Eu perticularmente acho o benefício muito mais abrangente.
Faz bem antes e depois de uma centena de ítens...


Fazer sexo antes de palestra ajuda a falar melhor 
http://noticias.uol.com.br/economia/carreiras/artigos/polito/2007/08/27/ult4385u29.jhtm


Sexo na tribuna
Reinaldo Polito


Pode acreditar nesta informação porque ela está respaldada em pesquisa 
científica: relações sexuais aprimoram a qualidade da comunicação.

Por mais crentes que sejamos, não tem jeito: diante de uma notícia assim, nosso 
desconfiômetro fica superantenado. Afinal, resolver problemas da arte de falar 
em público com um remédio tão saboroso parece algum tipo de armação. 

Entretanto, para tudo há um preço. E, nesse caso, uma boa surpresa: não é que o 
pagamento é tão agradável quanto o benefício recebido! A condição para que a 
estratégia dê resultado é que não pode ser assim um encontro amoroso qualquer. 
A relação sexual precisa ter um mínimo de qualidade. 

Assim como talvez esteja acontecendo com você, eu também fiquei intrigado 
quando tomei conhecimento dessa informação. Afinal, que tipo de associação pode 
ser feita entre a tribuna e as relações sexuais? Vamos matar essa charada já, 
já.

O mundo da oratória é tão fascinante quanto imprevisível e, por esse motivo, 
não paro de me surpreender. Quando penso que já tomei contato com todas as 
"mandrakarias" disponíveis para ajudar os oradores a se sair bem diante do 
microfone, lá vem outra novidade. 

O folclore é inesgotável. De repente, surge um Professor Pardal afirmando que o 
orador vai se sentir mais confortável e confiante para falar em público se usar 
a criatividade e imaginar que todas as pessoas da platéia estão vestidas apenas 
de cueca. E a sugestão tem direito a explicação e tudo: ao observar os ouvintes 
trajados de forma tão ridícula o receio de falar se dissipa. 

Por mais estranhas e absurdas que possam parecer essas invencionices, eu não 
implico com nenhuma técnica de oratória. Como professor, desde cedo adotei a 
filosofia de que cada um se vira e encontra segurança para falar da maneira que 
julgar mais conveniente. Se a tática funcionar, está aprovado pelo melhor de 
todos os controles de qualidade que é a experiência prática. Pelo menos para 
essa situação é possível dizer que o fim terá justificado os meios. 

A história está repleta de grandes oradores que usaram métodos pouco 
convencionais para melhorar suas chances de se dar bem na tribuna. Lacordaire 
foi um deles. Considerado o maior nome da oratória do século 19, adotava um 
recurso peculiar para preparar e ensaiar seus discursos.

Embora seu método fosse extremamente simples, era também muito eficiente: 
organizava um roteiro com as principais idéias que pretendia desenvolver, 
ressaltando com expressões e frases a seqüência a ser seguida. Depois ia até o 
jardim do convento onde residia e praticava falando para as flores, imaginando 
em cada uma delas a platéia que teria pela frente. 

Lacordaire repetia o exercício algumas vezes mantendo o roteiro planejado e 
mudando as palavras para conquistar certa liberdade na exposição. Concluído o 
treinamento, estava pronto para encantar o público que superlotava a catedral 
de Notre Dame.

O que não falta é exemplo de orador utilizando métodos pouco ortodoxos para 
preparar suas apresentações. Dizem que Frei Francisco do Monte Alverne, 
considerado um dos maiores pregadores da nossa história, usava técnica 
semelhante à de Lacordaire, só que no seu caso o treinamento era feito na horta 
do convento, e a platéia imaginária eram os repolhos. 

Os diretores de cinema não se cansam de arrumar artifícios para que os 
personagens das produções que dirigem sejam bem-sucedidos na tribuna. No filme 
"Encontro de amor", dirigido por Wayne Wang, que teve como atores principais 
Jennifer Lopez (Marisa) e Ralph Fiennes (Chris Marshall), há uma sugestão 
bastante curiosa para combater o medo de falar.

Marisa tem um filho chamado Ty, que fica totalmente desestabilizado diante dos 
colegas de escola na hora de fazer um discurso. Ao contar o fato a Chris 
Marshall, orador experiente e candidato ao senado, o menino fica sabendo que o 
político tão admirado também se sente desconfortável quando precisa falar em 
público, e que atenua o nervosismo segurando um clipe para descarregar a 
tensão. O menino segue o conselho e consegue se sair bem.

A literatura também ajuda a enriquecer esse folclore. No livro "Memória das 
Gueixas", de Arthur Golden, publicado pela Editora Imago, a gueixa conta como 
agiam para afastar o medo do palco: "No inverno, Abóbora e eu devíamos 
endurecer nossas mãos mantendo-as em água gelada até gritarmos de dor, e depois 
tocávamos lá fora, no ar gelado no pátio. Pode parecer terrivelmente cruel, mas 
assim as coisas eram feitas naquele tempo. Com efeito, endurecer as mãos assim 
realmente ajudava a tocar melhor. E se a gente já se habituou a tocar com mãos 
insensíveis e doloridas, o medo do palco se torna um problema muito menor."

Bem, como eu disse, cada um tem seu caminho e se defende como pode. Se você 
sentir que falar olhando para as flores ou para os repolhos, segurar clipes ou 
deixar os dedos congelados irá ajudá-lo e dar tranqüilidade para que se 
apresente com mais desenvoltura nas reuniões da empresa ou diante de um 
auditório numeroso, vá em frente e receba os aplausos da platéia.

Saiba no entanto que, se você segurar um objeto que não faça parte do contexto 
da apresentação, correrá o risco de distrair os ouvintes e prejudicar o 
resultado final. Por exemplo, se você falar em pé segurando uma caneta 
esferográfica, como ela não participa do contexto da exposição poderá desviar a 
atenção do público, que deixará de acompanhar seu raciocínio.

Por outro lado, se você segurar a caneta quando estiver sentado, ticando alguns 
itens numa folha de papel, a presença dela estará justificada porque faz parte 
do contexto da apresentação.

Depois de todas essas considerações, podemos voltar ao sexo. Nesse caso, mesmo 
o estudo sendo sério, por enquanto vou virar as costas e não considerar essa 
técnica. Primeiro porque, por mais respaldadas que sejam as conclusões, eu as 
considero esquisitas demais. Depois, não tenho a mínima idéia de como orientar 
meus alunos sobre o tipo de relação sexual mais apropriado para tornar suas 
apresentações eficientes. 

Em todo caso, ainda aqui preciso ser fiel à minha filosofia e continuar 
pregando que cada um deve lançar mão do recurso com o qual se sinta mais à 
vontade. Se você julgar que uma relação sexual antes de falar em público vai 
ajudá-lo a se tornar mais eloqüente, não vacile, vá em frente. Mesmo que você 
não se saia tão bem diante da platéia, pelo menos será um orador mais feliz.

Se você ainda duvida da seriedade da informação, veja como e de onde ela 
surgiu. A pesquisa foi feita na Universidade de Paisley, na Escócia. Segundo o 
estudo realizado com 22 homens e 24 mulheres, todos heterossexuais, durante 
duas semanas, as pessoas se saem melhor falando diante da platéia se no período 
que antecedeu à apresentação tiverem relações sexuais. 

Ah, e tem mais: relações sexuais com penetração. Por isso que eu disse que era 
preciso ter um mínimo de qualidade, não poderia ser assim um relacionamento 
amoroso qualquer. Lembrando ainda que masturbação também está fora do cardápio.

Conclui-se que sexo à la Bill Clinton e Monica Lewinsky não vale. Malabarismos 
com charutos então nem pensar. Como Clinton sempre se saiu muito bem em seus 
discursos, podemos concluir que o motivo da sua competência oratória, 
provavelmente, teve origens menos eróticas. Ou não?

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