Só reavivando a memória.

Carlos Antônio.

Eonte : Direto da Redação.

http://www.diretodaredacao.com/


     

      Publicada em: 17/02/2007 

     
        A CURTA MEMÓRIA DO BRASILEIRO ( Laís Legg da Silveira Rodrigues ) 
      . 
      Diante do horror que foi a morte do menino João Hélio, deparo-me com o 
segundo assombro: a curta memória do brasileiro. 

      Há cerca de um mês, outro menininho foi incendiado dentro de um carro 
junto com seus jovens pais e uma amiga. Esta sobreviveu e conseguiu tirá-lo do 
automóvel em chamas. Com quase todo o corpo queimado, ele saiu desesperado 
pelas estradas próximas, deparando-se com o delegado de polícia e agarrando-se 
a este em estado de choque. Vi o delegado chorar diante das câmeras de TV ao 
relatar o fato. A amiga dos pais viveu algumas horas, o tempo suficiente para 
reconhecer os assassinos. O menininho também não resistiu e acabou indo a óbito.

      Hoje, o menino da vez é João Hélio e o anterior já foi esquecido. Não vi 
ninguém citar o outro caso em todas as reportagens que li e assisti.

      O bandido da vez, que dirigia o automóvel e arrastou João até a morte era 
oriundo da famigerada "progressão de regime". Deveria estar preso e não estava, 
beneficiado por contas matemáticas, sem que a psiquiatria, a única e legítima 
medicina da mente fosse ouvida.

      Perguntem a qualquer psiquiatra se um sociopata é "ressocializável". 
Todos dirão, em uníssono, que não. Tal distúrbio mental é incurável, todos os 
compêndios de Medicina do mundo salientam. Como, então, "ressocializar" alguém 
com tal aberração mental? E dentro dos nossos presídios, ainda por cima?

      Sugiro aos legisladores, aos Magistrados e aos membros do Ministério 
Público que leiam o artigo "Bad boys, bad men", de autoria do Professor Donald 
Black, da Universidade de Iowa-USA. E que implante-se, imediatamente, o exame 
psiquiátrico para os apenados. Saibam, senhores, que a grande maioria da 
população carcerária é composta de sociopatas, pessoas ego sintônicas, que não 
sofrem com o que causam aos outros, não resistem ao impulso de praticar ações 
prejudiciais a terceiros, sentem prazer pela maldade que inflingem, têm 
incapacidade de amar, ausência de "insight", falha em aprender a partir de 
experiências passadas, embotamento afetivo, não sentem culpa ou remorso, são 
insensíveis moral e eticamente e podem conviver em sociedade sem que os 
sintomas sejam notados fora da situação específica do crime.

      Enquanto escrevo este artigo, outra criança, provavelmente, está sendo 
vítima de alguma crueldade. 

     

Laís Legg da Silveira Rodrigues é médica psiquiatra e perita judicial. Vive em 
Porto Alegre (RS) e seu email é [EMAIL PROTECTED] 

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