O texto é muito bonito, porém se alguém na INTERNET me
perguntasse a idade, minha resposta seria: 

 

Minha idade é aquela que você quiser, serei velho se o desejar, jovem se
preferir, minha idade é como o vento, nunca tem forma e muda de direção
conforme o barqueiro muda a vela, vi Cristo na manjedoura, ainda não sei
quando nascerei, tudo é relativo e a alma não envelhece, não morre nem
nasce...

 

[]’s

 

Paulo H G Jorge

Visitem meu BLOG: http://phgj.spaces.msn.com/ 

"No começo, muitos de nossos sonhos parecem impossíveis, para logo parecerem
apenas improváveis e, no final - quando usamos plenamente nossa vontade - os
tornamos inevitáveis."
Christopher Reeve (1952-2004)

 

From: [EMAIL PROTECTED]
[mailto:[EMAIL PROTECTED] On Behalf Of ribeiro.vera
Sent: Tuesday, March 13, 2007 11:47 PM
To: [EMAIL PROTECTED]
Subject: [ Mistura-Fina ] Idade

 

Achei uma certa coincidência ter recebido esse texto de uma amiga. Há poucos
dias, dando um delicioso mergulho, pensei nisso...o mergulho tinha exatamente
o mesmo gosto que sentia aos dez anos.

QUAL É SUA IDADE?
Aldo Cordeiro

Numa noite dessas, entrei numa sala de bate-papo. Meu apelido: Alan/RJ - um
pedacinho do meu nome e uma imediata localização geográfica: do Rio para o
Brasil... câmbio. 
Dialogo com algumas mulheres que, logo de cara, me fazem uma mesma pergunta:
quantos anos você tem? 
Mais importante do que o que penso e sinto, se tenho alguma religião ou o que
estudei, se sou pai, se gosto das árvores e das águas do mundo ou se, ao
contrário, espero o mar pegar fogo pra comer baleia assada. 
Ninguém me perguntava se gosto de cinema, de música, de ver o por-do-sol... 
Parafraseando Saint-Exupery, através do seu Pequeno Príncipe: pra algumas
pessoas, é mais importante o tamanho da minha casa do que a felicidade que
sinto em estar dentro dela.
Outro dia, falei pra alguém que havia reencontrado a minha estrela na música,
a Françoise Hardy,
através da Internet. E ele, perplexo: ué, mais ela está uma velha, não? Sim,
e daí? Estrela tem idade? 
Ela foi, por muito tempo, um colo em forma de voz, que embalava meu sono. Da
mesma "idade" que o Chopin e a Enya.
Qual é a minha idade? Pergunto a mim mesmo. Oportuna dúvida, no último dia do
mês do carnaval: 
foi exatamente num dia assim, prenúncio do mês de São José, que começa
amanhã, com suas promessas de chuvas, suas águas "fechando o verão", que vi,
pela primeira vez, o telhado da minha casa, pelas mãos de Dona do Carmo, a
competente parteira da família.
Faço de contas que não sei em que ano nasci e viajo nas minhas possíveis
idades. Antes de começar a rabiscar essas linhas, dancei, por umas duas
horas, uma seleção de baladas do Elton John, de batidas rigorosas que embalam
a voz africana de Youssou N'Dour e da guitarra do Santana. Idade enquanto
dançava? 25 anos. 
A mesma que tenho quando acompanho a bateria de um bloco de carnaval.
Incansável, feliz.
Assisto a um jogo do Flamengo, que perde, novamente. Fico descabelado e
agitado, como um garoto de 18 anos - aquele torcedor do Guarani de Juazeiro
do Norte, uma pequena mas ruidosa nação rubro-negra.
Às vezes, falta um colo. Apenas por alguns instantes, volto aos doze anos e
ao colo que nunca estava disponível. 
Outras vezes, reclamo e brigo com algum colega de trabalho. E ficamos com
sete anos, no meio de nossos argumentos, que pretendem encerrar a discussão
como se fosse um jogo de crianças: um perde, outro ganha.
E se o desejo for maior do que a razão, a lata de leite condensado vira um
delicioso peito, por onde escorre o líquido precioso...
Tempo, incessante palco da vida, sempre brincalhão, misturando papéis e
cenas. Não é assim? 
Ou vocês não sentem vontade de brincar de roda, de vez em quando? 
Quem não sonha, um dia na vida, em trocar os rígidos papéis da segurança
afetiva por uma inocente brincadeira de maçã, pêra, salada mista, numa noite
de luar?
Nesse tempo de estrada, tive alguns relacionamentos amorosos. Em alguns, fui
maduro (será?), em outros fui criança, inconseqüente e, na quarta-feira de
cinzas, até chorei como um velho sozinho, no final do carnaval. 
Algumas vezes, mais que amante, fui amigo, transcendi a idade.
Tenho uma filha, pequena companheira de jornada nos últimos nove anos. 
Tem momentos em que preciso me sacudir pra não trocar de lugar com ela. 
Em outros momentos, vem a ferrugem e é ela que me sacode: pai, vê se balança
o corpo pra não parar no início da minha viagem. 
Concordo, prontamente, e saio correndo atrás do próximo bloco. Já tive
ilusões coletivas. 
Sonhei que todas as pessoas do mundo poderiam ser mais puras e amigas,
alimentadas e felizes. 
Não foram os anos passados que me quebraram os sonhos. 
Foi a percepção da realidade de uma espécie incorrigível e doentia, o ser
humano, que veio ao sol - 
com o aval divino, acreditam muitos - para destruir o planeta e as próprias
utopias. Exagero? 
Também acho, por isso mantenho uma ponta de esperança em algum lugar do
coração e uma porta por onde cultivo amizades e sonhos mais simples,
possíveis.
Qual é a minha idade? Depende da paixão, da música, da fogueira em torno da
qual nos reunimos, do seu sorriso, do sabor de um beijo, da dança das árvores
ao sabor do vento, da inspiração que nasce no meio da noite, da vitória do
meu time e, por que não, do seu. 
Depende da sua alegria, de sua disponibilidade para me ajudar a encontrar,
sempre, o bom caminho.
Paro de escrever e bebo um gole d'água. Bebo e brindo à liquidez da vida.
Eterna água, meu berço. 
Um dia, retorno. Hoje, por mais um ano, agradeço ao abraço do universo, ao ar
que respiro a aos frutos da mãe terra que me alimentam.
Minha idade é do tamanho - infinito - de um abraço. 
O nosso.

 

 

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