o pior que não
as pessoas estão ainda pré-galileu
tanto que mereceu um artigo dominical

  _____  

De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em
nome de Paulo Sérgio Pinto
Enviada em: Monday, March 26, 2007 11:57 AM
Para: [email protected]
Assunto: Re: [gl-L] Solidão cósmica



A conclusão é estatística de jesuíta e obscurantismo de dominicano.
Pensava-se que esse tipo de raciocínio geocentrista tivesse sido enterrado
na idade média.


akleber wrote: 


para ler e pensar
publicado este domingo na FSP
 
doe SANGUE
visite:
 <blocked::outbind://122/www.youtube.com/watch?v=JKz2pON5pI0>
www.youtube.com/watch?v=JKz2pON5pI0
Associação Thalamus ( <blocked::outbind://122/www.thalamus.org.br>
www.thalamus.org.br)



São Paulo, domingo, 25 de março de 2007         

        
        

        Próximo  <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2503200702.htm>
Texto | Índice <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/inde25032007.htm>  

Marcelo Gleiser

Solidão cósmica 


De 1 milhão de mundos com vida, uma pequena fração terá vida multicelular 

Nos últimos 15 anos, astrônomos confirmaram algo que muitos cientistas e,
antes deles, filósofos, suspeitavam: o Sol não é a única estrela que tem
planetas girando à sua volta. Os planetas nascem juntamente com as estrelas,
como conseqüência da implosão gravitacional de nuvens ricas em hidrogênio,
hélio, oxigênio e muitos outros elementos. Ou seja, nosso Sistema Solar não
é especial, ao menos no que tange ao fato de ter planetas e luas em órbita
de uma estrela central.
Vamos então supor que, em média, as estrelas tenham ao redor de si em torno
de cinco planetas e um número indefinido de luas. Claro, algumas vão ter
mais planetas, outras menos -ou até nenhum planeta. Mas a suposição é
razoável dentro do que sabemos hoje. Como existem em torno de 200 bilhões de
estrelas na nossa galáxia, a Via Láctea, nossa suposição implica que cerca
de um trilhão de planetas, um trilhão de mundos, circulem pela nossa
"vizinhança" cósmica. As aspas são um lembrete de que por vizinhança quero
dizer apenas a nossa galáxia, com um diâmetro de 100 mil anos-luz. 
Uma vizinhança aparentemente grande mas ínfima na escala cósmica, onde
existem algumas centenas de bilhões de galáxias, cada qual com seus milhões
ou bilhões de estrelas. Desse trilhão de planetas em nossa galáxia, talvez
1% esteja localizado na "zona habitável", o cinturão que define a distância
entre planetas e estrela na qual é possível que exista água líquida: muito
perto da estrela o calor evapora a água; muito longe, o frio a congela. No
Sistema Solar, a Terra é o único planeta na zona habitável. Mas veja que
mesmo essa regra é apenas relativamente útil: Europa, uma das luas de
Júpiter -portanto, fora da zona habitável-, tem um oceano de água salgada
sob uma crosta de gelo que cobre toda a sua superfície, como um bombom com
licor dentro, duro por fora e líquido por dentro. 
Desse 1% de planetas com água líquida, em torno de 10 bilhões em nossa
galáxia, quantos podem ter desenvolvido vida? Ninguém sabe ao certo. Porém,
o que vemos aqui na Terra é que a vida é extremamente criativa e resistente:
bactérias foram encontradas sob o gelo das calotas polares, ao redor de
chaminés submarinas onde a água ferve e não existe luz ou oxigênio, e até
mesmo em piscinas usadas para resfriar reatores nucleares. Dado que as
mesmas leis da química e da física valem em todo o cosmo, não é absurdo
supor, e, de fato, não vejo como pode ser diferente, que as leis da
bioquímica e da biologia também valham em todo o Universo. Conseqüentemente,
é muito provável que formas de vida primitiva tenham aparecido em outros
mundos com água líquida. 
Digamos que 0,01% dos mundos com água líquida tenham vida, um em cada 10
mil. Ficamos com 1 milhão de mundos na Via Láctea com alguma forma de vida
primitiva. Quantos desses mundos desenvolvem seres multicelulares? Mais uma
vez, ninguém sabe. Aqui na Terra, a vida permaneceu unicelular por quase 2
bilhões de anos. O pulo para seres multicelulares é difícil. Para seres
complexos, como répteis ou mamíferos, maior ainda. 
Portanto, desse 1 milhão de mundos com vida, uma pequena fração terá vida
multicelular. Qual? Ninguém sabe. Digamos 0,01%, o que nos deixa com cem
mundos. Deles, talvez alguns tenham vida inteligente, um punhado deles. Ou
talvez apenas um, o nosso. Difícil aceitar essa solidão cósmica. Mas pelo
que sabemos hoje, ela parece ser inevitável. O que nos torna raros e
preciosos. 

  _____  

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em
Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo" 



 

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