Foquem o segundo tópico. E vejam que a pena de morte é a única solução para 
punir esse caras. São irrecuperáveis e quanto mais se aprimoram em não sentir 
vergonha maior será o mal que farão. E já que estarão sempre usando a proteção 
dos seus pares, esqueçam-se julgamento e defesa. Que sejam executados por um 
anônimos na rua, sem motivo aparente. E nem explicação para o ato será 
necessária. Duas dúzias de execuções desse tipo e o rabo deles começará a ficar 
apertado. E o executor não terá culpa nenhuma por estar fazendo uma limpeza.
Se quisermos acelerar o processo de melhoria do país, o caminho mais curto é 
este.

Carlos Antônio.


O podcast desta vez trata de dois gênios brasileiros, José Luiz Calazans e 
Severino Rangel de Carvalho. Aposto que você nunca ouviu falar neles. Mas se a 
gente chamar pelos apelidos, você talvez conheça: Jararaca e Ratinho. Hoje em 
dia as pessoas os conhecem superficialmente como uma "dupla caipira" que fez 
sucesso muito tempo atrás. Mas eles eram mais que isso. Ratinho, um virtuose do 
saxofone, compôs alguns clássicos da MPB instrumental. E Jararaca, só pelo 
"Mamãe eu quero", merece lugar especial em nossos corações. Você ouvirá as 
piadas deliciosas e as músicas dos dois, num programa especial que mostra o 
abismo que separa a criatividade dos humoristas de 60 anos atrás, dos "Zorra 
Total" de hoje. Ouça em www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast.htm . 

CULPA E VERGONHA

Quando o avião parou em Brasília, um daqueles políticos envolvido naqueles 
escândalos entrou. Cabeça erguida, altivo. E aos poucos, os passageiros 
começaram a sussurrar, imitando pombos:
- Corrupto... corrupto...
Pensei comigo mesmo "que vergonha"... Mas o sujeito continuou impassível, 
ajeitou a bagagem e sentou-se, seguindo no vôo normalmente. Desembarcou como 
qualquer um de nós e pronto. Nenhum constrangimento. Igualzinho o Renan 
Calheiros nestas últimas semanas. Minha esposa foi definitiva após assistir 
parte de suas explicações na Câmara:
- Não acredito nem no boa tarde dele...
Pois eu admiro, sabe? Admiro aquele tremendo, expressivo e intimidante atributo 
dos políticos: a cara de pau. Quem tem cara de pau não tem vergonha. Não sente 
culpa. Não se intimida.
E como é interessante essa questão da culpa e da vergonha, não é? Para sentir 
culpa a pessoa tem que reconhecer que errou, que desobedeceu alguma regra ou 
lei. Que fez algo errado e, portanto, sabe que existe um "certo". Quem assume a 
culpa manifesta a percepção de que se esforçar-se para aprender, pode deixar de 
errar. A culpa é perdoável. A culpa pode ser esquecida depois que o culpado 
paga pelo erro. Reconhecer a culpa é um exercício de humildade e nada tem a ver 
com incapacidade. 
Incapacidade é coisa da vergonha. 
Quem sente vergonha tem problemas com seu amor próprio, sua auto-estima mas não 
tem necessariamente culpa sobre a razão de sua vergonha. E o interessante é que 
a vergonha dá mais vergonha. O sujeito aparece com o zíper aberto e o bilau de 
fora. Que vergonha! Quando descobre a situação, fica vermelho de vergonha. E ao 
perceber que ficou vermelho, fica com vergonha de ficar vermelho... E o 
interessante é que não dá pra acusar, julgar, condenar ou punir a vergonha. 
Vergonha não precisa de perdão.
Voltemos então à situação de nosso Renan Calheiros. Ou de Paulo Maluf. Ou 
Fernando Collor. Ou... Se roubou, é culpado. Errou. Tem que pagar. E ao ser 
pego no ato, deveria sentir vergonha.
E eu fico desesperadamente buscando um sinal de vergonha na cara deles. E não 
encontro. Impassíveis, fazem seus discursos, recusam a culpa e jamais 
demonstram sentir vergonha. Talvez por isso estejamos tão fartos deles. Essas 
pessoas não são humanas. Não sentem o que nós, humanos, sentimos. 
Será que isso é educação? Ou será treinamento? Eu até entendo que um 
treinamento persistente pode fazer com que as pessoas jamais sintam-se 
culpadas. Mas será que dá pra aprender a não sentir vergonha? 
Pois a Operação Navalha, as que vieram antes dela e as que virão depois, estão 
nos ensinando que é possível sim aprender a jamais sentir vergonha.
Eu já perdi as esperanças. Sei que admitir culpa é suicídio político e só 
acontece quando passa a ser o recurso final, aquele que transforma o delito em 
"escorregada". Lembram-se de Bill Clinton negando, negando e depois admitindo 
que teve "conduta inapropriada com aquela mulher"? Ele jamais admitiu que 
praticou sexo com a estagiária. Mas achou uma forma de assumir que errou, 
"escorregou". E surgiu na televisão com uma cara de envergonhado que levou a 
opinião pública para seu lado.
Por isso tudo é que entendo aquele político que entrou no avião e fez que não 
ouviu o coro dos pombos "corrupto...corrupto"...
Ele está treinado para isso. Ele precisa não ouvir. Ele constrói sua verdade e 
aferra-se a ela. Ele vive num mundo onde culpa e vergonha só existem como 
ferramentas para atingir seus objetivos. Mesmo que seja acusado, preso e 
condenado, jamais assumirá a culpa por seus atos. Sempre aparecerá como vítima.
E é também por isso tudo que eu nunca seria político. Posso até não sentir 
culpa, mas morreria de vergonha.



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