Ótimo texto. E sabe qual é o apelido do Zuleido? Charles Bronson. Que agüenta, Kleber?
Carlos Antônio. ----- Original Message ----- From: AKA To: [email protected] Sent: Monday, May 21, 2007 4:23 PM Subject: [gl-L] Destino: Mensalão, sanguessugas e navalha] CC eu faco o mesmo pedido a este governo PROBO mesmo por que o meu ja esta la fora.... nao acredito em impostos. desobediencia civil avant la lettre kkkkkkkkkkkkk >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Pedido ao Guido: me deixe visitar o meu dinheiro Todo brasileiro em dia com suas obrigações fiscais deveria ter o direito de acompanhar o que é feito com o fruto do seu suor. Tomo por mim. Sempre que pago imposto, sou assaltado por dois sentimentos devastadores. O primeiro é a saudade. O outro é a incerteza. Dói-me não poder zelar pelo futuro do meu dinheirinho. Fico a imaginar o que vai acontecer com o meu dinheiro depois de trancafiado nos cofres do Tesouro Nacional. Enquanto o deixam lá dentro, quietinho, tudo bem. Há, evidentemente, o risco de constrangimentos. Imagino, por exemplo, um encontro fortuito do meu dinheiro, mirrado, com o dinheiro do Olavo Setúbal ou do Antonio Ermírio de Morais, mais taludos. A eventual humilhação, contudo, é a menor de minhas preocupações. O que me angustia é a falta de critério na saída. Ali, na boca do caixa do governo, meu dinheiro tanto pode ir para a merenda escolar como para as Ilhas Cayman. Angustia-me a sensação de que meu dinheiro, salubérrimo, possa estar, nesse exato momento, passeando numa ambulância superfaturada dos Vedoin. Aflige-me a impressão de que, podendo estar seguro no meu bolso, o coitado talvez tenha sido enterrado sob o mármore de um desses aeroportos da Infraero. Soubesse do risco, teria eu próprio levado meu dinheiro para passear num aeroporto. Não iria para Congonhas, obviamente. Juntos, tomaríamos uma aeronave para a Europa, seguindo as pegadas da queda do dólar. Nos últimos dias, minhas preocupações com o meu dinheiro aumentaram. Tem sido difícil conviver com a idéia de que o pobrezinho pode ter ido parar no bolso ou numa conta bancária de um sujeito que atende pelo nome de Zuleido, dono de uma construtora chamada Gautama. Um frio correu-me a espinha. Imaginei para o meu dinheiro uma vida mais produtiva. Francamente, não esperava que um dia viesse a acudir empreiteiros recolhidos à carceragem da Polícia Federal sob a suspeita de fraudar obras públicas. Sei que não é usual. Mas gostaria que o Guido Mantega me permitisse visitar o meu dinheiro. Ou o que restou dele. Seria coisa rápida, ministro. Juro que não o quero de volta. Não tentarei resgatá-lo. Desejo apenas identificá-lo e, na medida do possível, consolá-lo. Sei que dinheiro público não tem carimbo. Mas o meu é fácil de identificar. É um dinheiro de fisionomia banal. Admito que, na pressa, eu poderia confundi-lo com outro dinheiro de cara honesta, suado, recolhido de um desses brasileiros usualmente espoliados pelo governo. Ainda assim, reivindico o direito de tentar. Se conseguisse identificar o meu dinheiro, faria nele uma marca. Depois, escreveria às autoridades: "Esse aqui, senhores, prefiro que usem para custear o ensino básico, para acudir algum desgraçado esquecido numa maca do SUS... Nada de entregá-lo a um Zuleido qualquer. Meu dinheiro é pouco, bem sei. Mas ele é meu. Merece respeito". http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/ --- Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se. Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages Yahoo! Groups Links
