O Brasil foi um dos ultimos país a proclamar independencia na America. E
tambem um dos ultimos a abolir a escravidão (havia projetos de mantê-la até
1930). O primeiro país a se tornar independente foram os EUA (cujos ideais
inspiraram a Revolução Francesa). O segundo país? PASMEM... O HAITI. E o
terceiro? O Paraguai!

O conceito de "cidade" na America Espanhola era uma copia identica aos
modelos europeus. Um exemplo classico foi Buenos Aires. E as populações
camponesas migraram consistentemente para as cidades, ja que o modelo
liberal so existia no papel, e com a ascensão dos conservadores, após a
proclamação das republicas hispanicas, favorecia apenas os grandes
proprietarios rurais e a Inglaterra e EUA.

Fabrício


On 7/2/07, ccarloss <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

   Obs.: No último parágrafo, onde o autor fala da ausência de partidos
políticos (1936), podemos entender hoje como o excessivo número deles mas
com a mesma cara e sem nenhum projeto de desenvolvimento honesto e
desprovidos
de propósito que não seja o poder.
De resto, é o mesmo Brasil na marcha a ré da história.

Carlos Antônio.



   Raízes do Brasil Ynaê Lopes dos Santos
Segundo Ano - História/USP
[EMAIL PROTECTED] - download arquivo <http://sbh.doc/>

    Em 1936, depois de uma estadia na Alemanha, Sérgio Buarque de Holanda
publica o livro: "Raízes do Brasil", um livro que tem uma perspectiva
sociológica e psicológica com um objetivo político, onde o autor tenta,
através de nosso passado, ver o nosso futuro. É um livro inovador no que diz
respeito à busca da identidade nacional. Num momento onde a psicologia vinha
se desenvolvendo muito e a sociologia começa a perder seu caráter altamente
"científico", Sérgio Buarque vai atrás do que poderíamos chamar de essência
do homem brasileiro. Num jogo de idas e vindas na nossa história, deixando
claro os momentos que ele mais considera, Sérgio Buarque vai construindo um
panorama histórico no qual ele inserirá o "homem cordial", que nada mais é
do que fruto de nossa história, que vem da colonização portuguesa, de uma
estrutura política, econômica e social completamente instável de famílias
patriarcais e escravagistas. *Fronteiras da Europa:* No primeiro capítulo
do seu livro, Sérgio Buarque mostra que os países Ibéricos eram os que
faziam fronteiras entre a Europa com o mundo através do mar, e por isso eles
são menos "europeizados" do que os demais países. Eles ficam um pouco à
margem do resto da Europa mesmo nas navegações que foram pioneiros. Para os
países Ibéricos cada homem tinha que depender de si próprio. Eles não
possuíam uma hierarquia feudal tão enraizada, por isso a mentalidade da
nascente burguesia mercantil se desenvolveu lá primeiro. Somando a isso,
havia toda uma frouxidão organizacional que estarão muito presentes na
história de Portugal e conseqüentemente do Brasil. Para Sérgio Buarque, a
aparente anarquia Ibérica era muito mais correta, muito mais justa que a
hierarquia feudal, pois, não continha muitos privilégios. A nobreza
portuguesa era muito flexível, o que o autor chamará de mentalidade moderna.
Havia uma igualdade entre os homens.

O pioneirismo de Portugal nas navegações se deve a um incentivo próprio,
já que esse país tinha uma mentalidade mais aberta. Autor chega a defender a
mentalidade burguesa e os países Ibéricos. Os Ibéricos não gostavam do
trabalho físico, queriam ser senhores, mas sem ter que fazer o trabalho
manual. Por fim o autor nos fala que o Brasil tem muitas características
ibéricas e sua construção cultural vem daí

*Trabalho e Aventura:* Para o autor, os portugueses que foram os primeiros
a se bancarem no mar eram ao que estavam mais aptos para a missão no Novo
Mundo.
Em seguida Sérgio Buarque fala que existem dois tipos de homens: um com
olhar mais amplo, o aventureiro, e outro com olhar mais restrito, o
trabalhador. No entanto esses dois homens se confundem dentro da mesma
pessoa. Com isso ele quebra um pouco a idéia de que a Inglaterra é sinônimo
de trabalho.
O gosto pela aventura foi o que possibilitou a colonização no Novo Mundo.
Nenhum outro povo como o português foi capaz de se adaptar tão bem na
América.

A economia escravista colonial era a forma pela qual a Europa conseguiu
suprir o que faltava na sua economia. O indígena não conseguiu se "adaptar"
à escravidão, tornando o escravo africano imprescindível para o sistema
colonial. O português vinha para a colônia buscar riqueza sem muito
trabalho, além disso, eles preferiam à vida aventureira a o trabalho
agrícola. Nesse contexto a mão-de-obra escrava aparece como elemento
fundamental na nossa economia.

Como o fator terra era abundante na colônia, não havia preocupação em
cuidar do solo, o que acarretou na sua deterioração. Os portugueses se
aproveitaram de muitas técnicas indígenas de produção, que acabaram ganhando
certa proteção que os distanciou um pouco da escravidão.

Para Sérgio Buarque, os portugueses já eram mestiços antes dos
Descobrimentos. Além disso, já conheciam a escravidão africana no seu país.
Autor faz parecer que o preconceito com negros era bem maior que com os
índios no Brasil colonial. O Brasil não conhece outro tipo de trabalho que
não seja o escravo. O trabalho mecânico era desprezado no Brasil, e por isso
não houve a construção de um verdadeiro artesanato, só se fazia o que valia
a pena, o que era lucrativo. Os brasileiros não eram solidários entre si. A
moral da senzala era a preguiça. A violência que ela continha era negadora
de virtudes sociais.

Autor critica os colonos holandeses que não procuraram se fixar no Brasil.
Além disso, tais colonos trazem para o Brasil um aspecto que não se adequa
aqui, que é a formação do seu caráter urbano, quase liberal.
Sérgio Buarque ainda afirma, que a própria língua portuguesa era mais
fácil para os índios e os negros, o que ajudou muito na colonização. Outro
elemento que facilitou a comunicação colonial foi a Igreja católica que
tinha uma forma de se comunicar muito mais simpática que as igrejas
protestantes. Conclui o capítulo mostrando que o resultado de tudo isso foi
a mestiçagem, que possibilitou a construção de uma nova pátria.

*Herança Cultural:* A estrutura da sociedade colonial é rural. Isso pode
ser visto quando analisamos quem detinha o poder na época colonial: os
senhores rurais. Dentro desse contexto, a abolição da escravatura aparece
como um grande marco na nossa história.

O autor conta que entre 1851 1855, observamos um notável desenvolvimento
urbano, graças à construção das estradas de ferro, e que tal desenvolvimento
esteve muito ligado à supressão do tráfico negreiro.
Muitos senhores rurais eram contra a supressão do abastecimento de cativos
africanos, o que resultará numa continuidade do tráfico, mesmo depois de
abolido legalmente. O medo do fim do tráfico faz com que aumente o número de
escravos exportados para o Brasil até 1850. Buarque de Holanda fala que
houve um aproveitamento do capital oriundo do tráfico para abrir outro Banco
do Brasil. Fala também um pouco das especulações encima do tráfico e da
abertura do Banco.

Para o autor, havia uma incompatibilidade entre as visões do mundo
tradicional e moderna, o que resultou em muitos conflitos. Exemplo disso foi
o malogro comercial sofrido por Mauá. O Brasil não tinha a menor estrutura
tanto econômica com política e social para desenvolver a industria e o
comércio.
Os senhores de engenho eram sinônimos de solidez dentro da sociedade
colonial. O engenho era um organismo completo, uma micro sociedade. O
patriarca era quem dominava o resto da sociedade. Como a sociedade rural
colonial era um grupo fechado, onde um homem dominava, as leis não entravam;
os senhores tinham domínios irrestritos sobre seus "súditos".

Num primeiro momento, os homens que vinham para a cidade eram os que
tinham certa importância no campo. Houve uma substituição das honras rurais
para as honras da cidade. Os colonos brancos continuavam achando que o
trabalho físico não dignificava o homem, mas sim o trabalho intelectual. Com
a Revolução Industrial, o trabalhador tem que virar máquina. O sentimento de
nobreza e a aversão ao trabalho físico, saem da Casa Grande e invadem as
cidades; o que nos mostra o quanto foi difícil, durante a Independência,
ultrapassar os limites políticos gerados pela colonização portuguesa.

Para Sérgio Buarque a vida da cidade se desenvolveu de forma anormal e
prematura. "O predomínio esmagador do ruralismo, segundo todas as
aparências, foi antes um fenômeno típico do esforço dos nossos colonizadores
do que uma imposição do meio".

*Semeador e o Ladrilhador:* As cidades eram instrumentos de dominação. A
Coroa espanhola, diferentemente da portuguesa, criou cidades nas suas
colônias. Sérgio Buarque mostra como eram construídas tais cidades. Para
Portugal suas colônias eram grandes feitorais. Enquanto a colonização
portuguesa se concentrou predominantemente na costa litorânea, a colonização
espanhola preferiu adentrar para as terras do interior e para os planaltos.

O interior do Brasil não interessava para a metrópole. As bandeiras
normalmente acabavam se transformando em roças, salvo esporadicamente como
foi no caso da descoberta de ouro. Com tal descoberta, a metrópole tentou
evitar a migração para o interior da colônia. O advento das minas foi o que
fez com que Portugal colocasse um pouco mais de ordem na colônia.

Sérgio Buarque continua falando sobre a colonização portuguesa sempre a
comparando com a espanhola. Mesmo sendo mais liberais que os espanhóis,
Portugal mantinha firme o pacto colonial, proibindo a produção de muitas
manufaturas na colônia. Também fala do desleixo português na construção das
cidades.

Portugueses eram corajosos só que mais prudentes. Portugal tinha uma maior
flexibilidade social, e havia um desejo da sua burguesia em se tornar parte
da nobreza. Não havia tradição em Portugal nem orgulho de classe, todos
queriam ser nobres. Nasce a "Nova Nobreza", que era muito mais preocupada
com as aparências do que com a antiga tradição. Fala um pouco da história
política de Portugal vinculada à vontade que a maior parte da população
tinha em se tornar nobre, e tal desejo pode ser facilmente constatado no
Brasil, mostrando que o papel da Igreja aqui era o de "simples braço de
poder secular, em um departamento da administração leiga".

Nas notas do capítulo, o autor irá trabalhar com a questão da vida
intelectual tanto na América espanhola como na portuguesa, mostrando que na
primeira ela era mais desenvolvida. Tratará da língua geral de São Paulo,
que durante muitos séculos foi a língua dos índios, devido a forte presença
da índia como matriarca da família. Fala da aversão às virtudes econômicas,
principalmente do comércio. E por fim da natureza e da arte coloniais.
**    Caricatura de Sérgio Buarque *O Homem Cordial:* Para Sérgio Buarque,
o Estado não é uma continuidade da família. Dá o exemplo de tal confusão com
a história de Sófocles sobre Antígona e seu irmão Creonte, onde havia um
confronto entre Estado e família. Houve muita dificuldade na transição para
o trabalho industrial no Brasil, onde muitos valores rurais e coloniais
persistiram. Para o autor as relações familiares ( da família patriarcal,
rural e colonial), são ruins para a formação de homens responsáveis.

Até hoje vemos uma dificuldade entre os homens detentores de posições
públicas conseguirem distinguir entre o público e o privado."Falta
ordenamento impessoal que caracteriza a vida no Estado burocrático".

A contribuição brasileira para a civilização será então, o "homem
cordial". Cordialidade esta que não é sinônimo de civilidade de polidez, mas
que vem de cordes, coração.

A impossibilidade que o brasileiro tem em se desvincular dos laços
familiares a partir do momento que esse se torna um cidadão, gera o "homem
cordial". Esse homem cordial é aquele generoso, de bom trato, que para
confiar em alguém precisa conhece-lo primeiro. A intimidade que tal homem
tem com os demais chega a ser desrespeitosa, o que possibilita chamar
qualquer um pelo primeiro nome, usar o sufixo "inho" para as mais diversas
situações e até mesmo, colocar santos de castigo. O rigor é totalmente
afrouxado, onde não há distinção entre o público e o privado: todos são
amigos em todos os lugares. O Brasil é uma sociedade onde o Estado é
apropriado pela família, os homens públicos são formados no círculo
doméstico, onde laços sentimentais e familiares são transportados para o
ambiente do Estado, é o homem que tem o coração como intermédio de suas
relações, ao mesmo tempo em que tem muito medo de ficar sozinho.

*Novos Tempos:* Há na sociedade brasileira atual, um apego muito forte ao
recinto doméstico, uma relutância em aceitar a superindividualidade. Poucos
profissionais se limitam a ser apenas homens de sua profissão. Há um grande
desejo em alcançar prestígio e dinheiro sem esforço. O bacharelado era muito
almejado por representar prestígio na sociedade colonial urbana. Não havia
uma real preocupação com a intelectualidade com o sabre, havia um amor pela
idéias fixas e genéricas o que justificará a entrada do positivismo e sua
grande permanência no Brasil. Autor faz críticas aos positivistas. Para o
autor a democracia foi no Brasil "sempre um mal-entendido".Os grandes
movimentos sociais e políticos vinham de cima para baixo, o povo ficou
indiferente a tudo. O romantismo acabou se tornando um mundo fora do mundo,
incapaz de ver a realidade, o que ajudou na construção de uma realidade
falsa, livresca. Muitos traços da nossa intelectualidade ainda revelam uma
mentalidade senhorial e conservadora. Fala da importância da alfabetização
para o Brasil.

*Nossa Revolução:* As revoluções da América, não se parecem com
revoluções. A revolução brasileira é um processo demorado que vem durando
três séculos e a Abolição é um importante marco. As cidades ganharam
autonomia em relação ao mundo rural. O café traz mudanças na tradição, como
a legitimação da cidade. "A terra de lavoura deixa então de ser o seu
pequeno mundo para se tornar unicamente seu meio de vida, sua fonte de renda
e riqueza".O café substitui a cana, mas não deixa espaço para a economia de
subsistência. As cidades ganham novo sentido com o café, que acabam
solapando a zona rural.

O Brasil é um país pacífico, brando. Julgamos ser bons a obediência dos
regulamentos, dos preceitos abstratos. É necessário que façamos uma espécie
de revolução para darmos fim aos resquícios de nossa história colonial e
começarmos a traçar uma história nossa, diferente e particular.

Para o autor a ausência de partidos políticos atualmente é um sintoma de
nossa inadaptação ao regime legitimamente democrático. Sérgio Buarque
critica o Brasil que acredita em fórmulas. Fala quais são os principais
elementos constituintes de uma democracia. Com a cordialidade, o brasileiro
dificilmente chegará nessa "revolução", que seria a salvação para a
sociedade brasileira atual.


Responder a