Eles não conseguiram impedir que os 40 fossem declarados réus. Vamos ver o
golpe que aprontam agora.
Carlos Antônio.
São Paulo, sexta-feira, 31 de agosto de 2007
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc3108200714.htm
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Petistas traçam plano para ignorar mensalão
Na véspera do 3º Congresso da sigla, ala majoritária rejeita criação de
corregedoria e código de ética e pede apoio a Dirceu e Genoino
Grupo ligado a Tarso Genro, em minoria, se aproxima de corrente que é
maioria para tentar ao menos menção genérica aos escândalos
CÁTIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FÁBIO ZANINI
EM SÃO PAULO
Na véspera da abertura de seu 3º Congresso, o PT começou ontem a dar
sinais de que pretende ignorar desvios de conduta cometidos por seus dirigentes
desde 2005. Haverá um esforço para evitar debates sobre a decisão do STF
(Supremo Tribunal Federal) de aceitar denúncia contra os petistas envolvidos no
mensalão.
Em reunião preparatória com cerca de 300 delegados, a corrente
Construindo um Novo Brasil, antes conhecida como Campo Majoritário, descartou a
criação de corregedoria para o partido e a instituição de um código de ética,
propostas sugeridas pelo grupo Mensagem ao Partido, ligado ao ministro Tarso
Genro (Justiça).
O grupo, ainda, manifestou-se em defesa do ex-ministro José Dirceu e do
deputado José Genoino (SP), réus em ações penais por formação de quadrilha e
corrupção ativa no esquema do mensalão.
Um dos defensores da dupla foi o deputado José Guimarães (CE), irmão de
Genoino, conhecido por ter tido um assessor preso com dólares na cueca. "Dirceu
e Genoino estão sendo duramente atacados e sem direito a defesa. O PT tem de
dar a eles total solidariedade", disse Guimarães. Foi aplaudido.
"Não há no PT mais ético ou menos ético", disse o presidente do diretório
de Brasília, Chico Vigilante, também aplaudido. "O PT é um só. Se um afunda,
afunda todo mundo junto", afirmou um dos coordenadores da tendência, Francisco
Rocha.
A Folha ouviu o discurso do secretário de Comunicação do PT, Gleber
Naime, na reunião. "O PT não pode ter uma corregedoria. Quantos delegados e
investigadores teríamos que contratar para investigar cada denúncia? Isso não
resolve os problemas do partido", disse.
A Construindo um Novo Brasil tem entre seus delegados Dirceu e Paulo
Rocha (envolvidos no mensalão) e Ricardo Berzoini (dossiegate). Para evitar
ataques explícitos a seus líderes, a corrente deve ter o apoio de outra alas,
ligadas à ministra Marta Suplicy (Turismo): a Novo Rumo e o PT de Lutas e de
Massas.
Sendo minoria, o grupo de Tarso sonda a ala majoritária para construir um
documento de consenso ao final do congresso, incluindo ao menos menção genérica
aos escândalos. Devem recomendar uma reforma política profunda.
Até o coordenador da comissão de ética, Danilo Camargo, é contra discutir
os escândalos. "Essa pauta não interessa ao PT nem a 80% da população. Só à
imprensa e à elite."
O PT tentará concentrar as discussões no Congresso ao balanço do governo
Lula, às próximas eleições e à renovação da direção partidária. A tendência é
que as eleições para a presidência do PT sejam antecipadas para o final do ano.
Haverá debate intenso sobre 2010.
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