faz todo sentido
"300" americanos derrotam milhares de iranianos Antonio <mailto:[EMAIL PROTECTED]> Brasil Para mim, esta foi a principal mensagem do novo mega sucesso do cinema americano, 300 (ver trailer aqui <http://300themovie.warnerbros.com/> ), uma adaptação da polêmica e muito violenta história em quadrinhos de Frank Miller. Assisti à pré-estréia aqui no Rio de Janeiro para uma nova atração da nossa coluna: filmes para jornalistas. Com uma grande campanha publicitária, 300 deve ser lançado em todo o país nos próximo dias. O filme faz uma releitura da batalha de Termópilas quando os 300 guerreiros espartanos, liderados pelo rei Leônidas, lutaram até a morte contra o gigantesco exército persa. Aqui entre nós, se eu fosse persa ou iraniano, tanto faz, estaria muito preocupado. Afinal, há muitos anos os militares americanos veneram e tentam replicar sem muito sucesso, diga-se de passagem os excessos e absurdos dos treinamentos dos antigos espartanos. Muitos militares dos EUA, principalmente os membros das tropas de elite como os fuzileiros ou forças especiais, acreditam ser os novos espartanos. 300 quebrou recordes de bilheteria nos Estados Unidos, mas também gerou muitos protestos e uma guerra de manchetes no noticiário internacional. O governo do Irã divulgou nota dizendo que se trata de mais um capítulo da guerra psicológica contra Teerã e seu povo. A grande comunidade iraniana nos EUA e no Canadá também considerou o filme um ataque à cultura e à tradição iraniana. Segundo edição recente do Estadão, um blogueiro iraniano afirma que "(o filme) não apenas dá o resultado errado para batalhas, mas também deturpa brutalmente os persas e sua civilização. Infelizmente, pequena parte do currículo (escolar) dos Estados Unidos cobre história mundial e é muito fácil direcionar de forma errada o público a respeito de fatos históricos". Outros jornalistas iranianos dizem que existe uma cobertura desequilibrada da imprensa a respeito do Irã e a uma retórica anti-Irã, que está aumentando nos Estados Unidos". A Warner Brothers rebate as críticas e afirma que "o filme (é) um trabalho de ficção, baseado de forma livre em um evento histórico, não visa menosprezar uma etnia ou cultura, ou fazer qualquer tipo de declaração política e o único propósito é entreter o público. Xerxes Drag Queen É, pode ser. Mas nós já vimos esse filme antes. Lembram-se das famigeradas armas de destruição nas mãos do presidente Saddam Hussein do Iraque? Essas armas de desinformação em massa eram produto da imaginação fértil, trabalho de quase ficção do governo e dos serviços secretos americanos. Em outra perspectiva surpreendente e talvez irônica, a agência France Press noticiou que o filme americano 300 despertou a ira da imprensa iraniana devido à personificação do rei Xerxes interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro como um "homossexual". Infelizmente, tenho que concordar. No filme, o nosso talentoso ator Rodrigo Santoro exagera e mais parece uma Drag Queen, uma versão exportação da nossa Lacraia com a voz dublada pelo Darth Vader do que um grande rei conquistador. Coisas do cinema de diversão a qualquer custo. 300 pode ser considerado produto da liberdade de expressão de um país democrático e livre. Mas também pode ser considerado um insulto a um outro país e a uma outra cultura. Muitas guerras no mundo começaram por muito menos. Todo o cuidado é pouco. Principalmente em tempos de neo-cruzadas com políticos, militares e empresários ocidentais em busca do Santo Graal, o petróleo abundante e barato. Retratar um herói nacional, um grande rei conquistador dessa forma, seria considerado desrespeitoso em qualquer lugar do mundo. O filme é uma bobagem. Uma bobagem divertida, bem produzida e muito cara. Custou 60 milhões de dólares e somente no primeiro final faturou 70 milhões. Americanos lucram muito com bobagens e novidades. 300 mais parece um videogame do que um filme. É exemplo de uma nova narrativa de transição para um cinema em guerra pela própria sobrevivência. Hollywood tem perdido público para as novas tecnologias e em especial para os jogos eletrônicos. Os novos filmes podem não ter muito conteúdo, mas estão repletos de ação. Não param nunca. Em vários momentos, na falta de história e com tanto sangue jorrando o tempo todo de todos os lados, senti falta de um joystick para evitar o tédio. 300 pode ser uma nova forma meio perigosa de recontar a história. Mas também representa o começo de uma nova maneira de assistir a filmes de ação. Filmes que distorcem a história, insultam heróis nacionais, mas que ao divertir de uma maneira meio ingênua, possuem uma mensagem simples e evidente: venha participar do game e da história. Agora, imaginem se cubanos, venezuelanos ou iranianos, o eixo do mal, segundo o presidente Bush, resolverem rever a história e contratar o nosso talentoso Rodrigo Santoro para interpretar Abraão Lincoln ou George Washington da mesmíssima forma. Eles poderiam alegar ser mais um trabalho de ficção, baseado de forma livre em eventos ou denúncias históricas com o único propósito de entreter o público. Imaginaram a reação americana? Sem dúvida seria razão inequívoca para mais invasão ou ataque militar fulminante. A verdade é que hoje os novos filmes-games, o noticiário internacional e a própria história confundem realidade com ficção. Tudo pelo sucesso. Os iranianos que se cuidem. Aí vêm os espartanos. http://www.comuniqu <http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3 D35009%26Editoria%3D286%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D50154946209%26fnt%3Dfntn l> e-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D35009%26Editoria%3D 286%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D50154946209%26fnt%3Dfntnl . <http://geo.yahoo.com/serv?s=97490437/grpId=11406140/grpspId=2137113395/msgI d=5093/stime=1174836841/nc1=1/nc2=2/nc3=3>
