A Justiça Federal de São Paulo cancelou o certificado
de entidade filantrópica da FAAP (Fundação Armando
Álvares Penteado). A escola e quatro de seus diretores
foram condenados a restituir aos cofres públicos as
contribuições previdenciárias que deixou de recolher
no período de 1996 a 2002. A Previdência estima que o
valor roça a casa dos R$ 100 milhões.


INSS detecta de notas frias a despesas esdrúxulas

Vão abaixo alguns exemplos das irregularidades que,
detectadas pela fiscalização do INSS, motivaram a
sentença que condenou a FAAP à perda do certificado de
filantropia e à restituição aos cofres públicos de
cerca de R$ 100 milhões:

1. A empresa Raed Consultoria Planejamento e Comércio
Ltda. emitiu contra a FAAP, entre 1995 e 2000, faturas
que ultrapassam a casa dos R$ 4 milhões. A escola não
conseguiu demonstrar aos auditores os serviços que
motivaram a despesa. Nos cadastros da Receita Federal,
a Raed figura como uma empresa inapta. Suas duas
sócias, Noêmia Gouveia de Souza e Celina Leopoldina
Ferreira estão inscritas nos cadastros da Previdência
como vendedora ambulante e faxineira, respectivamente.

2. entre 1995 e 2002, a FAAP repassou R$ 2,9 milhões à
Câmara Paulista de Avaliações e Perícias por supostas
prestações de serviços. Os fiscais verificaram que os
valores lançados nos livros contábeis da escola não
batem com as cifras anotadas nas faturas guardadas nos
arquivos da Câmara Paulista. Aos exemplos: a nota
fiscal 16, traz expresso o valor de R$ 36.400. Nos
livros da FAAP, a despesa subiu para R$ 236 mil. As
notas 55 e 57 (R$ 80 mil e R$ 76 mil), foram aos
livros como gastos de R$ 280 mil e R$ 276 mil. Nos
meses de novembro e dezembro de 2002, a FAAP lançou em
sua contabilidade supostos pagamentos à Câmara
Paulista de R$ 840.323,20. Perscrutando as contas do
prestador de serviço, os fiscais verificaram que,
nesses mesmos meses, o faturamento da Câmara foi de
míseros R$ 800, em novembro, e R$ 1.820, em dezembro.

3. os diretores da FAAP dispõem de cartões de crédito
corporativos bancados pela escola. Os auditores do
INSS detectaram faturas que incluem despesas,
realizadas no Brasil e no exterior, incompatíveis com
a natureza filantrópica da entidade: refeições em
restaurantes finos e hospedagens em hotéis de luxo que
incluem o alojamento de cônjuges, por exemplo. Há, de
resto, despesas esdrúxulas. 
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Um dos diretores adquiriu, em 1996, três livros
identificados no processo judicial com os seguintes
títulos de capa: “100 Formas de Furtar Honradamente”,
“Como Emagrecer Trepando” e “Guia Completo de
Submarinismo.”
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O título de entidade filantrópica concedido à FAAP
resulta numa renúncia fiscal de cerca de R$ 1 milhão
por ano. É dinheiro que deixa de ingressar no
orçamento público voltado às áreas da saúde e
assistência social. A entidade alega que,
diferentemente do que sustentam a auditoria do INSS e
o Ministério Público, realiza, sim, atividades de
benemerência. 

Para a FAAP, todas as despesas tipificadas como
irregulares na ação acatada pela Justiça são voltadas
à sua atividade fim, ou seja, o ramo educacional. Por
isso irá recorrer da sentença que cassou-lhe o
certificado de filantropia e impôs a restituição das
contribuições previdenciárias que deixou de recolher
aos cofres públicos.

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