos idosos, poucos bebês 


O processo de urbanização foi um dos fatores que contribuíram para refrear o 
aumento populacional no Brasil. Ao trocarem o campo pela cidade, as pessoas 
passaram a ter acesso a serviços públicos como saúde e educação. A 
universalização da previdência também influenciou na redução dos nascimentos, 
sobretudo porque fez arrefecer a crença, até hoje persistente em áreas rurais, 
de que a única fonte de renda na velhice viria do trabalho dos filhos – o 
benefício fez diminuir o temor dos brasileiros de chegar à velhice sem nenhum 
tostão. Um estudo feito na década de 70 chegou à curiosa conclusão de que as 
telenovelas foram outro fator a ajudar no encolhimento dos lares. "Como a 
maioria delas exibia famílias de dois filhos, o padrão acabou influenciando os 
casais", diz a demógrafa Elza Berquó, do Núcleo de Estudos da População da 
Unicamp, que participou da pesquisa na época. 

A história das políticas de planejamento familiar é cheia de idas e vindas. 
Embora a distribuição de preservativos pelos hospitais públicos tenha começado 
nos anos 70, foi só a partir de 1996, por força de lei, que camisinhas e 
anticoncepcionais começaram a chegar sistematicamente às regiões mais pobres e 
distantes das grandes cidades. Agora, o governo federal está preparando um 
pacote de medidas, a ser anunciado ainda neste mês, que promete aumentar a 
opção de anticoncepcionais ofertados pelo Estado e dobrar o número de hospitais 
públicos que fazem esterilizações, hoje disponíveis em menos de 10% dos 
municípios brasileiros. A interferência governamental exige precisão cirúrgica 
para que não cause danos difíceis de reverter. O Brasil já exibe uma queda 
consistente nas taxas de crescimento populacional. Uma ação generalizada 
poderia acelerar perigosamente essa tendência. Demógrafos afirmam que é muito 
mais fácil diminuir a taxa de fecundidade do que aumentá-la. 

Há anos a Europa assiste à diminuição de sua população. A situação é 
particularmente grave em países como Itália, Espanha, Alemanha e Suíça, todos 
com crescimento populacional próximo de zero. Diante da perspectiva de 
diminuir, esses países passaram a implantar programas de estímulo à natalidade, 
que incluem de abatimento no imposto de renda a licença remunerada de até um 
ano para os candidatos a pais. Na Itália, que junto com a Espanha tem a menor 
taxa de natalidade da Europa (1,2 filho por casal), o problema ganhou 
proporções tão dramáticas que a Igreja resolveu interferir: "Italianos, façam 
filhos", foi o slogan da campanha lançada há dois anos. Nem o incentivo da 
Igreja Católica nem as benesses oferecidas pelo governo estão dando resultados. 
Projeções indicam que tanto a Itália quanto a Suíça estão prestes a ter 
crescimento populacional negativo. Ou seja, encolherão de fato. Assim como a 
Alemanha, a Itália já afrouxou as exigências para a entrada de imigrantes 
dispostos a trabalhar – a única maneira de manter a economia funcionando nos 
níveis atuais. 

No Brasil, embora o crescimento populacional continue caindo, as regiões pobres 
e, sobretudo, as favelas vêem agravar-se fenômenos que apontam na direção 
contrária, como o aumento da gravidez na adolescência, por exemplo. O último 
censo mostrou que mulheres de baixa renda estão tendo filhos cada vez mais 
cedo. Nos últimos dez anos, aumentou em 42% o número de mães pobres na faixa de 
15 a 19 anos. "A ação do governo tem de ser precisa e baseada em estudos que 
ataquem problemas localizados como esse", diz o demógrafo Paulo Murad Saad, da 
Divisão de Populações da Organização das Nações Unidas. Ou seja, regiões com 
diferentes níveis de instrução e riqueza têm de ser alvo de políticas 
específicas. 

"Muitos filhos ajuda no trabalho"


Edimar Farias/Imapress

Mercedes (em pé), com doze dos dezessete filhos 

O município de Bagre, a catorze horas de barco de Belém, no Pará, orgulha-se de 
ser a terceira cidade brasileira com a maior média de nascimento de filhos por 
mulher (7,3), perdendo apenas para Tartarugalzinho e Pracuuba, ambas no Amapá. 
Segundo o IBGE, 39% das 2 521 mães do município têm mais de seis filhos. Há 
três anos, a prefeitura organizou um concurso para eleger a dona da maior prole 
da cidade. As finalistas foram uma mulher de 45 anos e outra de 38, cada uma 
com 22 filhos. O atual prefeito de Bagre, Pedro Santa Maria, tem explicação 
singela para a excepcional fertilidade da cidade: "Menos de 30% das residências 
daqui têm televisão", diz. "Isso faz do sexo umas das principais opções de 
lazer da nossa população." Há, sem dúvida, outras razões. 

Bagre tem renda per capita anual de 20 dólares (a média nacional é de 2 800 
dólares) e metade da população ganha menos de 25% do salário mínimo. Mais de um 
terço dos seus 8 792 habitantes em idade escolar nunca entrou numa sala de aula 
e outros 40% não estudaram mais que três anos. À miséria e à baixa escolaridade 
soma-se o fato de que só recentemente a cidade ouviu falar em planejamento 
familiar. "O governo começou a distribuir pílulas e preservativos apenas em 
2001", diz o secretário de Saúde municipal, Carmelino Nunes. A iniciativa, ao 
que parece, deu poucos resultados até agora. Apenas 32 casais, 25 homens 
solteiros e 29 mulheres vão ao posto de saúde regularmente retirar 
preservativos e só 39 mulheres comparecem ao local em busca de pílulas. "É 
quase nada, mas é muito quando se sabe que estamos em um lugar em que os homens 
não admitem usar camisinha e, muitas vezes, proíbem às mulheres que se 
consultem com ginecologistas", afirma o secretário Nunes. 

Como ocorre em boa parte das regiões mais pobres do Brasil, com economia 
baseada no extrativismo e na agricultura familiar, muitos casais desejam 
famílias grandes baseados na crença de que cada filho é um par de braços a mais 
para trabalhar na lavoura. "O bom de ter muitos filhos é ter mais gente para 
ajudar no trabalho quando precisa", diz Mercedes dos Santos, 41 anos, dezessete 
filhos e uma única fonte de renda fixa: os 95 reais do programa do governo 
federal Bolsa Família. 



 

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