Mas eu estou concordando totalmente com o UBALDO.
Só fiz reforçar a opinião em vez de apenas dizer que estava com ele em GNG.
Quem anda bebendo  por aqui?

Carlos Antônio.



----- Original Message ----- 
From: akleber 
To: [email protected] 
Sent: Monday, March 26, 2007 12:00 PM
Subject: RES: [gl-L] Esquentando os motores


guarda um pouco da marvada que tu tá bebendo para o nosso encontro que deve ser 
da boa....

a mensagem do UBALDO, aquele escritor que agora o CHEESEBURGÃO, engenheiro que 
virou suco, desconhece, é exatamente esta:


                                - Nada de reclamar que o homem não está fazendo 
nada! - gritou ele, no meio de uma discussão política no bar de Espanha. - 
Vocês vão reclamando, vão reclamando e aí de repente ele vence a preguiça e faz 
alguma coisa, e aí mesmo é que nós vamos estar cafuletados, deixa o homem 
enrolar!



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De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de ccarloss
Enviada em: Monday, March 26, 2007 11:25 AM
Para: [email protected]
Assunto: Re: [gl-L] Esquentando os motores



Sei não. Considerando que comprovadamente tudo que o atual governo faz resulta 
em merda, é melhor mesmo deixá-lo parado. Se não saímos do buraco, pelo menos 
não afundamos mais.

Carlos Antônio.


----- Original Message ----- 
From: akleber 
To: [email protected] ; [EMAIL PROTECTED] ; [EMAIL PROTECTED] ; 
[EMAIL PROTECTED] 
Sent: Sunday, March 25, 2007 10:05 AM
Subject: [gl-L] Esquentando os motores


há os que não gostam dos textos do João Ubaldo, há os que não aceitam os fatos 
que estão ocorrendo...

eu prefiro ficar na segunda turma

"deixa o homem enrolar!" sic

doe SANGUE
visite:
www.youtube.com/watch?v=JKz2pON5pI0
Associação Thalamus (www.thalamus.org.br)

Esquentando os motores
JOÃO UBALDO RIBEIRO 
Agente deve sempre evitar atitudes precipitadas. É o que penso, neste início de 
outono tão pouco outonal (o mundo vai acabar, mas depois eu falo nisso outra 
vez), porque meu primeiro e insensato impulso foi juntarme ao crescente coro 
dos que se impacientam porque o governo, apesar de o presidente ter tomado 
posse em janeiro, ainda não começou, e cada passo para a frente é seguido de 
dois para trás. Pois é, quase entro nessa, mas aí, lendo os jornais, vendo os 
noticiários de tevê e observando outros sinais, chego à conclusão de que se 
trata de visão errada e, o que é pior, entortada pela má vontade.

A realidade é que, se à observação se seguir a meditação, ver-seaacute; que o 
governo está, por assim dizer, esquentando os motores e fazendo manobras 
preliminares. É só pensar um pouco para ver que o presidente, com a demora na 
armação do ministério, está ajustando o país a seu estilo de não governar. Foi 
isso o que o povo quis e é isso que está tendo, pois está mais do que na cara 
que, se ele foi reeleito por maioria tão significativa, é porque o povo gosta 
do estilo de não governar que ele estabeleceu desde o princípio, contanto que 
não toquem no Bolsa Família, essa obra social de largo alcance, que dispensa o 
emprego e, em breve, ao que tudo indica, estará sustentando a maior parte do 
povo brasileiro.

E certas mudanças já se deixam entrever muito claramente, de especial maneira 
na área social, que, como se repete com freqüência, não pode deixar de ser 
priorizada num governo de raízes populares. Já se falou muito, na semana finda, 
na idéia da Secretaria de Ação Social, de acordo com a qual serão premiadas com 
bolsas as famílias de jovens infratores. O horizonte de possibilidades que essa 
abordagem originalíssima oferece chega a ser estonteante, uma revolução que, se 
levada adiante com determinação, poderá ser vista como um marco na história da 
civilização ocidental. E, se cada um fizer sua parte, o sucesso está garantido. 
Eu mesmo já me disponho a, no próximo ano, em Itaparica, combinar com famílias 
pobres deixar a porta de minha casa aberta, com um objeto já escolhido para ser 
furtado. Aí, eu dou queixa na delegacia, a mãe me acompanha aos prantos, eu 
faço veemente denúncia da exclusão socioeconômica, e a família recebe a bolsa. 
Acho que, em vinte dias de férias, dá para eu fazer uma obra social de vulto, 
criando pelo menos umas duas dúzias de bons ladrões conterrâneos. Claro que 
existe o risco de algum deles se apegar à profissão, mas tudo neste mundo 
envolve seus riscos.

Tenho certeza de que esse programa dará certo e renderá frutos.

Como bom brasileiro, ofereço logo uma idéia, dentro do mesmo espírito: por que 
não - oh ovo de Colombo! - estender essa bolsa a assaltantes, ladrões de 
carros, seqüestradores e outros criminosos? O problema é social, certo? 
Assalta-se e seqüestra-se por necessidade, falta de emprego, discriminação, 
ausência de oportunidades, perversidade da sociedade consumista etc.

etc. Então, cria-se o Fundo Nacional para Recuperação do Delinqüente, talvez 
até um ministeriozinho, como é da índole deste governo. Depois de feito isso, 
bastará ao interessado preencher a Declaração de Criminalidade de Etiologia 
Social e juntar a documentação mínima (CPF, RG, comprovante de residência, 
título de eleitor, DARF quitado e o depoimento de dois assaltados, por 
exemplo), para receber ajuda estatal, em forma de Salário-Assalto, 
Ticket-Seqüestro ou Vale-Assassinato, tudo depois de cuidadosa análise por uma 
equipe de assistentes sociais, psicólogos e criminologistas.

Claro que com isso o problema do desemprego estará resolvido e o crime, 
estancado em sua raiz. Na verdade, a idéia é tão boa que só por patriotismo a 
ofereço de público, sem patenteá-la antes. Saldando sua pesada dívida para com 
os infelizes que matam, torturam, humilham, estupram, aleijam e enlouquecem, 
coitados, a sociedade não só estará se redimindo moralmente perante a História 
deste país, como, com a mesma cajadada, se livrando dos crimes e da insegurança.

E o Nosso Guia (em alemão, unser Füh rer, não canso de lembrar), se demora para 
montar seu ministério, não deixa de orientar a nação a todo momento, 
conscientizando-a de verdades que ele mesmo não enxergava antes de chegar ao 
poder, coisas que, vamos reconhecer, só quem chegou é que pode saber, a 
realidade é esta. E, assim, ele vem se dedicando a apontar os heróis que 
devemos venerar. Os primeiros citados foram os ministros, esses sofredores que 
disputam aos tapas sofrer mais, sofrer para sempre, se possível. Depois vieram 
os usineiros, que eram execrados até ele subir ao Sinai e ver a Luz. Em 
seguida, fará uma boa aposta quem acreditar que virão os banqueiros. Heróis, 
sim, mostrando ao mundo como é que se ganha dinheiro ilimitadamente.

E, finalmente, adivinho a última categoria a ser promovida à condição heróica: 
o patronato do ABC, que conseguiu, no ver de muitos, pôr na presidência o maior 
pelego da História deste país, obrigando os dicionários a uma revisãozinha no 
verbete dessa palavra, talvez a enobrecendo um pouco, pois, afinal, se algo 
leva alguém à presidência da República, não deve ser de todo mau, pelo menos do 
ponto de vista do beneficiado.

Enfim, nada a temer. E ouso dizer que esse é o sentimento geral do povão 
brasileiro, como fica atestado na palavra sempre sábia de Jacó Branco, orador 
respeitado em toda a ilha e - por que não dizer? - em todo o Recôncavo.

- Nada de reclamar que o homem não está fazendo nada! - gritou ele, no meio de 
uma discussão política no bar de Espanha. - Vocês vão reclamando, vão 
reclamando e aí de repente ele vence a preguiça e faz alguma coisa, e aí mesmo 
é que nós vamos estar cafuletados, deixa o homem enrolar!


 

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