Eu queria ouvir o Franklin Martins mas depois disso fica muito difícil 
acreditar no que ele disser.
O Lula, depois de quase trinta anos mentindo, parece que fez escola.
Que pena, Franklin, eu o respeitava.

Carlos Antônio.



       Também gostaria de saber, de ler a resposta do Gabeira.
      Abraços 
       

         São Paulo, domingo, 01 de abril de 2007

      Folha de São Paulo
      Cotidiano

      *DANUZA LEÃO *

      *Por favor, me expliquem *

        ------------------------------
      *Franklin Martins não deixava de dizer o que pensava sobre o governo -esse
      mesmo de que agora é empregado *
      ------------------------------

      EU ENTENDO de algumas coisas, mas de outras confesso minha total 
ignorância.
      Do assunto Franklin Martins, por exemplo. Só para começar, o que faz uma 
pessoa que ganha - e sem nem fazer muito esforço - entre R$ 50 mil e R$ 100 mil 
por mês, se demitir para aceitar um cargo onde vai passar a ganhar R$8.000. 
Estranho, não?
      É bem verdade que nesse novo cargo ele vai ser, no lugar de jornalista, 
ministro, e colado ao poder. Será então vaidade? Ambição?
      Mas ainda tem mais; a pessoa em questão, Franklin Martins, era dos 
melhores comentaristas políticos da TV, um homem corajoso, que não deixava de 
dizer o que pensava em relação ao governo -esse mesmo governo de que agora é 
empregado.
      Quem acompanhou os duros tempos da ditadura sabe que quem escreveu a 
famosa carta aos militares, exigindo a libertação de 15 companheiros em troca 
da vida do embaixador americano, Charles Elbrick, foi Franklin Martins. Bela 
carta, aliás. Não passa pela cabeça de ninguém que uma pessoa com aqueles 
ideais aceite ser porta-voz do governo do presidente Lula, a quem ele nunca 
poupou. Bela jogada do presidente, aliás. Mas tem mais: além de porta-voz, é 
ele quem vai cuidar de toda a publicidade do governo. Isso significa que se 
algum jornal disser alguma coisa que ele ache que não caiu bem, ele tem o poder 
de cortar a publicidade dos órgãos oficiais -Banco do Brasil, Caixa Econômica, 
e por aí vai. Não só o poder como o dever, penso eu. Não vamos também nos 
esquecer de que um dos 15 libertados no episódio do seqüestro do embaixador foi 
o ex-deputado cassado José Dirceu, que não cansa de mexer seus pauzinhos para 
ser anistiado, e agora já está metido até em negócios com o etanol.

      Eu queria que alguém me explicasse se está certo Franklin Martins aceitar 
esse emprego. Com isso ele joga no lixo sua biografia, o que talvez para ele 
não tenha a menor importância. Mas para muita gente tem.
      Eu, uma modesta cidadã, não vou acreditar mais em uma só palavra do que 
ele disser, e vou ficar de olho nessa história da publicidade oficial, que vai 
estar nas mãos dele.
      Até agora não ouvi nem li ninguém falar sobre o assunto, dizer se ele fez 
bem ou mal em assumir o tal cargo, se ele não deveria ter recusado. Em outros 
tempos - até umas duas semanas atrás - eu ficaria orgulhosa de ser apresentada 
a esse homem que teve coragem para tanta coisa.
      Hoje, mais não. Será que é o passar dos anos que faz com que as pessoas 
mudem? Ou eu estou completamente errada e ele tinha todo o direito de aceitar 
ser porta-voz do governo Lula?
      Preciso que alguém me esclareça, alguém em quem eu acredite, alguém que 
seja correto, honesto, que não tenha mudado com o tempo. Que tenha conhecido 
Franklin Martins profundamente, e que possa me explicar o que se passou com 
ele, se é normal que as pessoas mudem, até para que eu entenda que a vida é 
assim mesmo, e me conforme com isso, ou se continuo com minhas opiniões,
      mesmo sozinha, mesmo que talvez errada.
      E a única pessoa que gostaria que me falasse sobre isso, e na qual eu 
acreditaria, chama-se Fernando Gabeira. Eles foram companheiros, Gabeira deve 
entender.
      Diga alguma coisa a respeito, Gabeira; diga tudo que você acha, Gabeira, 
porque estou precisando de sua opinião.
      Aliás, só da sua



     
     


Attachment: sailing.gif
Description: GIF image

Responder a