As porcas - com pedido de perdão aos animais - moedinhas brasileiras.

Carlos Antônio.

      
      Fonte: DIRETO DA REDAÇÃO.
      Texto de Cláudio Lessa.
      http://www.diretodaredacao.com:80/ 

      Publicada em: 15/04/2007 

     
        O COFRINHO DA DISCÓRDIA 
      . 
      Não é surpresa para ninguém que a mão direita do atual desgoverno não tem 
a menor idéia do que a mão esquerda anda fazendo. Há exemplos e mais exemplos. 
Desde os reais aos virtuais. 

      Entre os reais, a atual crise aérea. Ninguém sabia, e parece não saber 
até agora, o que está acontecendo. O responsável pela defesa não hesita em 
quebrar a hierarquia militar e botar lenha na fogueira de uma bagunça 
monumental, que pode inclusive impor risco de vida a uma parcela da população. 

      Entre os desconhecimentos “virtuais”, assim mesmo, entre aspas, estão o 
mensalão, que ninguém sabia ou conhecia, mas o mesmo ninguém tampouco 
condenava. Ou seja, só não é pior porque vivemos numa bolha de progresso 
mundial. Quando ela estourar – sim, leitor(a) desta coluna e ouvinte deste 
podcast, ela vai estourar, porque essas coisas são cíclicas e toda essa alegria 
vai ter fim, mais dia, menos dia. Aí, vai sobrar pra todo mundo o popular choro 
e ranger de dentes, sem falar nas análises inteligentes que deverão questionar 
os motivos de não se ter tomado medidas preventivas. 

      Agora, um novo e pungente exemplo de que a mão direita não sabe o que a 
mão esquerda anda fazendo nessa bagunça. O Banco Central do Brasil acaba de 
botar nos jornais, no rádio e na tevê uma campanha caríssima para convencer o 
brasileiro a não guardar suas moedas, porque isso atrapalharia a economia de 
várias maneiras. Sem entrarmos ainda na cretinice do que isso significa, a 
gente atravessa uma rua e fica de frente para a Caixa Econômica Federal, que 
acaba de jogar no ar uma propaganda sinistra com personagens animados de nomes 
e formatos estranhos que defendem exatamente o contrário: a poupança de moedas 
– aliás, os sinistros “poupançudos” do comercial são cofrinhos. 

      O chato dessa estória toda é que esse é um exemplo que mexe com a cultura 
popular, e coloca em cheque toda uma noção que deveria estar sendo 
pacientemente enraizada na cabeça de todas as crianças, geração após geração: a 
poupança de dinheiro para o incerto dia de amanhã. Em todas as economias bem 
sucedidas – e o exemplo mais brilhante é, sem dúvida, o dos Estados Unidos, a 
prática da poupança de moedas sempre foi estimulada. Toda criança sempre teve o 
seu cofrinho, juntou moedas, e a economia nunca sofreu por causa disso. Muito 
pelo contrário. 

      Na terra da – ao que tudo indica eterna – reinvenção institucional da 
roda, conceitos como esse da poupança de moedas, que deviam fazer parte das 
cláusulas pétreas da cultura popular, são questionados irresponsavelmente. Não 
se pretende aqui censurar o questionamento. A censura é a uma mensagem que, se 
colar, vai fazer de mais uma geração de brasileiros uma turba de analfabetos em 
economia. Mais uma. 

     

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