Da mesma forma que há uma intelectualidade de esquerda, sempre há os que 
apóiam os governos de direita e se dividem entre a cultura e sabedoria popular.
   
   
   
             06 de fevereiro de 2007
      From: Gerhard Erich Boehme 
  To: [EMAIL PROTECTED] 
  Sent: Tuesday, February 06, 2007 5:00 PM 
  Subject: Qual a razão? 
  

    Caro Sr. Ozaí, 

    qual a razão da revista REA - Revista Espaço Acadêmico somente vincular 
artigos que defendem a ideologia de esquerda e não a defesa da liberdade? 

    Creio que uma das razões é a de que a maioria de seus autores e autoras 
estarem vinculados a organizações vinculadas ao Estado, e sentem "medo" da 
liberdade, por ela cobrar a competência e esforço, talento e criatividade, usw. 

    Felizmente não vivemos mais a velha dicotomia entre a esquerda e a direita. 

    Muitos dividem as políticas-econômicas entre a esquerda e a direita, 
outros, de forma mais correta, vão mais além, as definem em função de dois 
vetores, considerando as liberdades pessoais e econômicas, onde teríamos os 
totalitários, onde ambas as liberdades tendem a zero, a esquerda onde a 
liberdade econômica tende a zero, a direita onde as liberdades pessoais tendem 
a zero e finalmente os liberais, onde tanto a liberdade econômica como a 
liberdade pessoal tendem a ser máximas, porém limitadas pelo Estado Democrático 
de Direito.  

    Tanto a direita, quanto a esquerda, quando se colocam em prática, tendem ao 
totalitarismo, pois não se sustentam. 

    “Não se conhece nação que tenha prosperado na ausência de regras claras de 
garantias ao direito de propriedade, do estado de direito e da economia de 
mercado.” (Prof. Ubiratan Iorio de Souza) 

    "Educação serve pouco se as pessoas não forem livres. É só lembrar o que 
aconteceu nos países comunistas, onde a educação era considerada de qualidade. 
(Odemiro Fonseca em "Benefícios da liberdade" - O Globo de 04/01/2007, página7) 

    "As universidades públicas entraram em colapso, supostamente por falta de 
recursos, mas vítimas do corporativismo retrógrado que sonha com tempos 
passados de dinheiro farto. Produzir conhecimento e vendê-lo seria um dos 
caminhos. Mas isso custa trabalho. Melhor queixar-se do governo, ou fazer 
greves". (Onofre Ribeiro em Percepções sobre 2006 e 2007) 

    "A qualidade do ensino público só melhora na Universidade porque nela estão 
os formadores de opinião pública e um seleto público votante". (Gerhard Erich 
Boehme) 

    Abraços, 

    Gerhard Erich Boehme
[EMAIL PROTECTED]


              07 de fevereiro de 2007 - resposta do editor
   
  Caro Gerhard, 
   
  obrigado por sua mensagem. 
  Sua pergunta é equivocada porque: 
   
  1) não existe distinção absoluta entre "ideologia de esquerda" e a "não 
defesa da liberdade". Ser de esquerda não significa, como a sua pergunta 
sugere, necessariamente ser contra a liberdade. Há, é verdade, uma esquerda de 
tradição autoritária, mas a esquerda não se restringe a esta corrente; pelo 
contrário, a esquerda é plural e diversa.  
   
  2) a sua equação "esquerda versus liberdade" parece indicar que a direita 
seria a favor da liberdade. Bem, a história mostra uma direita tão ou mais 
autoritária e mesmo se a direita defende a liberdade, caberia qualificar, isto 
é, perguntar: Qual a  liberdade? Como esta se vincula ou não com os meios para 
exercê-la? 
   
  3) a sua pergunta é também equivocada porque, a rigor, não é um 
questionamento, já que você tem a "sua" resposta e a fornece na própria 
mensagem. Bem, é sue direito ter uma posição, mas como qualquer outra, também é 
ideológica. 
   
  Cabe esclarecer que a REA não constitui um grupo político-partidário e os 
artigos, como indicado no próprio corpo da revista, não corresponde 
necessariamente à revista. A REA é uma revista pluralista e democrática. E, 
inclusive, está aberta à sua contribuição. Os procedimentos são comuns para 
todos os textos dos colaboradores: submissão ao Comitê Editorial e, se aprovado 
por este, envio à apreciação de parecerista externo (conselho de consultores da 
REA). Os artigos são avaliados do ponto de vista da sua coerência textual e 
acadêmica. Os critérios são acadêmicos. A única restrição diz respeito à 
conteúdos de cunho racista, sexista e ofensivo (como esclarecido no expediente, 
disponível no site). Se você desejar enviar a sua contribuição e defender seus 
pontos de vista, acesse as normas para publicação (disponíveis no site) e envie 
seu artigo para [EMAIL PROTECTED] A REA está aberta à sua contribuição e será 
avaliada, repito, segundo os mesmos critérios utilizados
 para todos os textos que recebemos. 
   
  Por fim, devo agradecer por sua mensagem, inclusive porque considero um 
elogio. Escrevo em meu nome, e não pelo coletivo da revista, e, pessoalmente, 
tenho orgulho de ser de esquerda e defender a liberdade e a democracia, 
inclusive a sua liberdade de se expressar. Por isso, sua mensagem foi 
disponibilizada no Espaço dos Leitores e na lista da REA. E se defendemos a 
democracia, devo dizer que ainda que a REA correspondesse à sua concepção 
restrita sobre a esquerda, mesmo assim ela teria o direito a existir. Mas, 
neste caso talvez você não tivesse o espaço concedido na mesma para se 
expressar. 
   
  Muito obrigado. 
   
  Abraços e tudo de bom, 
  Ozaí 




 

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